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Professor Afonso
Professor Afonso
Soluções em plena crise

José Afonso de Oliveira

Encontrar e aplicar soluções em plena crise, isso sim requer grande conhecimento e coragem para empreender, pois o risco é bastante considerável e, por conta disso, alternativas devem ser buscadas para manter empreendimentos econômicos em funcionamento.

Estou dizendo isso em função do que estamos vivendo em Foz do Iguaçu neste momento. A alta do dólar, o surgimento de novos empreendimentos, as mudanças globais nas áreas comerciais..., tudo isso vem trazendo uma enorme modificação nas relações entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, no Paraguai.

Ninguém mais tem vindo para a nossa região para comprar produtos que serão pagos à vista se nos seus locais de origem esses mesmos produtos podem ser comercializados a prazo, com financiamento, e muitos deles são vendidos nas redes de supermercados existentes.

A alta do dólar, o surgimento de novos empreendimentos, as mudanças globais nas áreas comerciais..., tudo isso vem trazendo uma enorme modificação nas relações entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, no Paraguai.

Enquanto tudo isso vem ocorrendo, permitindo a realização de manifestações públicas, entre outras alternativas aqui em Foz do Iguaçu, a rede hoteleira está em plena expansão com a construção e entrega de novos hotéis neste ano e em 2020.

São grandes investimentos que irão sinalizar um afluxo maior de turistas em nossa cidade no transcorrer de todo o ano. Além dos hotéis, novos centros de lazer estão sendo lançados na cidade com construções que brevemente serão iniciadas.

Shows, encontros, enfim, toda uma série de atividades está sendo trabalhada para ter início e funcionamento visando a atrair mais turistas que por aqui vão aquecer a economia.

Também nesse contexto, o funcionamento de nossas universidades coloca um número bastante considerável de jovens na cidade incrementando todo o setor imobiliário e de bares e restaurantes. À medida que esses cursos vão ampliando-se, aumentando o número de vagas, mais jovens chegam para morar temporariamente em Foz.

Quanto mais investimentos são realizados, outras atividades passam a ser dinamizadas gerando sempre maior volume de recursos e ampliando a oferta de empregos, permitindo melhorias consideráveis para os habitantes da cidade. Isso significa dizer que teremos assim um ciclo econômico que vai abandonar o atraso, a paralisação, para tornar-se ascendente.

* José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu. 

Tecnologia para o futuro

José Afonso de Oliveira

O mundo está apavorado pela ascensão da China, tanto do ponto de vista econômico como, mais ainda, por conta de seus avanços tecnológicos que são enormes e irreversíveis.

O celular lançado recentemente no mercado global pela Huawei é simplesmente fantástico, pois é mais evoluído tecnologicamente que seus similares a um preço de venda muito mais reduzido.

O governo dos Estados Unidos proíbe a sua comercialização no mercado norte-americano, e isso significa que a China – que está entrando no 5G – vai superar o Android e possivelmente as empresas de alta tecnologia estadunidenses na área da informática.

É possível que os chineses consigam uma tecnologia tão avançada que possa controlar, a distância, toda a estrutura militar dos EUA, comprometendo assim o aparato bélico montado como sendo o mais poderoso do planeta.

Com a revolução 5G, que já está em andamento, a inteligência artificial dá um salto enorme, e podemos ter a certeza de que os sistemas produtivos praticamente na sua totalidade serão inteiramente informatizados, tendo o seu controle também dominado pelas máquinas.

Assim estamos diante de um novo mundo, que já está existindo e vai modificar profundamente toda a sociedade. Teremos máquinas trabalhando com toda a eficiência, sendo igualmente controladas por outras máquinas – que também serão eficientes, com o detalhe importante de poderem operar 24 horas por dia, em 365 dias, sem a necessidade de férias, feriados etc.

Por outro lado, não terão igualmente de receber pagamento, o que vai ser muito bom para os empresários. Resta saber o que fazer para o atendimento das necessidades das pessoas, e aqui penso em Domenico De Masi, que tem trabalhado exaustivamente o conceito de ócio que ele denomina de criativo e que está sofrendo uma imensa expansão mundo afora.

Atividades esportivas estão em expansão, haja vista competições internacionais do porte das Olimpíadas ou da Copa do Mundo de Futebol, o maior espetáculo do planeta.

Cinema, teatro, música com imensas orquestras sinfônicas, em todo o mundo, estão igualmente em ampliação, conquistando públicos e novos espaços. Talvez esses sejam os sinais claros da nova sociedade que está agora em gestação, mas que deverá ser marcante em curto espaço de tempo.

José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.

Foz do Iguaçu: passado e futuro

José Afonso de Oliveira

Quem está em Foz do Iguaçu nos últimos 40 anos pode perceber as grandes transformações que a cidade viveu. De uma cidade pequena para o que ela é atualmente, onde algumas marcas do tempo desapareceram e outras ainda estão muito presentes.

Dos antigos clubes como o Floresta, que atendia o pessoal da Itaipu, e o Oeste Paraná Clube, que recebia os moradores da cidade, resta hoje apenas o Country Club, o qual ainda existe, mas está praticamente desativado. Naqueles tempos, havia a festa de abertura das piscinas que movimentavam todo o verão iguaçuense, porém hoje não faz mais nenhum sentido, até porque as pessoas vão para as praias e grande parte tem piscina na sua residência.

Havia as discotecas, sendo, sem sombra de dúvida, a mais destacada a Agência Tass, hoje só viva na memória das pessoas que a frequentavam e estão na cidade há mais tempo. Não tem mais sentido falar em discotecas quando os divertimentos atuais são distintos e mais individualizados do que no passado recente.

Nossos colégios tradicionais, como o Bartolomeu Mitre e o Monsenhor Guilherme, onde estudaram os filhos da elite da cidade e atualmente têm poucos alunos devido a toda expansão do ensino fundamental e médio nos diversos bairros que foram sendo constituídos na cidade, dada a política de expansão urbana, fruto do crescimento demográfico e, principalmente, das migrações que a cidade começava a receber.

O nosso centro comercial localizado na Avenida Brasil e atualmente já deslocado para os shoppings, além da expansão para os bairros da cidade, possibilitando assim uma descentralização comercial em função também da ampliação das políticas de crédito e de todas as facilidades existentes por meio do sistema bancário informatizado.

Os nossos esportes precários, mas que passam hoje por uma grande dinamização, com o futebol de salão em alta, tanto quanto a Meia Maratona das Cataratas e as disputas de barcos no Canal da Piracema na Itaipu. Tudo isso movimenta uma grande quantidade de pessoas, uma publicidade intensa e a presença de muitos jovens em nossa cidade.

Mas tenhamos os olhos postos agora no nosso futuro, quando a nossa cidade vai dirigindo-se para ser, cada vez mais, um grande centro de dinamização envolvendo os países vizinhos e buscando uma expansão cada vez maior por toda a nossa América Latina.

José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.

Um teatro para Foz do Iguaçu

José Afonso de Oliveira

Muito já se falou sobre isso, mas pouco ou nada foi feito. A cidade precisa, com a máxima urgência, de uma boa sala de espetáculos, um teatro para podermos receber grupos nacionais e estrangeiros, promovermos festivais de várias áreas, enfim, como suporte muito eficiente para as nossas atividades culturais e em atendimento às demandas do nosso setor de turismo.

A existência de um bom teatro na cidade acaba incentivando toda uma série de atividades que vão desde grupos teatrais a escolas de teatro, passando também por iniciativas paralelas como cinema, corais etc. Para o momento em que estamos vivendo, de uma grande crise econômica que se representa por altas taxas de desemprego, essa seria também uma forma boa e salutar de geração de novos empregos.

Como a cidade já conta com cursos de cinema, música e outras expressões artísticas realizadas nos cursos universitários da Unila, temos assim pessoas capacitadas para o desenvolvimento dessas atividades que irão enriquecer sobremaneira toda a nossa vida cultural.

Expressar os nossos sentimentos, as nossas ideias, a forma como vemos o mundo é de grande importância para o bem viver em sociedade. Nunca é demais lembrar que a cultura é o cimento que une a sociedade e que acaba, em última instância, dando sentido à vida social. Se desejamos uma sociedade melhor, temos a necessidade premente de pensarmos no desenvolvimento cultural.

Esse teatro tem de ser pensado no sentido de poder realizar várias atividades, sendo o teatro em si a atividade central, mas também espaço para o desenvolvimento do cinema, dos trabalhos e de apresentações de corais; enfim, para a realização de múltiplas atividades componentes do que conhecemos como cultura.

Nesse aspecto teremos também as apresentações tanto clássicas como populares, incentivando assim uma grande experiência de diversidade cultural centrada no pensamento latino-americano. A participação dos nossos vizinhos argentinos e paraguaios é de suma importância, e podemos mesmo vislumbrar para um futuro, não muito distante, a organização de grandes eventos latino-americanos que certamente vão impulsionar, e muito, o nosso atendimento turístico/hospedeiro, incrementando ainda mais a base de nossa economia de prestação de serviços nessa área, trabalhando assim no presente com os olhos postos no futuro.

José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.

O conhecimento está disseminado

Professor José Afonso de Oliveira

Disseminado está o conhecimento, isto é, disponível em todos os momentos para todas as pessoas. Isso era simplesmente impensável, pois o conhecimento estava restrito aos muros universitários. Só pessoas com condições e boa educação tinham acesso ao conhecimento elaborado.

Atualmente qualquer pessoa em qualquer parte do mundo tem acesso a qualquer tipo de conhecimento, do menos ao mais elaborado, e pode fazer uso dele da forma que desejar.

No passado recente, os pacientes no consultório médico estavam inteiramente à disposição do médico, que detinha todo o conhecimento. Hoje já é possível, consultando, por exemplo, o Google, saber muito sobre doenças e possíveis terapias. Isso faz com que a relação médico/paciente seja completamente distinta.

Na educação então nem se fala. Outrora os professores eram os únicos detentores do conhecimento; e os alunos, inteiramente submissos, aceitavam tudo o que era dito pelo professor. Hoje a internet abre portas inéditas de acesso ao conhecimento, possibilitando que a relação professor/aluno seja completamente diferente daquela do passado.

Mas o conhecimento disponível também cria na sociedade novas situações, por vezes bastante complicadas. As pessoas passam a acompanhar atividades tanto de personalidades em vários segmentos quanto de agentes públicos em ações que, muitas vezes, passam a ser duramente criticadas e contestadas. Como consequência, a democracia sob a que vivemos atualmente é muito mais rica, porém tem também maiores possibilidades de manipulação de opinião influenciando sobremaneira determinadas situações, com graves consequências.

Os meios de comunicação social de massa como jornais, rádios, televisões etc. têm hoje um fortíssimo concorrente, de sorte que ou se transformam ou desaparecem, como vem acontecendo em várias partes do mundo, pois não é nada fácil competir com o conhecimento disponível na internet.

Isso é parte das transformações que estão em curso, deixando muitas pessoas paralisadas e perplexas. Outros vão na vanguarda dessas mudanças muitas vezes cometendo graves erros. O fato é que a sociedade em que vivemos agora já é muito distinta daquela que tínhamos há bem pouco tempo, e nem sempre é fácil realizar mudanças, que têm um peso enorme.

* José Afonso de Oliveira é sociológo e professor em Foz do Iguaçu.

Os 40 anos de avanços

José Afonso de Oliveira

São passados 40 anos da criação e instalação dos primeiros cursos universitários em Foz do Iguaçu. A Fundação Educacional de Foz do Iguaçu (Funefi) criou a Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas (Facisa), que teve início com o funcionamento dos cursos de Administração de Empresas e Ciências Contábeis.

Naqueles anos de construção da hidrelétrica de Itaipu, a cidade vivia um alvoroço tremendo, fruto também de um enorme contingente de trabalhadores das empresas construtoras que aqui chegavam e permaneciam. Era muito comum que jovens que desejavam cursar as universidades tivessem de deixar a cidade, acarretando enormes despesas para as famílias. Esse é um aspecto considerável, mas o importante mesmo dizia respeito ao desenvolvimento da cidade.

A cidade hoje é outra, com a Itaipu fornecendo energia para o Brasil inteiro e para o Paraguai. A cidade é a maior produtora mundial de energia, com a grande vantagem também de ser de uma fonte inteiramente limpa. Mas, concomitantemente a esse fato, a criação e a consolidação de cursos superiores na cidade são muitíssimo importantes e de grande significado.

Hoje ofertamos cursos de alta competência profissional, tanto nas áreas humanas quanto nas tecnológicas. Ninguém mais precisa sair da cidade para estudar – e, talvez mais do que isso, boa parte de nossa elite de dirigentes empresariais e políticos, senão a sua totalidade, é egressa dos cursos superiores oferecidos em Foz.

Já estamos também com os pés no futuro disponibilizando cursos nas áreas de informática, engenharias e em todas as modalidades de saúde, de sorte a estarmos plenamente inseridos no contexto atual de desenvolvimento científico e tecnológico.

Avançamos mais abrindo os nossos cursos para o atendimento de necessidades da América Latina, trabalhando exatamente na constituição de lideranças políticas e empresariais do futuro dos povos com os quais convivemos.

São poucas as cidades brasileiras que conseguiram dar esse salto qualitativo e quantitativo formidável, melhorando significativamente a vida das pessoas. Só na área da saúde, com os cursos que estão sendo ofertados, a situação hoje já é muito distante da existente em passado recente e muito melhor será no futuro próximo, que já está sendo presente.

José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.

Transportes na cidade

Professor José Afonso de Oliveira

À medida que as cidades crescem, há uma maior ocupação do espaço que pode, até determinados limites, ser resolvido por meio da verticalização da ocupação. Claro que isso gera outros problemas, mas inegavelmente a indústria automobilística, carro-chefe do processo industrial, vai criando necessidades.

Anualmente novos carros são colocados no mercado, indicando a necessidade de melhorias gerais no trânsito, que são realizadas com asfaltamento das vias públicas, construção de viadutos, tudo isso com custos excessivamente elevados, mas realizados em detrimento do atendimento de outras demandas sociais.

Foz do Iguaçu vive uma situação atual de crise no trânsito que tende ao agravamento. Já estão sendo perceptíveis, ao menos em horários de maior volume de tráfego, situações de engarrafamento. Ao passo que pouco ou nada vem sendo feito, precisamos pensar o presente com vistas ao futuro.

Uma das soluções viáveis diz respeito às melhorias do sistema de transporte urbano de massa. Sendo uma concessão do poder público, ele pode perfeitamente intervir para propor melhorias que possibilitem um transporte de grande número de pessoas, confortavelmente acomodadas, visando a desafogar o trânsito da cidade. Sem isso as demais soluções que venham a ser propostas serão de alto custo e de grande complexidade se pensarmos em desapropriações para alargamento de ruas e avenidas.

Uma outra questão são as condições das pessoas dirigindo pela cidade. O número de acidentes é muito elevado, indicando vários problemas, mas talvez o cerne deles seja a má educação reinante: cada condutor pensa ser o dono da rua ou avenida em que está trafegando. Ruas e avenidas estão bem sinalizadas, porém o desrespeito é enorme.

Campanhas de educação para o trânsito nas escolas e fora delas, panfletagem nas paradas de trânsito, programas que possam ser feitos nas redes sociais, tudo isso é muito bom e pode mesmo mudar o comportamento dos condutores, melhorando significativamente a vida das pessoas. É preciso entender que o carro serve tão-somente para o transporte, e não para corridas e outros excessos, afinal todos querem e precisam locomover-se na cidade com tranquilidade e máxima segurança; do contrário fica difícil a convivência, com sérias consequências conforme estamos verificando, acarretando possíveis danos às pessoas.

* José Afonso de Oliveria é professor e sociólogo em Foz do Iguaçu.

Foto: Marcos Labanca

O convívio com os diferentes

Prof. José Afonso de Oliveira

Aqui em Foz do Iguaçu convivemos com os diferentes, afinal temos várias e diferentes culturas com as quais interagimos no nosso cotidiano, sem qualquer tipo de problema.

Isso é muito significativo e importante num momento em que vivemos no contexto de todo esse processo de globalização, no qual o mundo se torna pequeno demais e estamos perto de todos no planeta.

Isso não tem se mostrado nada fácil em várias áreas do planeta onde a intransigência, no sentido da ojeriza dos diferentes e na finalidade de sua eliminação, parece ser um objetivo social importante.

Caminham pelas nossas ruas e avenidas mulheres vestidas como no Oriente Médio islamizado com toda a naturalidade e temos, por conta disso, mesquitas de diferentes origens, contando também com um templo budista, templos cristãos de diferentes pensamentos e práticas cristãs, e ainda organizações de cultos africanos tão presentes em nossa sociedade.

Mas estando nesta região de uma tríplice fronteira convivemos, há muitos anos, com paraguaios e argentinos sem grandes problemas, em que pese todas as legislações nacionais em vigor, mas, acima de tudo, temos essa aproximação muito interessante e salutar. Prova disso é que possuímos na cidade linhas de ônibus urbanos que atendem diariamente aos três países, sem qualquer tipo de dificuldade.

Essa nossa experiência de convivência é bastante rara no mundo atual e merece ser vista, discutida, pois indica caminhos quando, neste momento, estamos vivendo todo esse processo de globalização.

Isso possibilita igualmente o surgimento de uma nova nacionalidade, claro que entre aspas, à medida que o portunhol passa a ser uma língua nova que merece também estudos mais aprofundados, porém é fato corriqueiro que em nossas atividades o idioma seja muito utilizado.

Nesse sentido também utilizamos moedas dos três países, com toda a tranquilidade, onde os caixas de lojas e supermercados estão acostumados às noções de câmbio diário, possibilitando as trocas e incentivando todo o comércio entre as cidades de Foz do Iguaçu, Puerto Iguazú, na Argentina, e Ciudad del Este, no Paraguai. Na verdade, somos uma nova realidade que deve incentivar as mudanças em andamento no mundo, frente à globalização presente no planeta atualmente.

José Afonso de Oliveira é professor e sociólogo em Foz do Iguaçu.

Clima cultural universitário

Prof. José Afonso de Oliveira

Estamos vivendo, neste ano, os 40 anos de instalação dos primeiros cursos universitários na cidade. Nesse período, relativamente curto, muita coisa aconteceu – e fico aqui com as melhores. 

Nossos jovens não precisam mais, como ocorria no passado, dirigir-se para outras cidades com a finalidade de fazer seus cursos universitários. A cidade já atende praticamente a todas as necessidades com oferta de todos os cursos existentes nas várias modalidades do ensino superior. 

Mas, por incrível que possa parecer, não foram constituídos momentos culturais pelos estudantes universitários. Não há, por exemplo, um bar universitário que favoreça o desenvolvimento da música nem existem grupos de teatro que possam trabalhar temáticas próprias e interessantes do ambiente universitário.

Como temos hoje cursos em nível universitário de várias artes, destacando-se música, cinema e outras, é de se esperar que possamos finalmente criar uma determinada cultura universitária na cidade que tenha características próprias.

Dada a nossa realidade de convivermos numa tríplice fronteira e, mais ainda, da possibilidade de uma integração latino-americana até com uma universidade federal nesse foco, podemos sugerir que a temática latino-americana – com sua musicalidade muito rica, seu teatro, poesia, literatura, cinema... – possa ser devidamente trabalhada em pontos de encontro da cidade, sejam eles bares, centros especialmente criados para essa finalidade e outros tantos locais que a criatividade das pessoas vai trabalhando.

A Fundação Cultural pode e deve subsidiar formas de organização de espaços e de eventos que permitam esse maior entrelaçamento dos universitários da nossa cidade, pois tudo isso cria um clima de festa, de alegria e de contentamento e, mais do que isso, exerce o direito de possibilitar a criatividade, tanto individual quanto em grupo.

Isso hoje reveste-se de grande importância, afinal, na atual sociedade do conhecimento em que estamos todos inseridos, é preciso criar formas de vivência que permitam novos processos produtivos que atendam às necessidades deste momento em que o trabalho vem sendo sistematicamente substituído por máquinas e equipamentos muito eficazes. 

É pensando nessa nova sociedade e propondo novas atividades que centramos tudo isso nos universitários, que representam o futuro.

José Afonso de Oliveira é professor e sociológo em Foz do Iguaçu.

Educação superior em Foz do Iguaçu

Prof. José Afonso de Oliveira

Nos últimos 40 anos, a cidade sofreu grandes e profundas transformações oriundas da construção da hidrelétrica de Itaipu e da instalação dos cursos superiores.

A construção da hidrelétrica estava em andamento acelerado quando teve início a instalação dos cursos superiores na cidade, dando assim um novo perfil e dinamismo para Foz do Iguaçu e região.

Hoje temos praticamente instalados todos os cursos superiores – alguns com duplicação, dadas as várias instituições, pública e privadas, que gerenciam todo esse setor econômico-social.

Isso agregou uma condição essencial para a melhoria geral da cidade ao preparar profissionais competentes para o gerenciamento de vários setores, alguns até então inexistentes.

Nossos jovens não precisam mais sair de Foz para frequentar cursos superiores. Por exemplo, os nossos jovens atendem aos dinâmicos e necessários setores de educação, engenharia civil, medicina, advocacia e tantos outros que fazem parte dessa nossa moderna sociedade.

Isso também acrescentou um grande aporte financeiro para a cidade por meio de recursos provenientes do poder público e privado que acabam dinamizando novos setores que vão sendo constituídos.

Pensar, por exemplo, na área de saúde, em que há 15 anos não tínhamos nem ambulâncias para o atendimento e hoje contamos com o SAMU e SIATE com todos os corpos médicos e de enfermagem especializados.

Nosso atendimento de saúde era muito precário, mas foram os cursos de Enfermagem de alto nível que possibilitaram um melhor atendimento em nossos hospitais, postos de saúde, empresas, escolas etc.

Pensar que o setor do direito, com seus vários cursos, permitiu um melhor atendimento às áreas de segurança na cidade com construção de unidades prisionais, local de atendimento de egressos do sistema, além de aberturas em vários outros setores que vão de legislação trabalhista, educacional para as mulheres, enfim, compondo uma gama muito significativa de novos atendimentos para as demandas da população.

A educação atualmente é um setor muito importante, pois representa um papel essencial para os avanços socioeconômicos a que estamos já assistindo e outros tantos que virão em futuro próximo. 

* José Afonso Oliveira é sociólogo e professor em Foz do Iguaçu.

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