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Guerrilha e piolhos

* Aluizio Palmar 

Em 1985, Álvaro Albuquerque mergulhou de corpo, alma e lenço vermelho no pescoço na campanha eleitoral. Saiu candidato a prefeito pelo PDT, juntamente com Dobrandino, PMDB; Tércio Albuquerque, PDS; Osires Santos, PFL e Caetano pelo PT. 

Profissional de escritório e Fórum, doutor Álvaro meteu a cara e saiu todo animado pelos bairros em busca de votos. 

Em certa ocasião, num comício realizado na Vila Carimã, o candidato do PDT trepou na carroceria de madeira de um caminhãozinho e fez um discurso pra lá de esquerdista. Falou de Che Guevara, da revolução cubana e da guerrilha castrista. De repente, fez uma pausa e disse que se eleito prefeito iria fazer uma campanha para acabar com o piolho. 

Animado com sua proposta de governo o advogado prometeu que iria criar centenas de brigadas para cortar os cabelos das crianças das favelas de Foz do Iguaçu. 

Assistindo o comício postado na calçada de um boteco, Arthur Mello, um velho comunista morador da Favela do Cemitério, ficou arrepiado e comentou: “Agora o doutor Álvaro vai querer fazer guerrilha contra o piolho”. 

* Aluizio Palmar é jornalista em Foz do Iguaçu.
http://aluiziopalmar.blogspot.com/  
aluiziopalmar@compubras.com.br  

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