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Alexandre Palmar
Bolsonaro acusa Tríplice Fronteira de abrigar terroristas

De forma leviana, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que as Três Fronteiras (Argentina, Brasil e Paraguai) abrigam terroristas. A declaração foi dada nesta terça-feira, 20, na saída do Palácio da Alvorada. Acusações contra esta região ocorrem há décadas. Novidade é o ataque partir de um presidente do Brasil.

Vamos ao contexto. Alinhada aos EUA, a Argentina declarou o Hezbollah como organização terrorista em julho. O Paraguai fez o mesmo na última segunda-feira, 19. Questionado pela imprensa se pretende seguir os vizinhos sul-americanos, o presidente respondeu da seguinte forma:

“Posso, sim. Pretendo fazer isso aí. E são terroristas. […] Temos informes que têm pessoas deles por aqui também, tríplice fronteira, grupo do crime organizado no Brasil. Eles são unidos. Podem não ser muito organizados, mas são unidos”. 

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Tal afirmação sugere uma tradução simples. Para Bolsonaro, o Hezbollah é uma organização terrorista. Segundo o presidente, existem “informes” de pessoas integrantes do Hezbollah morando na região que tem como principais cidades Foz do Iguaçu, Ciudad del Este e Puerto Iguazú.

O Hezbollah é um partido político, com assentos no Parlamento do Líbano, participação no governo do país árabe, mas considerado por países alinhados aos EUA como uma organização terrorista por conta das ações da sua ala militar. A comunidade árabe da fronteira é acusada de abrigar, entre seus integrantes, financiadores de atos terroristas. 

Com esse ataque, Jair Bolsonaro ignora a própria diplomacia do governo brasileiro, que historicamente sustenta nunca ter encontrado provas ligando pessoas da comunidade árabe a atos terroristas. Pelo contrário, o Ministério das Relações Exteriores destacou, em 2015, que “elas estão, aparentemente, muito bem integradas à sociedade brasileira”.

É preciso registrar um fato ainda mais relevante. Nada menos do que a Organização das Nações Unidas não classifica em suas resoluções o Hezbollah como grupo terrorista. O Brasil costuma seguir as resoluções da ONU nesse tema. Ao menos até a chegada de Jair Messias Bolsonaro ao governo. 

Diante da grave acusação do presidente do Brasil contra as Três Fronteiras, seria sensato tornar públicos tais “informes” para, no mínimo, sustentar a afirmação. E mais: tais pessoas consideradas “terroristas” pelo presidente estariam ligadas a quais grupos de crime organizados? 

Ao longo das últimas duas décadas, autoridades de Foz do Iguaçu levantaram enfaticamente a voz para defender a região de graves acusações sem provas. A acusação de Bolsonaro merece uma resposta à altura da sociedade, a começar dos agentes políticos que representam a cidade. Do contrário, é aguardar os danos e prejuízos provocados pela verborragia presidencial.

Alexandre Palmar é jornalista em Foz do Iguaçu. 

* Este artigo não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ.

Na imagem, Ponte da Amizade (Brasil/Paraguai) - Foto: Marcos Labanca

Corregedoria designa Comissão de Correição na Procuradoria da República no Paraná

Os procuradores regionais da República Antônio Carlos Welter, Cláudio Dutra Fontella e João Heliofar de Jesus Villar foram designados para compor a Comissão de Correição Ordinária na Procuradoria da República no Paraná e em 15 unidades da Procuradoria da República no interior do estado, entre elas a localizada em Foz do Iguaçu.
 
O nome de Antônio Carlos Welter parece conhecido? Sim, ele é um dos integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato, coordenada pelo Ministério Público Federal no Paraná.  

A medida foi determinada por portaria do Ministério Público da União publicada na quinta-feira, 18, e assinada pelo corregedor-geral do Ministério Público Federal, Oswaldo José Barbosa Silva. Este, aliás, presidirá a Comissão de Correição Ordinária, que irá a campo de 5 a 8 e de 12 a 15 de agosto. 

Conforme a portaria, o objetivo é “verificar a regularidade do serviço, a eficiência e a pontualidade do Membro do Ministério Público Federal no exercício de suas funções, o cumprimento das obrigações legais, bem como levantar as dificuldades e necessidades da unidade, com objetivo de apresentar sugestões a serem encaminhadas aos Órgãos Superiores do Ministério Público Federal’’. 

Além de Foz, a comissão atuará nas unidades de Campo Mourão, Cascavel, Francisco Beltrão, Guaíra, Guarapuava, Jacarezinho, Londrina/Apucarana, Maringá, Paranaguá, Paranavaí, Pato Branco, Ponta Grossa, Umuarama e União da Vitória.

A magia de correr na chuva

Por Alexandre Palmar

Pouco antes das primeiras passadas bateu a dúvida: será que vai dar merda? Três décadas atrás o clima de hoje seria o ideal para uma boa aventura para um adolescente de 15 anos, morador da Guarda Mirim. Era só combinar numa noite sábado com chuva para ter o programa ideal: bora pegar a magrela e pedalar pela Avenida Paraná. 

Mas os tempos são outros. Já não tenho mais a Caloi de alumínio, o Sony amarelo é peça de museu e o lencinho preto de caveira na cabeça à la Axl Rose nem pensar (só se for para camuflar os cabelos brancos). Trinta anos separam as paixões juvenis embaladas por Cure e Smiths deste ser que hoje em dia sonha em simplesmente correr a Meia Maratona das Cataratas. 

Ao afundar os pés na primeira poça d’água, lembrei-me, meio envergonhado, do tutorial do YouTube com dicas para correr na chuva: atenção redobrada para as poças (elas podem esconder um grande buraco); cuidado com as faixas pintadas no asfalto (é fácil escorregar nelas); e  tire a camiseta molhada após acabar o treino. Precaução nunca é demais. Afinal, se eu me esborrachar na pista, não sobra nada desta carcaça. 

Lembro-me bem de uma madrugada lá pelo fim dos anos 1980, comecinho dos 1990. Parecia que ia acabar o mundo. Trovões e relâmpagos para todo lado. De repente acaba luz dos postes. Eu andava a mil pelo acostamento. Quem disse que vi o começo do canteiro? Só deu o Salsicha comendo grama por uns 20 metros. Mas o que é um tombinho quando tudo na vida é uma descoberta? O que importa é a bike inteira.

Pisei leve na primeira poça que enfrentei, afinal não tinha para onde correr. Era água para todo lado. Vencido o primeiro desafio, segui num ritmo cadenciado. Aos poucos algo novo começou a surgir. Desta vez sem música (o medo de não ouvir algo tomou conta de mim) e sozinho no trecho, visto que a chuva forte afastou o povo. Essa combinação abriu-me os ouvidos.

O barulho da chuva invadiu os tímpanos, assim como tudo o que ela produz em noites assim. Deu para sacar bem a diferença entre o splash direito e splash esquerdo. Comprovei na prática aquilo que já suspeitava. Minha pisada esquerda é bem mais forte do que a direita – ratificando o exame do ortopedista que indicou leve diferença de tamanho das pernas. Barulhinho bom assim só em dias de chuva. 


Da mesma forma pude ouvir minha respiração com maestria. Acredito que pela primeira vez respirei cadenciadamente, apesar de a vontade de abrir a boca a toda hora para beber da chuva. Todos os sons parecem mais fortes, como o barulho do mundaréu de água descendo pela Avenida Venezuela, eclodindo de bueiros entupidos ou mesmo água espirrada pelo busão nas canelas. Diga-me, quem liga ao levar um banho de água suja diante dessa magia toda?

A chuva também aguça o cheiro das coisas, para o bem ou para o mal. Falar do cheiro da madeira e das folhagens molhadas, parece-me meio corriqueiro. Idem para o cheiro do asfalto encharcado. Não senti falta da poluição dos automóveis, cujo odores desta vez foram substituídos pelos de tudo o que é coisa ruim: galerias, esgotos e mijódromos fétidos. Pensando bem, o CO2 tem certa utilidade.

As três primeiras pernas (Paraná, Venezuela e JK) já tinham refrescado a memória quando veio a República Argentina. Instável nas últimas semanas, tenho desabado a essa altura. Transformo a corrida numa simples caminhada. Hoje foi diferente. Estava inteirão. Confiante, já não me importava com as poças. 

Segui firme e forte – de forma até meio distraída – até sentir-me um pato ao lavar meus joelhos no jato d’água em frente ao Exército. Quase perdi o equilíbrio e balancei feio. Estava ali na minha frente a tal merda agarrada. Abri o bico (que não é de pato) e gritei para equilibrar a dignidade e a integridade. Graças à perna esquerda não cai. Se tombasse ali (logo ali, logo nestes tempos), cairia numa galeria e achariam o cadáver rio abaixo.

Não senhor. Aqui não. Aqui é Guarda Mirim. Em frações de segundos me lembrei do injustiçado Judas e decidi que não iria trair minhas raízes. Recomposto, não amarelei e segui como Senna para completar uma volta magistral. Uma volta que talvez em condições climáticas normais jamais seria feita. Meu tempo? Acredite, o melhor em toda a minha história.

Alexandre Palmar é jornalista e iniciante em corrida. Argentino e brasileiro, mora em Foz do do Iguaçu desde 1979.

Um novo desafio

Cá estou tipo blogueirinho. Logo eu, avesso a dar pitacos e opiniões de forma gratuita sem você ter perguntado.  Na escrita sempre fui das matérias, reportagens e algumas crônicas mal-acabadas que não arranjo mais inspiração e nem força para escrever.  Já era assim antes do advento da internet. Depois das redes sociais, fuja louco. 

Farei um teste nesta plataforma porque quero comunicar algumas informações sobre o mundo, em particular ligadas à Foz do Iguaçu. Tentarei fazer deste espaço um exercício diário de conversar comigo e contigo. Como são notas, talvez eu consiga. Torço, sem muita convicção, que seja o embrião de algo melhor do que este início. 

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