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Professor Afonso
Professor Afonso
Repensando o turismo

Prof. José Afonso de Oliveira

Já estamos todos preocupados e vislumbrando uma nova realidade que se descortina com o fim da pandemia do coronavírus. Nossa cidade, que tem um grande eixo de sua economia no turismo, vive agora a necessidade premente de repensar as suas ações, inovando e empreendendo, para poder superar a crise do setor – que não será pequena e vai demandar algum tempo para ser revertida, não mais da forma que existia, mas já dentro de um novo contexto.

Penso que novos atrativos possam ser implementados e os que já existem tenham de ser diferenciados da maneira que eram tratados antes da pandemia. Nesse sentido precisaremos dinamizar, por exemplo, os espaços existentes, criando no Parque Nacional do Iguaçu um centro de estudos ambientais e um museu de animais e vegetais, tudo isso em parceria com os cursos que existem, especialmente na Unila. 

Podemos também dinamizar os roteiros turísticos da Itaipu Binacional, priorizando um desenvolvimento do conhecimento existente a respeito da hidroeletricidade e sua importância. Não é simplesmente realizar uma visita à hidrelétrica, mas sim a realização de pequenos cursos sobre as questões técnicas, econômicas e sociais da empresa, envolvendo o Brasil e o Paraguai, explicando, por exemplo, a binacionalidade e os contratos para a construção da hidrelétrica como um caso muito positivo e específico baseado no Direito Internacional.

Desenvolver e criar visitas às comunidades rurais do entorno de Foz do Iguaçu, mostrando toda a vida social e econômica existente nessas áreas e a sua história e importância.

Trabalhar as questões relativas às Reduções Jesuíticas dos índios guaranis tanto do lado argentino – San Inácio Mini – quanto no Paraguai – Trinidad –, ambas declaradas como patrimônio histórico pela Unesco.

Arregimentar, mediante conferências, cursos e publicidade, novos turistas para a cidade – sejam, por exemplo, estudantes do ensino médio e das universidades para aqui realizarem projetos de estudo complementar a sua formação, o que permitiria um fluxo contínuo de visitantes em nossa cidade e região. 

Por ser uma iniciativa nova, são necessários estudos preliminares, cursos de capacitação e previsão e avaliação das atividades que serão desenvolvidas visando a ter uma outra dinâmica no turismo em nossa cidade, que já conta com uma infraestrutura bem montada.

* Prof. José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.
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Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ.

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A importância do conhecimento

Prof. José Afonso de Oliveira

Bem ao nível digamos corriqueiro basta pensarmos como eram tratados os dentes no século 18, ou seja, distando de nós cerca de uns 200 anos. Qualquer infecção dentária não tinha tratamento adequado, podendo levar a pessoa à morte, além de provocar uma dor insuportável.

Mas hoje nós, graças à utilização da eletricidade em larga escala, podemos realizar múltiplas atividades que vão desde trabalhos computadorizados até fábricas que funcionam durante o período noturno, ou mesmo sistemas educacionais que também operam à noite, sem qualquer tipo de problema. A simples falta de luz, por qualquer motivo, coloca muitas pessoas em verdadeiro pânico.

Na medicina então nem se fale, pois que os avanços científicos nessa área são enormes, possibilitando uma vida muito melhor, com qualidade, além de um tempo maior de vida. Na Idade Média a vida durava mais ou menos 35 anos. Quer dizer, nesse curto espaço de tempo as pessoas cresciam e geravam filhos – e, por vezes, isso era feito em idade tão baixa que elas podiam também gerar netos.

Hoje estamos assistindo a um debate impensável entre o conhecimento científico e outras formas de entendimento de determinadas realidades que nada têm a ver com a ciência. Isso fica muito claro com a pandemia do coronavírus, contra a qual aparecem, perigosamente, terapias muito estranhas, sem nada a ver com o conhecimento médico já existente.

Por conta disso também é que o conhecimento científico hoje já organizado, acumulativo e dispensado pelas universidades e centros de pesquisa, mundo afora, possibilita todos os avanços tecnológicos que conhecemos e estamos utilizando dentro de nossas cozinhas até as viagens espaciais e fabricação de equipamentos informatizados de alta e rápida acumulação e processamento de informações.

O mundo nosso é impensável sem a existência do conhecimento científico e a tecnologia correspondente. Simplesmente não saberíamos viver hoje sem essas condições que nos proporcionam sempre grandes transformações, mudanças que nem sempre são tão boas como imaginamos, mas que existem independentemente de nossas vontades.

* Prof. José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.
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Mudanças sociais

Prof. José Afonso de Oliveira

A atual pandemia que estamos vivendo por conta do coronavírus está realizando algumas mudanças na sociedade que eram simplesmente inimagináveis até, digamos, o mês de janeiro deste ano.

Creio que a principal delas é mostrar o relativismo que existe quanto à obtenção de riqueza e de seu simbolismo, o dinheiro. Pessoas ricas e supostamente seguras estão muito preocupadas por poderem ser vítimas dessa pandemia e por terem em perspectiva um futuro de grandes dificuldades para manter as suas fortunas.

De outra forma ao vivermos em isolamento social, confinados em nossas casas, estamos aprendendo o significado da atenção à esposa/esposo, às crianças... enfim, a tudo aquilo que deixávamos de fazer por conta da falta de tempo. Agora, curiosamente, sobra tempo para realizarmos brincadeiras com os filhos, atendermos às pequenas e corriqueiras necessidades de nossa casa, descobrirmos que nossa residência é local muito agradável e que não necessitamos tanto de shoppings, supermercados, lojas etc.

Mas as tecnologias informatizadas já existentes passaram a ser intensamente utilizadas quer nos hospitais, lojas comerciais, bares e restaurantes, escolas e universidades, enfim, tudo está transformando-se rapidamente.

Dentro de nossa casa estamos sendo atendidos por entregadores que praticamente transportam tudo do que necessitamos e que por aplicativos conseguimos nos conectar com todos os estabelecimentos que possam nos atender.

Nas empresas é que tudo isso foi mais intensificado à medida que sistemas produtivos continuaram operando, tendo os trabalhadores, dentro de sua casa e com sua família, atuado por meio de plataformas digitais. Isso agora está posto e dificilmente voltaremos a sistemas anteriores.

Mas, como era de se esperar, foi nas escolas e universidades que os sistemas que estão sendo utilizados contam ainda com grandes obstáculos, pois não se trata de colocarmos antigos sistemas educacionais dentro dos computadores, e sim da imperiosa necessidade de criarmos sistemas novos, diferenciados, que permitam uma nova e eficiente aprendizagem. Porém também será agora muito difícil, talvez mesmo impossível, o retorno ao passado, de sorte que escolas e universidades vão avançar na informática.

 

* Prof. José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.
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A importância do passado para o presente

Prof. José Afonso de Oliveira

Não faz muito tempo, a administração municipal investiu pesadamente no setor de saúde da cidade. Construiu um hospital municipal, dotado de todos os equipamentos necessários, e contratou funcionários da área de saúde para o seu pleno funcionamento. Detalhe sumamente importante: como se trata de um hospital público, todos os serviços prestados são gratuitos para os pacientes.

Mas outras questões também foram relevantes, como a construção ou reforma de postos de saúde espalhados pelos vários bairros da cidade e a criação e construção das unidades de pronto atendimento (UPAs), o que possibilita um melhor atendimento a toda a população. Evidentemente que tudo isso teve um custo, por sinal bem elevado, tanto quanto a manutenção e o pleno funcionamento de todas essas unidades têm custos bem significativos, mas é inegável a melhoria das condições de vida para as pessoas.

Tivemos igualmente uma melhoria nos nossos sistemas educacionais com a criação e entrada em funcionamento de um curso de Medicina na Unila, curso de Enfermagem na Unioeste e outros cursos na área de saúde nas faculdades privadas, permitindo assim formar profissionais, de alta competência, para o atendimento das pessoas.

Tudo isso foi realizado no passado recente e agora está em pleno funcionamento permitindo que nesta crise que estamos vivendo da pandemia do coronavírus possamos ter as condições necessárias, mesmo que sejam elas bastante reduzidas, para o atendimento das pessoas que necessitarem, quer com internações ou até mesmo monitoramento domiciliar, conforme estamos assistindo.

Construir uma cidade e administrá-la é sempre uma questão de boa gestão – e, para tanto, o gestor deve estar firme na realidade presente, mas tendo os objetivos no futuro que se apresenta. Não é possível ou viável ficar apenas no presente, pois assim agindo todo o trabalho rapidamente será desnecessário frente às novas realidades que vão surgindo.

Ao mesmo tempo é muito bom observar a necessidade de podermos dar um sentido para os nossos jovens, por meio de estudos universitários sérios e comprometidos com a realidade, de sorte a termos bons profissionais para os vários atendimentos que possamos necessitar na área específica da saúde. Sistemas educacionais têm essa finalidade de atendimento às pessoas.
 

* Prof. José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.
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Novos empregos

Prof. José Afonso de Oliveira

Prevendo que a pandemia do coronavírus vai passar, isso é absolutamente certo, mas ninguém sabe quando vai acontecer, em que pese estarmos todos torcendo para que seja o mais rápido possível.

Foz do Iguaçu sempre conviveu com altas taxas de desemprego que tinham um determinado alívio à medida que muitos trabalhadores cruzavam a fronteira e iam trabalhar no Paraguai, mais precisamente em Ciudad del Este.

Neste momento isso está completamente inviabilizado em razão do fechamento total da fronteira com o país vizinho. Mas no momento em que a suspensão da proibição de entrada ou saída do Paraguai tiver sido suspensa, dada a alta do dólar, o comércio em Ciudad del Este deve sofrer um imenso retrocesso, ou mesmo uma grande paralisação, com várias casas comerciais fechando as portas.
Fica a questão de como podemos superar essa situação, que será muito difícil e delicada. 

Abandonar a cidade e migrar para outra região do país é algo impensável, tendo em vista que a crise econômica será de nível nacional, portanto nas outras áreas e regiões também haverá uma enorme falta de empregos.
De imediato podemos trabalhar em dois projetos já existentes. O primeiro é colocar em funcionamento na cidade os duty free já autorizados, estando um deles localizado ao lado do Banco do Brasil, no centro. Isso geraria novos empregos, trazendo pessoas de fora para realizar compras em Foz e assim também dinamizando outros setores econômicos, como o turismo e a hotelaria.

O segundo projeto é terminar e abrir o mercado municipal, localizado na Vila A. Muitos pequenos produtores e outros trabalhadores vão dinamizar esse segmento, que é muito importante para a cidade. Pensar que esses dois projetos já estão em andamento significa poucos gastos a serem feitos e, de imediato, a geração de novos empregos, que são plenamente viáveis e acessíveis. 

Estamos em plena crise do coronavírus e necessitamos ficar em casa. Se tivermos de sair às ruas, utilizar máscara é obrigatório para podermos manter um bom controle sobre a expansão dessa doença, que é bastante séria, levando, como estamos observando, muitas pessoas à morte mundo afora e aqui no Brasil também.

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Estamos agora, mais do que antes, no foco da crise

Prof. José Afonso de Oliveira

Agora sim a pandemia de coronavírus na nossa sociedade está entrando numa fase bem mais avançada, exigindo, portanto, maiores cuidados. Prova disso é o aumento de pessoas infectadas, da mesma forma que óbitos comprovados.

Manter o isolamento social é de fundamental importância, evitando sair às ruas e gerar aglomerações. Para tanto as medidas restritivas colocadas pelos governos estaduais e municipais devem mesmo ser mantidas e, em alguns casos, ampliadas.

Evidente que já estávamos vivendo uma grave crise socioeconômica, sendo prova disso as imensas taxas de desemprego que tendem a um agravamento ainda maior.

À medida que o governo federal institui um auxílio emergencial e passa a pagá-lo, isso, por si só, já aumenta o fluxo e a aglomeração de pessoas, especialmente nas agências bancárias. Mas isso é também um sinal claro de que é necessário encontrar formas de manter a população empregada e com seus ganhos, pois do contrário a ruína é inevitável.

Mas é sempre bom deixar claro que a crise que já estava ocorrendo vai ser muito mais potencializada pela pandemia que estamos vivendo, independentemente de termos agora uma retomada das nossas atividades.

Senão vejamos: o coronavírus é um vírus, como o próprio nome o identifica, que está no ar, sendo transmitido de pessoa para pessoa de uma forma muito rápida e em grande expansão. Pode ter um poder infeccioso muito ativo, forte, contaminando pessoas que passam a necessitar de internação hospitalar.

Até aqui não há assim tanta preocupação, contudo o problema está na expansão rápida da doença, o que pode acarretar, conforme verificado em outros países, a saturação do sistema hospitalar e das organizações de atendimento de saúde. Aí sim temos um imenso problema, gerador de mortes em elevadas quantidades – o que estamos assistindo mundo afora, em países ricos, o que aqui seria catastrófico diante dos níveis de miserabilidade que temos.

Se a situação piorar, todos – sem exceção – serão atingidos, por conta disso não tenha qualquer procedimento alterado e permaneça em casa para dispor de boa saúde, pois o resto, com o devido tempo e novas iniciativas, pode arranjar-se. Insisto, fique em casa, só saindo o mínimo necessário – e, quando isso for realizado, com máscara protetora para evitar ser contaminado.
 

* Prof. José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.
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Uma outra sociedade é possível e agora viável

Prof. José Afonso de Oliveira

A sociedade existente, antes da pandemia do coronavírus, estava assentada sobre algumas realidades que foram sendo constituídas, como as escandalosas desigualdades sociais, tidas como normais em qualquer sociedade. Não só isso é anormal como foge de qualquer lógica, norma, forma de vida em sociedade e tem de ser eliminada, pois é sempre destruidora da vida social.

A crise que estamos vivendo por conta da pandemia do coronavírus, ao atingir todos, indistintamente, coloca vários e diferentes pontos de reflexão e, mais do que isso, novas formas de vida em sociedade.

Não podemos mais idealizar a vida como simplesmente formas de acumulação de capitais, tendo o dinheiro um poder terrível de sedução e de inteira e completa dedicação por grande número de pessoas. Tampouco o dito mercado pode ser entendido como uma entidade acima de tudo o que existe na sociedade, superior ao Estado na condução e controle de todas as pessoas.

Ao individualismo, pragmatismo, cumprimento de metas e tantas outras formas de escravismo estão sendo agora colocadas práticas de aproximação das pessoas, mesmo que estejam fisicamente isoladas, uma solidariedade que dificilmente pode ser vista, um novo e completo sentido do tempo, não mais tanto do trabalho, dos ganhos financeiros, mas do lazer, do estar com os filhos em casa brincando, do êxtase da contemplação da natureza.

Do trabalho opressivo, terrível para um trabalho inteiramente liberto de normas, horários e métodos, realizado a distância dentro de nossas casas. O mesmo se pode dizer da educação, em que prédios escolares estão perdendo completamente a sua utilidade.

É esse novo mundo, nova sociedade na qual o ser vale muito mais do que o ter que começamos lenta ou aceleradamente a modificar as nossas relações sociais de modo que não seremos mais o que fomos antes da pandemia.

Como estamos observando também, o Estado tem um papel essencial na vida em sociedade, devendo ser redefinido, mas jamais sendo desprezado. Ao final a globalização que aproxima todos os povos deve fortalecer os laços já existentes por meio, principalmente, da ONU, para termos uma governança global que seja capaz de não só resolver problemas acima dos Estados, como especialmente apresentar projetos e soluções de intensidade maior na aproximação dos povos, superando nacionalismos e fronteiras – hoje, mais do que nunca, superados.

* Prof. José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.
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Todo cuidado é pouco

* Prof. José Afonso de Oliveira

Estamos vivendo momentos muito difíceis e completamente diferentes de tudo o que já experimentamos na vida em sociedade. Estamos com muitas atividades paralisadas por conta da pandemia do coronavírus, que é uma doença muito séria, com grandes riscos e, principalmente, com grande transmissão entre pessoas.

Tudo isso para dizer duas coisas importantes: primeiro que não temos qualquer tipo de medicamento que seja eficaz, nem mesmo vacina; e, em segundo lugar, a única forma eficiente de impedir a sua expansão é colocar todas as pessoas em isolamento total, proibindo drasticamente qualquer forma de aglomeração.

Já conseguimos fazer isso por uma semana, mas estamos agora entrando na segunda semana no exato momento em que há uma ascensão no número de pessoas infectadas, indicando que brevemente, em questões de alguns dias, poderemos ter uma expansão muito acelerada, ou seja, muitas pessoas poderão contrair o coronavírus, ao mesmo tempo, congestionando os hospitais e podendo levar o sistema de saúde à falência, com gravíssimas consequências.

Para que isso não aconteça é preciso que todos nós (cada um individualmente) permaneçamos em casa o máximo possível, evitando assim que a transmissão dessa doença possa espalhar-se rapidamente.

Sabemos e podemos aquilatar as dificuldades posteriores que teremos de enfrentar, especialmente os aspectos econômicos e sociais, mas penso eu que a vida vale muito mais do que a riqueza econômica que existe. Claro que precisamos, sim, de trabalho, de geração de riqueza, pois temos de viver, e muito bem, porém isso não pode ser mais importante, neste momento, do que a sobrevivência para todas as pessoas, independentemente de idade ou de ter ou não ter riqueza, uma vez que a doença atinge todos indistintamente.

Portanto, neste momento, precisamos deixar de lado as emoções, partindo para tomada de posições que possam ser as mais racionais possíveis. O pedido para a paralisação das atividades está sendo feito, no mundo inteiro, pelos governos, com base nas colocações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que é um dos organismos da Organização das Nações Unidas (ONU) e que, por isso mesmo, merece todo o respeito e a devida consideração. Cientistas e médicos de várias especialidades, todos são unânimes em dizer a necessidade de redução ao máximo dos contatos sociais.

* Prof. José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.

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A leitura e a visão do mundo

* Prof. José Afonso de Oliveira

Lembro-me de que na década de 60, do século passado, havia uma editora muito afamada que tinha um slogan interessante e real, o qual dizia o seguinte: quem não lê não fala, não ouve e não vê.

A leitura é algo recente, no sentido de sua disseminação para todas as pessoas, fato esse que começou a existir somente agora, nestes últimos 500 anos. Foi Gutemberg que, inventando a prensa de tipos móveis, possibilitou que os livros começassem a existir, substituindo pergaminhos que eram escritos à mão nos conventos medievais.

Matinho Lutero popularizou essa nova invenção no momento em que traduziu a Bíblia para o alemão e que, graças aos livros, possibilitou que rapidamente os alemães tivessem acesso a todo esse conhecimento.

Em que pesem todos esses fatos, ainda existem números muito consideráveis no mundo de pessoas analfabetas, o que é uma verdadeira excrescência.

"Com a leitura podemos ter visões de mundo muito mais profundas."

Mas com a leitura podemos ter visões de mundo muito mais profundas, graças aos avanços do conhecimento científico/tecnológico ou mesmo ao sabor de sentimentos e paixões tão bem colocados por toda a literatura internacional.

Passamos assim a ver a sociedade com outras formas muito mais abstratas, pois nem sempre são visíveis, porém as leituras passam a enfocar aspectos muito interessantes.

O número de escritores hoje é enorme; há escritos sobre todos os assuntos, e podemos observar que lançamentos de livros são acontecimentos quase que corriqueiros com presença muito significativa de pessoas bem qualificadas.

Além disso, as universidades aperfeiçoaram, e muito, a arte de escrever com os seus vários cursos de Letras, Literatura... enfim, com o surgimento de um conhecimento bem estruturado e muito aperfeiçoado.

Tudo isso faz com que tenhamos a sensação de vivermos em um mundo muito diferente, muito rico e que caminha, aceleradamente, para novas etapas. Para tanto a introdução dos sistemas informatizados amplia e favorece muito toda a leitura para inúmeras pessoas mundo afora.

Contudo ainda temos culturas, muito antigas e presentes, não alfabetizadas, mas ideográficas, como é o caso do japonês, chinês e árabe. Mesmo assim a leitura nessas culturas avançou muito, constituindo uma nova forma de ver e entender o mundo.

* Prof. José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.

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A pós-verdade

* Prof. José Afonso de Oliveira

Estamos vivendo momentos bastante críticos e difíceis no atual mundo globalizado. Tudo está em transformação muito rapidamente e novas formas de convivência vão sendo articuladas, mas até o presente momento nada ainda é definitivo.

Uma das questões que tem levantado sérias preocupações diz respeito à chamada pós-verdade, ou seja, vivemos hoje uma contestação generalizada a tudo o que existe.

É verdade que estávamos alicerçados em dois parâmetros fundamentais: a fé e a ciência. A fé que, por longos anos e ainda hoje, concede-nos determinadas verdades e que nos é dado a vivermos segundo preceitos que são organizados tendo como fundamento determinada crença religiosa.

A ciência articulada a partir do Iluminismo, em que vamos afirmar que a razão conduz todo o conhecimento e, por conta disso, definimos o homem como sendo um animal racional.

É bem conhecido que tudo isso organizou um mundo que agora está vivendo uma mudança de época com grande profundidade e intensidade.

É nesse contexto, no qual o passado parece não contar mais e o futuro é completamente incerto, que, de alguma forma, esse clima de incerteza começa a existir na sociedade. Por conta disso, passamos a descaracterizar o existente até o presente momento com a suposição de que poderemos construir algo de novo para novamente servir de fundamento para a convivência social.

Mas isso é muito arriscado e mais ainda perigoso, pois essa incerteza pode nos levar a grandes catástrofes, como já estamos em parte assistindo mundo afora. Pior é que poderemos entender que a verdade simplesmente não existe, não passando de uma mera criação humana para justificar determinadas sociedades.

Ora, a negação da vida humana e, por extensão da sociedade, já foi discutida, com a devida profundidade, por Friedrich Nietzsche, tanto quanto também pelos existencialistas, especialmente por Jean Paul Sartre.

Avança hoje a chamada pós-verdade ao buscar novos procedimentos, novas formas de pensar e entender a vida, possibilitando o surgimento de uma nova sociedade que possa ter a razão e o sentimento como base dessa sociedade, mas razão e sentimento entrelaçados, e não mais separados. Teremos, pois, de viver esperando em que tudo isso vai dar.

* José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.

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