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De olho na imprensa

Seguindo a linha desta coluna, que é contar fatos da história não oficial de Foz do Iguaçu, a partir desta edição a imprensa será a pauta. 

O primeiro caso, que se tem conhecimento e documentado, de controle policial da imprensa iguaçuense data de 1959. O Chefe de Polícia do Estado do Paraná, Pinheiro Junior, zeloso em seu afã de descobrir atividades comunista na região de fronteira, enviou telegrama ao Tenente Carlos Pinto, delegado regional de polícia de Foz do Iguaçu, solicitando um exemplar do jornal O Trabalhador, que era editado por Francisco Guaraná de Meneses. Naquela época qualquer atividade, desde círculos de estudos, entidades filantrópicas ou beneficentes, até jornais e revistas que fizessem alguma alusão ao trabalhador, operário ou proletário era alvo de investigação. 

Por meio do ofício de número 121, o tenente enviou em 29 de maio de 1959 um exemplar d’O Trabalhador para Curitiba. No dia dois de junho do mesmo ano, Pinheiro Junior encaminhou o jornal, acompanhado do ofício originado de Foz do Iguaçu, ao chefe do DOPS, onde o assunto foi arquivado. O periódico iguaçuense trazia em suas páginas apenas notícias e artigos de variedades e de interesse da comunidade.

Na próxima edição, as investigações do Serviço Nacional de Informações (SNI) sobre um artigo sobre corrupção na prefeitura de Foz do Iguaçu, assinado por Sady Maria Bordim e publicado em 31 de outubro de 1967, pelo jornal O Estado do Paraná.

De olho na imprensa - 2

Em 1967, os órgãos de informações ficaram assanhados e de prontidão depois da publicação, como matéria paga, no jornal O Estado do Paraná, de um artigo que levou o título “Terra de Ninguém”. O artigo, assinado por Sadí Bordin, continha denúncias de corrupção na prefeitura de Foz do Iguaçu.
Em caráter confidencial, o Serviço Nacional de Informações (SNI), enviou à Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) do Paraná, em sete de setembro. 

De 1967, pedido de busca de número 533, solicitando dados sobre o autor da matéria, os motivos que o levaram a escreve-la e o nome dos outras três pessoas, que segundo informação da diretoria do jornal, também seriam responsáveis pelo artigo.
 
No mesmo documento o SNI informou que a publicação havia custado dois mil cruzeiros novos e que o pagamento foi efetuado com cheque do Banco Nacional do Comércio, datado de 27 de outubro de 1967.
Em resposta ao ofício do SNI, o delegado de polícia de Foz do Iguaçu informou, por meio de ofício datado de 22 de janeiro de 1969, que além de Sadí Bordin, os outros responsáveis pelo artigo “Terra de Ninguém”, foram Júlio Rocha Netto, Evandro Stelle Teixeira e Emerson Wagner, que segundo o policial seriam inimigos do prefeito. 

Como se vê, a prática de controlar a imprensa é um vício maldito dos regimes ditatoriais. Naquele período negro de nossa história recente, a crítica aos governantes era impedida até mesmo como matéria paga. 

Devido a autoria da matéria denunciando corrupção na Prefeitura, os nomes de Sadi, Julio Rocha, Evandro Teixeira e Emerson Wagner, passaram a constar nos arquivos dos órgãos de repressão. Quanto ao prefeito e suas maracutaias nada foi feito. Não houve sequer a apuração dos fatos denunciados. 

* Aluizio Palmar é jornalista em Foz do Iguaçu.
http://aluiziopalmar.blogspot.com/  
aluiziopalmar@compubras.com.br 

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