H2FOZ - Foz do Iguaçu
  1. Home
  2. Adnan El Sayed

PT mordeu a isca: rumo à entrega do país ao retrocesso

Manuela D'Avila e Fernando Haddad (Foto: Ricardo Stcukert)

Por Adnan El Sayed

Bom dia! O PT traça uma estratégia que levará o país ao retrocesso empurrando ao segundo turno Bolsonaro e Alckmin. Sim! O PT será o grande responsável por fazer desta possibilidade uma realidade. Mas como? Vejamos passo a passo!

Ao insistir na candidatura de Lula, está claro que a estratégia vai ser mantê-lo como candidato até as últimas consequências. Ainda mais renovadas as cegas esperanças após algumas novidades no cenário eleitoral, tais quais:

1 – A recomendação de um comitê da ONU a favor de Lula, a qual deveria ter implicação nas deliberações jurídicas internas, segundo compromissos firmados pelo Brasil perante a ONU; 
2 – O crescimento das intenções de voto em Lula nas últimas pesquisas realizadas nos últimos dias;
3 – A pouquíssima capacidade de Lula transferir votos a Haddad, o qual continua com 4% no cenário sem Lula e com uma rejeição de mais de 60% do eleitorado de Lula.
    
Estes três pontos consolidam o pensamento hegemônico no PT de que Lula deve estar candidato até as últimas consequências, não permitindo que Haddad assuma como candidato. Tendo isso claro, vamos ao calendário do que pode ocorrer diante da impugnação da candidatura de Lula (seguindo as tendências de que ele se confirme como o mais votado e de que o entendimento jurídico sobre sua inelegibilidade se mantenha):

A)    Se a inelegibilidade for confirmada até a última instância (STF), após todos os recursos cabíveis, antes do dia 17 de setembro, então o PT indicará outro nome para cabeça de chapa, o Haddad no caso. Acontece que muito provavelmente o STF não julgará antes desta data, portanto vamos aos próximos cenários possíveis;

B)    Se a inelegibilidade for confirmada após o dia 17 de setembro, mas antes do primeiro turno das eleições (dia 7 de outubro), então não poderá mais o PT indicar outro nome e haverá nas urnas o nome e foto de Lula, no entanto seus votos serão considerados todos nulos. Neste caso, irão para o segundo turno o segundo e o terceiro mais votados;

C)    Se a inelegibilidade for confirmada após o primeiro turno (7 de outubro) e antes do segundo turno (28 de outubro), irão ao segundo turno igualmente o segundo e o terceiro mais votados;

D)    Ainda há a possibilidade de a inelegibilidade ser confirmada após Lula ganhar as eleições. Neste caso será realizada nova eleição com novos prazos e novas possibilidades de coligação, etc.

Os cenários mais prováveis são o B e C, e ambos levam ao mesmo desfecho: o segundo e terceiro colocados vão disputar o segundo turno. Neste caso, estamos falando de uma muito provável situação de Bolsonaro, que se consolida com 18%, e Geraldo Alckmin, que terá um tempo extraordinário de propaganda televisiva e precisa de alguns pontos percentuais para sair do empate técnico com Ciro Gomes e Marina Silva, assumindo facilmente o terceiro lugar.

Isso levará o PT à margem da história nacional, já que a narração dos fatos se fará pelos vencedores desta eleição. Além disso, entregará o futuro do país ao retrocesso em termos de soberania, desenvolvimento e direitos. Carregará nas costas este peso para todo o sempre. 

O PT perdeu a chance de salvar a própria história e o país quando se negou apoiar Ciro, indicando Haddad para vice. Ciro no cenário sem Lula aparece com uma média de mais de 10% de intenção de votos, e isso se somaria ao apoio de Lula, do PT e do PCdoB de Manuela, que muito tentou convencer o PT para esta alternativa de união do campo progressista, mas fora engolida pela hegemonia petista. 

Não há uma segunda chance, porque o PT se mostra intransigente e não indicará Haddad em hipótese alguma enquanto ainda houver recurso para manter Lula. O destino do Brasil está traçado, e nos sentimos vítimas de um egoísmo partidário que nos jogará para a lama, mais do que já estamos. Neste momento, sou um pessimista à espera de algo que me surpreenda.

* Adnan El Sayed é economista em Foz do Iguaçu.