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Retratos do multiculturalismo de Foz do Iguaçu
A exposição fotográfica Todas as Cores do Mundo apresenta parte das diferentes etnias que convivem em Foz do Iguaçu. Mais do que apenas revelar esta característica própria da tríplice fronteira, o trabalho produzido pela fotojornalista Áurea Cunha e realizado pela Associação Guatá - Cultura em Movimento propõe uma interação maior entre as mais de 70 etnias acolhidas pela cidade. A iniciativa tem apoio da Itaipu Binacional, Instituto Pólo Iguassu, Secretaria de Estado da Cultura, Fundação Cultural, Travessa dos Editores e Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná.
Para este projeto que propõe a interação entre os povos, foram reunidas 41 mulheres de diferentes nacionalidades e etnias que por um motivo ou outro escolheram Foz do Iguaçu como cenário de boa parte de suas vidas. O ensaioTodas as Cores do Mundo procura resgatar assim as singularidade características de cada etnia representadas na exposição, ao mesmo tempo em que homenageia a mulher. Sugere ainda o conhecimento do “eu” através do olhar mais atento ao “outro”.
Áurea justifica a escolha do tema lembrando que Foz do Iguaçu confirma sua vocação voltada para o cosmopolitismo, não apenas pela disposição geográfica da região, onde o trânsito por três países é espontâneo, mas, pela variedade de nações que aqui plantaram raízes. Em um tempo onde os conflitos políticos e a intolerância crescem, a cidade é exemplo de como as diferenças podem conviver e interagir pacificamente. ”O sentimento de tolerância solidária talvez seja a palavra-chave para a mudança deste mundo cada vez mais indiferente às contribuições dos nossos semelhantes”, lembra a fotógrafa.
O todo em um - O retrato foi o caminho escolhido pela fotógrafa para mostrar que cada rosto traz traços únicos, inconfundíveis, que formam este conjunto distinto chamado Humanidade. “Em vez de registrar flagrantes do cotidiano destas mulheres, que poderiam oferecer molduras de suas vidas, preferi o retrato para captar a essência de cada uma”, explica Áurea. Com este tipo de recorte, ficam à mostra as semelhanças de mulheres tão diferentes. São representantes vindas da Ásia, de países de língua árabe, Europa e de quase toda a América e de tribos indígenas da região.
Além disso, comenta Áurea, Todas as Cores do Mundo não pretende eleger representantes ou porta-vozes destes diversos grupos étnicos, tanto que a escolha das mulheres fotografadas foi aleatória, procurando ainda fugir das caricaturas de grupos raciais que os revestem de características folclóricas como único recurso para destacar aquilo que não é comum. “Se olharmos mais atentamente, vamos perceber que Foz do Iguaçu é realmente assim, simples no seu cotidiano, porém complexa na sua riqueza e contribuição cultural.”
Sobre a autora:
Áurea Cunha tem 35 anos e é paranaense. Iniciou sua carreira de fotojornalista também no Paraná há 18 anos. Desde 96, é repórter fotográfico do jornal Gazeta do Povo, lotada na sucursal de Foz do Iguaçu.
Os trabalhos fotográficos de Áurea Cunha já estiveram expostos ao público da região em várias ocasiões. Destaca-se sua participação na mostra coletiva “A língua do fotógrafo e o olho do poeta”, promovida pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná e pelo Movimento Cuca Legal.
Áurea já desenvolveu vários trabalhos de documentação fotográfica das etnias e da diversidade cultural da tríplice fronteira. É autora ainda do ensaio “Todas as Cores do Mundo”, onde retrata mulheres das várias nacionalidade que vivem em Foz do Iguaçu.
O que é Guatá:
Guatá significa caminhar, na língua guarani, e o uso desta palavra para designar a nossa ação coletiva é uma homenagem aos povos que enfrentam o atual momento globalizante da humanidade, valorizando seus traços culturais com altivez. O conceito de caminhar aqui estabelecido pelo nosso nome vem da vontade de experimentar a vida e reconstruir nossa capacidade de vencer os obstáculos a cada embate, a cada encruzilhada, sem preconceitos. Nossas atitudes almejam discutir a diversidade cultural e questionar a realidade. Queremos colocar a cultura em movimento, fomentando um debate acerca da vida brasileira. Afinal, a cultura é a própria expressão do que se pode dizer humanidade. É através dela que cada indivíduo se reconhece histórico e, por isso, componente de um grupo social, respeitado em sua identidade.
Este ensaio fotográfico foi realizado no ano de 2004.
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