O Portal H2FOZ traz parte da exposição "Índios", da repórter fotográfica Áurea Cunha. São dez fotografias do trabalho voltado para registrar as comunidades índigenas da região. Na exposição, estão reunidas fotografias de quatro tribos indígenas que vivem na região de fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. Fronteiras delimitadas pela colonização e que para os nativos muitas vezes não servem nem mesmo como referência para a localização das aldeias vizinhas, pelas quais transitam livremente. Veja as imagens da mostra logo abaixo.

De costumes distintos, porém com necessidades semelhantes, esses índios fazem parte da história da fronteira e contribuem para a formação da identidade da região. Com recortes da vida nessas aldeias, a fotojornalista Áurea Cunha procura revelar as singularidades de cada tribo como parte de um conjunto que deve preservar o único para formar o todo.

Quem são
É grande a quantidade de aldeias indígenas na tríplice fronteira e elas se distribuem por um raio de 150 quilômetros em torno de Foz do Iguaçu. Entre as mais representativas estão as tribos guarani Avá e M’bya. A região da confluência dos rios Paraná e Iguaçu abriga também índios Achê e Maká. São dezenas de comunidades espalhadas por terras brasileiras, paraguaias e argentinas que lutam para preservar seus costumes seculares.
Um recente mapeamento mostra que as tribos avás são maioria na região, com cerca de 1.200 representantes. Estes índios estão espalhados por três reservas: duas no Brasil e uma no Paraguai. No lado brasileiro, elas ficam próximas às cidades de São Miguel do Iguaçu e Diamante do Oeste, distantes 40 e 90 quilômetros de Foz do Iguaçu, respectivamente.

Em São Miguel do Iguaçu está a aldeia Ocoí - a menor delas, com 256 hectares e 115 famílias avás -, para onde estas foram relocadas em 1982 depois da formação do lago artificial da Hidrelétrica de Itaipu. Já próximo à cidade de Diamante do Oeste, fica a reserva Tekohá Añetete, com uma área demarcada de 1.780 hectares, também repassada à comunidade pela Binacional. Nessas tribos, professores da aldeia cultivam o guarani.
Se no Brasil, a situação dos índios avás não é das melhores, no Paraguai, ela é ainda pior. Muitas famílias já se deslocaram para as aldeias brasileiras, enquanto que as que permaneceram na região, disputam com agricultores uma área de 250 hectares próxima à cidade de Hernandarias, a 60 quilômetros de Foz. A fonte de renda principal vem do artesanato que vendem aos turistas.

Ainda no Paraguai, mais próximo à fronteira com a Argentina, vivem os M’bya Guarani. Esta comunidade está assentada numa reserva localizada dentro do Parque do Museu Bertoni, nos limites da cidade de Presidente Franco. Do outro lado do rio Paraná, já em terras argentinas, convivem outros quatro grupos indígenas M’bya, com cerca de 40 famílias, dedicadas também à venda de artesanato.
Um pouco mais distante da fronteira, a cerca de 150 quilômetros de Foz do Iguaçu e próxima aos municípios paraguaios de Santa Rita e Naranjal, está a comunidade Achê. São 120 índios distribuídos em 2,5 mil hectares de área protegida às margens do rio Ñacunday. Em Ciudad del Este, vivem outros cerca de 275 índios, estes da tribo Maká, que diariamente atravessam a Ponte da Amizade para vender seu artesanato nas ruas de Foz do Iguaçu.
(Guatá - Cultura em Movimento)






Sobre a autora:
Áurea Cunha tem 35 anos e é paranaense. Iniciou sua carreira de fotojornalista também no Paraná há 18 anos. É repórter fotográfico em Foz do Iguaçu.
Os trabalhos fotográficos de Áurea Cunha já estiveram expostos ao público da região em várias ocasiões. Destaca-se sua participação na mostra coletiva “A língua do fotógrafo e o olho do poeta”, promovida pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná e pelo Movimento Cuca Legal.
Áurea já desenvolveu vários trabalhos de documentação fotográfica das etnias e da diversidade cultural da tríplice fronteira. É autora ainda do ensaio “Todas as Cores do Mundo”, onde retrata mulheres das várias nacionalidade que vivem em Foz do Iguaçu.
O que é Guatá:
Guatá significa caminhar, na língua guarani, e o uso desta palavra para designar a nossa ação coletiva é uma homenagem aos povos que enfrentam o atual momento globalizante da humanidade, valorizando seus traços culturais com altivez. O conceito de caminhar aqui estabelecido pelo nosso nome vem da vontade de experimentar a vida e reconstruir nossa capacidade de vencer os obstáculos a cada embate, a cada encruzilhada, sem preconceitos. Nossas atitudes almejam discutir a diversidade cultural e questionar a realidade. Queremos colocar a cultura em movimento, fomentando um debate acerca da vida brasileira. Afinal, a cultura é a própria expressão do que se pode dizer humanidade. É através dela que cada indivíduo se reconhece histórico e, por isso, componente de um grupo social, respeitado em sua identidade.
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