* Aluizio Palmar
Ele ganhou o apelido posposto depois ao nome de batismo por ter trabalhado no banco. Foi candidato a vereador em 92 e seu elegeu com o apoio do eleitorado de confissão evangélica.
Todo chato é nato. Já nasce chato e é irreversível”, diz Mário Prata. Está coberto de razão. Aníbal Curi, que dedicou a vida à observação de aves raras da política paranaense, classificou os chatos nativos da seguinte forma: os de galocha, os de sobretudo e os de perdigotos.Os primeiros, dizia Aníbal, são os chatos pegajosos. Chatos de galocha porque pedestres. Gente do baixo clero que marca homem a homem, segura no paletó, tropeça nas pernas do interlocutor, até conseguir a prebenda. É chato epidêmico. Nos períodos pré-eleitorais infesta as ante-salas do Centro Cívico. Pede retribuição pela lealdade e logo que é atendido, quando o cidadão imagina que se viu livre do inoportuno, lá vem ele com mais um pedido. O chato de parlamento sempre quer mais um favor. Os chatos de sobretudo são solenes, pomposos, incapazes de dizer um simples bom-dia sem aquele ar de canastrão de filmes da Metro. Muito comuns no ecossistema da política nativa. Normalmente, são pessoas dotadas de poucas idéias, mas que procuram disfarçar esta carência apresentando um ar inteligente e fazendo de conta que sabem de tudo. Proliferam nas assessorias de políticos. Costumam atravessar o samba e a articulação política, dão conselhos estapafúrdios aos governantes, quando não repetem frases feitas, lugares comuns. Desta categoria são também os chatos pregadores. Os apaixonados pelo líder. Almas penadas que costumam gravitar em torno de políticos que esbanjam o que lhes falta: personalidade que às vezes se confunde com arbitrariedade.Por fim, os chatos de perdigoto. Aníbal Curi detestava os políticos de discurso vazio, os falantes, especialmente aqueles que gastam saliva em auto-elogios. Sobram figuras do tipo. Aqui mesmo, na praça de Curitiba, há exemplares grotescos do gênero.Esta classificação dos chatos políticos do Paraná poderia juntar-se ao Tratado Geral dos Chatos, escrito há 40 anos por Guilherme Figueiredo. Livro útil. Tanto quanto as contribuições de Aníbal Curi.
* Aluizio Palmar é jornalista em Foz do Iguaçu.
http://aluiziopalmar.blogspot.com/
aluiziopalmar@compubras.com.br
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