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O general e o filósofo

* Aluizio Palmar

Na década de 70, um importante comerciante de Foz do Iguaçu, amigo do ex-presidente Alfredo Stroessner e de altas autoridades em Brasília e Curitiba, deu uma grande festa binacional no casamento da filha. Estava lá o mundo político e social da fronteira, inclusive o recém transferido general comandante do 34º Batalhão de Fronteira, naqueles tempos do poder militar, o homem mais importante da cidade. 

O salão do Country Clube estava lotado. Enquanto esperavam o jantar, comerciantes, políticos, advogados, funcionários públicos e jornalistas andavam de um lado para outro segurando seus copos de uísque dando tapinhas nas costas uns nos outros e apanhando tira-gostos nas bandejas carregadas pelos garçons. 

Quando o comandante entrou no salão de festas do country , a orquestra interrompeu o pout-pourri de baladas que estava executando e lascou “Pra frente Brasil”, aquela marchinha horrorosa que na década de 70 se tornou o hino oficial da tal de revolução.Para agradar o militar, um grupo de convidados puxou o coro que foi acompanhado pelos demais. Balançando os copos de uísque com a mão esquerda acompanharam a orquestra e cantaram: “Noventa milhões em ação/Pra frente Brasil/Do meu coração”. 

Impressionado com o fausto da festa o general perguntou a Ney Braga, então Ministro da Educação de Ernesto Geisel.- Ministro, o senhor que é paranaense e amigo do pai da noiva, me diga uma coisa. Qual é o forte dessa gente? É o comércio?- General, não procure se aprofundar. Existe algo mais nesta fronteira que a nossa vã filosofia não consegue explicar. 

* Aluizio Palmar é jornalista em Foz do Iguaçu.
http://aluiziopalmar.blogspot.com/  
aluiziopalmar@compubras.com.br

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