Geralmente quando uma pessoa resolve começar a investir no mercado de ações, pensa apenas no retorno que este tipo de aplicação pode gerar. É comum esquecerem de analisar o risco inerente, e principalmente, traçar estratégias sobre o que fazer caso o mercado comece a cair. O modo mais básico para gerenciamento do risco é a utilização do STOP.
Mesmo que talvez tudo pareça teórico ou mesmo falte maior base para seu entendimento, caso você queira começar a investir em ações é fundamental que fixe a idéia do STOP. Ele garantirá sua sobrevivência no mercado.
STOP é uma palavra em inglês que significa parar. Na prática do mercado financeiro, significa um nível de preço que, quando alcançado, revela que a estratégia operacional utilizada está saindo do previsto e deve ser interrompida. O objetivo do seu uso, num primeiro momento é resguardar seu capital, com uma pequena perda, para que possa voltar ao mercado num outro momento que julgue adequado. Num segundo momento, se a sua operação inicial estiver evoluindo favoravelmente, sua função passa a ser a de proteger uma parte dos lucros auferidos até aquele momento. Estas são as suas aplicações mais comuns.
Apesar de parecer algo simples, a prática é muito diferente. O que ocorre é que a grande maioria das pessoas não usa STOP em seus investimentos. Quando a operação ocorre de modo esperado, com lucro, tudo certo. Porém, o mercado é imprevisível. E muitos apenas lembram do STOP quando já estão num prejuízo grande. A tabela seguinte explica de modo matemático a razão do uso do stop:

A tabela acima representa o lucro necessário (segunda coluna) para recuperar um determinado prejuízo (primeira coluna). Observe que quanto maior o prejuízo, mais lucro é necessário para recuperar o valor perdido. Deste modo, grandes prejuízos praticamente inviabilizam a recuperação do capital. Você pode pensar "ah, mas perder mais que 50% na bolsa de valores não é fácil". Vamos dizer que não é corriqueiro, mas acontece com muita frequência, e justamente pela falta de utilização do STOP.
O que acontece normalmente numa situação desta é que uma operação coloca o trabalho de meses ou até anos por água abaixo. Imagine que você comece a operar no mercado de ações com R$ 100.000,00. Depois de 6 meses de investimentos, num mercado de alta e fazendo operações curtas, você pode ter conseguido uma rentabilidade de 30% e agora seu patrimônio é de R$ 130.000,00. Nesse momento você está confiante, o mercado praticamente só sobe e você pensa que já domina a previsão do movimento das ações. E então, entra novamente numa operação. De cara, ele começa a dar errado e está com 5% de prejuízo. Neste momento, você se convence que está errado e então quer sair da operação. Mas, você não sai à mercado (expressão que significa vender no preço em que a ação está no momento) e fala o seguinte "se voltar no meu preço de compra, eu vendo". Porém, o mercado não volta no seu preço, e sem você perceber, em mais alguns dias seu prejuízo já é de 10%. Você começa a ficar nervoso e se convence que não vai voltar no seu preço. Logo, fala "se eu sair com uns 2% de prejuízo, já está bom". Porém, novamente o mercado não volta...passa umas semanas e seu prejuízo está de 20%. Neste momento você observa que já está quase nos R$ 100.000,00 inicias novamente. Então fala "Bom, não é com 20% de prejuízo que vou vender. Agora vou sentar e esperar voltar". E nesse ponto muda de uma estratégia de "trade curto" para "sentar e esperar". Porém, o mercado entra numa queda mais forte e a sua ação, depois de alguns meses, já encontra-se à 50% do ponto de compra. Neste momento, você está com R$ 65.000,00 de patrimônio, com 35% de perda em relação ao investimento inicial e 50% de prejuízo em relação ao seu patrimônio antes do último trade, pensando que o mercado de ações não presta.
Infelizmente, esta pequena narrativa não é apenas teórica. É exatamente este cenário que observamos na fala da maioria das pessoas que começaram como "traders" e que no momento estão com grandes perdas, sentadas em cima de operações mal feitas. Se formos analisar de modo frio, vamos observar que o erro não está no ponto de compra (apesar de agora você poder se espantar e pensar que depois de uma queda de 50% ser óbvio que o ponto de entrada foi errado), mas sim, o ponto de saída. Bastaria um stop de 3%, 4%, 5% para limitar a perda e partir para o próximo trade. Deste modo, o mercado não deixou de funcionar e continua muito rentável. O que não funcionou foi a disciplina do trader em stopar a operação com pequeno prejuízo.
Quando se fala em trade, se fala em operações curtas, para aproveitar-se das pequenas variações do mercado. Este método tem que funcionar na venda com lucro e prejuízo. Pense...se minhas vendas com lucro foram de 5%, 6%, 7%...e meus stops forem de 3%, basta eu acertar 50% das operações que eu fizer que tenho lucro no geral. Agora, se as vendas lucrativas forem nesta mesma faixa, e os prejuízos forem em torno de 20%, 30%, 50%, não é preciso nem usar a calculadora para descobrir que terei prejuízo na bolsa de valores.
A partir deste raciocínio vemos a importância do STOP. O STOP, ou a venda com prejuízo, é o que garante a possibilidade de lucro na bolsa! Sem ele, apenas vamos contar com a sorte, pois se acertarmos 50 operações seguidas e a de número 51 tiver um prejuízo de 70%, estaremos com um valor menor do que o investido inicialmente.
* Filipe Colpo é gerente de Mesa da Interbolsa Corretora de Valores - Foz do Iguaçu
filipe.colpo@interbolsa.com.br
www.interbolsa.com.br
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