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15/04/2011

Foz do Iguaçu precisa de medidas urgentes de infra-estrutura, diz Fernanda Fedrigo

O trade turístico tem um consenso de que Foz do Iguaçu necessita desenvolver ações estruturantes: como qualificação de mão de obra, investimento em pesquisa e extensão acadêmica. A frente do principal fomentador destas ações, Fernanda Fedrigo, presidente do Instituto Polo Iguassu, fala ao H2FOZ sobre os seus quatro meses presidindo a instituição, sobre os projetos desenvolvidos e também sobre os caminhos e as tendências na área do turismo aqui na Três Fronteiras. Confira.

Willbur Souza - H2FOZ
 
Portal H2FOZ - Fernanda, você já está há quase 4 meses completos a frente do Polo Iguassu. Já dá para fazer um balanço dessa sua gestão?
Fernanda Fedrigo -
Acredito que ainda é cedo, o instituto tem muitos projetos em andamento do ano anterior e novos previstos para os próximos três meses, além de ações de gestão interna em andamento, portanto creio ser precipitado fazer qualquer balanço neste curto espaço de tempo. O que posso adiantar é que o instituto vem trabalhando orientado para consolidação de suas áreas técnicas focadas em qualidade, pesquisa e educação para o turismo. 

H2FOZ - Na gestão de Faisal Saleh, hoje Secretário Estadual de Turismo, o Polo Iguassu procurava sempre trabalhar com as ações estruturantes do turismo. Com você a frente da instituição essa tendência permanece? Por quê?
Fernanda - Entendo que este seja o papel do instituto e isto não muda, independente da gestão. Foram pré-definidos papéis nas instituições de turismo locais e o do POLOIGUASSU é orientada para ações estruturantes, com foco em pesquisa, qualificação e qualidade. Precisamos ter esforços de todos os lados, hoje as ações focadas na promoção e divulgação do destino estão fortes e consolidadas, o mesmo deve acontecer para as ações estruturantes, é isto que poderá fortalecer a gestão integrada a longo prazo.
 
H2FOZ - Quais projetos você tem em mente para serem executados no Polo Iguassu? O que o Polo está planejando em realizar para contribuir para o turismo aqui na região trinacional?

Fernanda - Os projetos previstos para 2011 no instituto buscam atender principalmente as demandas vindas das principais instituições de turismo no que tange a estruturação do destino, desta forma estão previstas a criação de um Núcleo de Pesquisas em Turismo e de um Núcleo de elaboração de projetos para captação de recursos, a execução da 5ª edição do Projeto Trilha Jovem Iguassu, o apoio técnico na execução de um programa focado na sensibilização turística para a comunidade, a realização do V Fórum Internacional de Turismo do Iguassu, a II Mostra de Turismo Sustentável, dentre outras ações, além dos projetos em parceria com a Fundação Parque Tecnológico Itaipu focados principalmente na inovação para o turismo.
Em relação ao envolvimento da Argentina e do Paraguai o projeto de fortalecimento de turismo de base comunitária abriu para a participação dos países vizinhos e também está sendo articulado um estudo para os aeroportos dos três países tornarem-se um hub para a América latina. Outro projeto é o Centro Internacional de Inteligência em Turismo que está sendo concebido junto a Organização Mundial do Turismo que prevê levantar e analisar dados e informações de turismo dos três países e fazer a 2 ª edição do Guia Iguassu.

 H2FOZ - As últimas ações do Polo Iguassu, como o  “Por um destino de Excelência”, estão se concentrando na qualificação profissional. Por que o Polo Iguassu vem adotando essa política?
Fernanda - O Polo tem adotado a Política de atuação em qualificação profissional desde a execução do Projeto Eirete Eiruí em 2004, posteriormente o Trilha Jovem em 2006 e agora o Projeto Por Um Destino de Excelência. O grande objetivo não é realizar cursos de qualificação e sim desenvolver metodologias que promovam a melhoria da qualidade de vida das pessoas, a inserção social e o retorno ao mercado de trabalho. Neste projeto o grande desafio que o Ministério do Turismo nos deu foi de avaliar a aplicabilidade das normas da ABNT voltadas aos profissionais do setor de turismo e de criar uma metodologia que possa ser replicada no cenário nacional, é para isto que estamos trabalhando.

H2FOZ - Foz do Iguaçu necessita de pesquisas acadêmicas mais aprofundadas para contribuir para o fortalecimento do Destino? Por quê?
 

"A importância destas pesquisas se reflete desde o momento em que precisamos planejar a atividade no município, lançar um novo produto, atender um público especializado até o momento de medir se as ações realizadas tiveram o resultado esperado"

Fernanda - Sem dúvidas, aliás, o Brasil precisa. Pesquisas em turismo, não só pesquisas acadêmicas são deficitárias em todo cenário nacional, é só avaliar os resultados do índice de competitividade divulgado pelo Mtur, a média nacional ficou com a nota 34,8. A importância destas pesquisas se reflete desde o momento em que precisamos planejar a atividade no município, lançar um novo produto, atender um público especializado até o momento de medir se as ações realizadas tiveram o resultado esperado. Por exemplo, como podemos mensurar se ações de marketing realizadas pelo destino atingiram o público que foi trabalhado? Como podemos estabelecer as necessidades de infra-estrutura no longo prazo, como a ampliação Trilha das Cataratas, aeroporto. Por meio de estudos, pesquisas, indicadores. Quando você fala de pesquisas acadêmicas podemos também trabalhar para focar as monografias que são desenvolvidas anualmente nas universidades, de forma a aproximar o trabalho da academia as necessidades do mercado.
 
H2FOZ - Recentemente foi assinado um acordo de cooperação entre o Polo Iguassu e a Organização Mundial do Turismo para o intercambio de informações e ações para incrementar o turismo. Esse acordo pode ser considerado um marco para a evolução do segmento aqui na região?
Fernanda - Este acordo de cooperação é uma tentativa de aproximar a região das discussões no cenário internacional, temos ainda muito para evoluir neste processo. Neste esforço também em dezembro de 2010 o POLOIGUASSU e a FPTI representaram o Brasil no 7º quadro da União Européia, com objetivo de inserir o tema turismo. A abertura e interesse da OMT é da EU é grande quando falamos de América Latina, considerando também que o Brasil é a bola da vez!
Desta forma este acordo não pode ser visto como uma ação isolada do instituto e sim um esforço coletivo para colocar as pessoas e instituições que pensam o turismo no mundo olhando para a nossa região. Estaremos participando como membros afiliados da OMT do Seminário sobre Inversões em Turismo nas Américas, que acontece nos dias 17 e 18 de maio de 2011, em Assunção – Paraguai onde vamos buscar apoio para investimentos de melhoria do turismo na Região Trinacional do Iguassu.

H2FOZ - Uma grande aposta, que vem sendo apontada para o fortalecimento do turismo na região, é o turismo de base comunitária. Essa aposta pode contribuir realmente para esse crescimento?
Fernanda - Hoje o destino ainda não planeja a atividade turística olhando para os segmentos, esta ação foca trabalhar com um segmento turístico apoiado pelo Mtur. É importante entender que ainda não temos consolidado o turismo de base comunitária na região e que prefiro chamar de turismo de base local, entendido como aquele preocupado com a conservação ambiental, a valorização da diversidade cultural e a participação direta da comunidade como gestora de todo o processo. Neste sentido temos uma demanda cada vez maior de turistas que buscam por uma atividade turística que permita uma vivência maior com o meio, não apenas contemplativa, este tipo de experiência é proporcionada pelo turismo de base comunitária. Hoje temos agencias no mundo todo especializada em comercializar pacotes direcionados com produtos específicos para este público.

Além disto, devemos considerar que Destino Iguaçu tem como principal apelo um atrativo natural, e que se o conceito de turismo sustentável não for considerado na forma como o destino trabalha o turismo corremos o risco de em médio prazo termos um atrativo em decadência. Ninguém tem interesse em visitar um atrativo natural degradado e temos sérias ameaças como caça predatória, construção de usinas hidrelétricas, redução da biodiversidade do parque, poluição dos rios, falta de efetivo para fiscalização, dentre outros.

H2FOZ - A Itaipu Binacional e as Cataratas do Iguaçu vêm batendo recordes de visitação a cada ano. No entanto, é necessário se fortalecer ou desenvolver outros atrativos turísticos para oferecer mais opções aos turistas?
 

"Acredito que o destino tenha que pensar de forma estratégica e isto consiste em avaliar não apenas números de visitação, mas sim que turismo queremos a longo prazo."

Fernanda - Hoje o Parque Nacional e a Itaipu têm grande concentração de público com horários de pico que formam filas extensas. Além disto, o destino vem a anos tentando aumentar o tempo de permanência do turismo que ainda é baixo. Acredito que o destino tenha que pensar de forma estratégica e isto consiste em avaliar não apenas números de visitação, mas sim que turismo queremos a longo prazo. Talvez aumentar o tempo de permanência e o gasto médio sejam mais interessantes do que quebrar recordes de públicos, pois isto incha a infra-estrutura básica da cidade e prejudica a qualidade de vida da população, além de implicar diretamente na satisfação do visitante. O momento que Foz está exige medidas urgentes de infra-estrutura necessárias para o público que já visita a cidade. O fortalecimento de novos atrativos locais e regionais e o estabelecimento de capacidade de carga no Parque Nacional do Iguaçu são medidas mitigadoras passíveis de serem aplicadas e que de certa forma estão em andamento. Mas acredito que o principal seria estabelecer um plano de desenvolvimento do turismo de longo prazo com uma visão bem clara de onde e como queremos chegar em 2020.

H2FOZ - Entre as bandeiras levantadas pela Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu, duas dizem respeito ao turismo: a duplicação da BR-227 aliada ao embelezamento do corredor turístico e também a segurança de fronteira. Você vê a necessidade de se trabalhar fortemente estes aspectos? Por quê?
Fernanda - Acredito que a cidade só é boa para o turismo quando ela for boa para o morador, estas ações defendidas pela ACIFI são fundamentais neste aspecto e reforçam a necessidade do município de planejar e realizar esforços conjuntos frente a estas grandes bandeiras que a anos são reivindicadas.

H2FOZ - Foz também vem se tornando um destino esportivo, com diversos eventos sendo captados para cá. A Copa do Mundo de 2014 também está próxima e a cidade pode se beneficiar indiretamente com ela. A consolidação com um destino esportivo é algo que as lideranças do Trade Turístico podem explorar?
Fernanda -
Com certeza, um destino desportivo tem muitas vantagens, pois gera uma série de impactos positivos como mídia espontânea, imagem do destino ligada a saúde e esporte, público qualificado, diferente por exemplo de turismo de jogos ou de sol e mar que pode trazer implicações socioambientais extremamente negativas.
A Copa e as Olímpiadas poderão contribuir para que Foz do Iguaçu e região comecem a olhar para o desenvolvimento do turismo de esportes e também o turismo náutico. Se considerarmos o potencial dos nossos rios e do reservatório de Itaipu estamos sem dúvida diante de um grande potencial turístico. Existem projetos em desenvolvimento pensados principalmente para o turismo, vamos aguardar as novidades.

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Portal H2FOZ - Willbur Souza
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