H2Foz

Um sacrifício por Foz

* Aluizio Palmar 

Em 1959, três jovens de Foz do Iguaçu foram a pé até o Rio de Janeiro como forma de protesto pelo abandono em que se encontrava o município. A tiracolo levavam um manifesto que recebeu o pomposo título de “Mensagem do povo de Foz do Iguaçu”. 

O objetivo era chamar a atenção da opinião pública e fazer chegar o documento ao presidente Juscelino Kubitschek. 

No dia 16 de janeiro, depois de terem sido entrevistados pela Rádio Cultura, Paulo Borne, Fortunato Borges e Ramón Gutierrez, todos eles funcionários da Industrial Madeireira, partiram em direção a então capital federal, portando a mensagem escrita por Roberto “Coco”Grignet. O documento contendo mais de 200 assinaturas, apresentava as seguintes reivindicações: motores de alta potência para a eletrificação da cidade ou então a conclusão da usina hidrelétrica do Rio Ocoí; nivelamento e calçamento das ruas; construção dos portos fluvial rodo-ferroviário de Porto Epitácio e Foz do Iguaçu, viabilizando assim o caminho hidroviário via Guaíra; ampliação da pista e melhoramentos no aeroporto de Foz do Iguaçu; abertura, conclusão e conservação de estradas para o escoamento da produção agrícola do Oeste do Paraná; construção de um hospital maior e melhor aparelhado e um grupo escolar. 

Quando saíram rumo ao Rio de Janeiro, Borne, Fortunato e Gutierrez levaram nas mochilas, além da mensagem escrita por Grignet, um caderno de anotações para registrar tudo que aconteceria na viagem e as doações recebidas para o cumprimento da missão. Na primeira página do livro constaram os vistos do prefeito capitão Jacob Becker e do comandante interino do Batalhão de Fronteiras, Major Saião. 

Durante o percurso prefeitos, vereadores, delegados de polícia e cidadãos comuns anotaram no livro-diário da viagem as reivindicações dirigidas ao presidente JK. Um vereador de Guaraniaçu escreveu pedindo que as roupas usadas do Exército fossem doadas aos agricultores da região. Em Laranjeiras, o presidente da Associação Rural pediu maior atenção ao homem do campo. Em Imbituva, a diretora da escola normal pediu ao presidente da República um livro autografado para ser o número um da biblioteca recém criada. E foi assim durante toda a caminhada. Os mensageiros de Foz acabaram se transformando em estafetas da esperança do povo da região Oeste. 

Depois de caminharem dois mil quilômetros em 54 dias, Paulo Borne e Fortunato Borges chegaram ao Rio de Janeiro no dia nove de novembro. Ramón Gutierrez havia ficado doente e abandonou a aventura em Laranjeiras do Sul, 14 dias depois da partida. 

Um sacrifício por Foz II

Na edição da semana passada eu comecei a contar a histórica caminhada que Paulo Borne, Fortunato Borges e Ramón Gutierrez fizeram ao Rio de Janeiro para entregar uma mensagem com reivindicações de Foz do Iguaçu ao presidente Juscelino Kubitscheck . Eles saíram de Foz do Iguaçu no dia 16 de setembro de1959 e chegaram na então capital de República em nove de novembro portando um manifesto que recebeu o pomposo título de “Mensagem do povo de Foz do Iguaçu”. O objetivo era chamar a atenção da opinião pública e fazer chegar o documento contendo uma série de reivindicações ao presidente Juscelino Kubitschek. 

Depois de caminharem 54 dias, Paulo Borne e Fortunato chegaram ao Rio de Janeiro para a tão sonhada audiência com o presidente JK. Ramón Gutierrez ficou doente durante a viagem e abandonou a aventura em Laranjeiras do Sul, 14 dias depois da partida. 

Depois de percorrerem os veículos de imprensa do Rio de Janeiro Borne e Fortunato dirigiram-se ao Palácio do Catete que vivia momentos de agitação por conta da revolta de Aragarças, quando oficiais da FAB se rebelaram contra o presidente. Os dois iguaçuenses cruzaram o saguão e subiram até a sala do Gabinete Civil. Lá foram informados que JK não estava no Palácio. Apesar das dificuldades não desistiram. Bateram nos gabinetes dos deputados paranaenses Ney Braga e Rafael Rezende. Ambos deram as costas para os mensageiros de Foz do Iguaçu. Procuraram os senadores paranaenses Souza Neves e Gaspar Veloso e toda a ajuda que tiveram foi a oferta de passagens para voltarem à fronteira.
Decididos a não voltar de mãos vazias Borne e Fortunato retornaram ao Palácio e entregaram a mensagem ao major Múrcio, que a encaminhou a Paulo Nonato, oficial de gabinete da Presidência. 
Faltava a resposta e ela não vinha. Foi então que os dois jovens iguaçuenses decidiram fazer um protesto andando ininterruptamente durante 72 horas em volta do jardim da Praça Floriano, na Cinelândia. Naqueles dias eles tiveram uma excelente cobertura da imprensa. O Jornal do Brasil chegou a afirmar que somente o presidente da República poderia parar a caminhada. 

Depois de 15 horas de iniciado o protesto eles foram levados à Câmara de Deputados de carro oficial. Lá um grupo de deputados aconselhou os dois a suspender a manifestação, que estava sendo aproveitada por grupos oposicionistas. Disseram ainda os deputados que naquele momento, com a revolta de Aragarças, não era prudente continuar com o protesto, que o presidente JK estava ciente do propósito dos dois e que daria uma resposta em dez dias. Garantiram ainda que o povo iguaçuense seria beneficiado. 

Borne e Fortunato voltaram a Foz do Iguaçu e ganharam a conta na Industrial Madereira, onde trabalhavam. Mas a luta não foi em vão. Um dia receberam um telegrama da Casa Civil comunicando que a Presidência da República havia encaminhado as reivindicações de
Foz do Iguaçu ao Governo do Estado e que uma verba havia sido liberada e depositada na conta da prefeitura no Banco do Brasil.

* Aluizio Palmar é jornalista em Foz do Iguaçu.
http://aluiziopalmar.blogspot.com/  
aluiziopalmar@compubras.com.br

      Facebook
Comentários compartilhados no Facebook.
      Twitter
Compartilhamentos e retweets no Tweeter.
 
Comentários
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. O Portal H2FOZ não é responsável pelo seu conteúdo.