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Conviver com os diferentes

José Afonso de Oliveira

À medida que a globalização avança, somos todos tentados a entender os outros que existem no planeta como sendo aqueles que são diferentes de nós mesmos. Povos com história e cultura distintas das nossas convivem conosco agora muito mais próximo do que no passado recente.

Isso mesmo, pois estamos no mundo, e o mundo está dentro de nossas casas. Sendo assim só temos uma alternativa para podermos conviver, e muito bem, com todos os que nos são diferentes.

Essa questão remete, até certo ponto, ao existente na natureza, na qual a chamada biodiversidade significa a convivência entre todos os elementos que existem, apesar e com suas múltiplas diversidades. Felizmente a natureza não é única, no sentido de uma uniformidade que nós procuramos organizar em nossos sistemas produtivos de agricultura e pecuária, o que acaba mesmo degradando as condições naturais, conforme estamos assistindo.

Em nosso mundo agora globalizado há uma tendência a uma uniformidade a partir das nossas concepções de mercado como sendo um só mercado global para todos os habitantes do planeta, impondo assim a tentativa, até agora felizmente frustrada, de organização de uma única sociedade de produção e consumo.

As nossas diversidades sociais permitem a realização de toda a nossa grande riqueza social ao passo que podemos conviver com os diferentes, e isso hoje é um imperativo fundamental para a sociedade.

Mas, cada vez com maior pressão, estamos assistindo à formação de tentativas de constituição de uma única sociedade que inviabilizaria, definitivamente, as formas hoje existentes de convivência social. Essa possível uniformidade nos transformaria em seres idênticos nas concepções de produção e consumo, anulando todas as nossas características mais profundas de humanidade, tais como a liberdade e nossa capacidade de amarmos e sermos amados.

É preciso ter cuidado para não nos deixarmos enganar por falsas promessas de possíveis melhorias numa vida em que as diferenças possam ser eliminadas, pois se assim o fizermos estaremos destruindo todas as nossas concepções de vida humana de uma forma definitiva, sem qualquer outra possibilidade de termos um retorno, uma volta àquilo que a humanidade vivenciou até o presente.

* José Afonso de Oliveira é professor e sociológo em Foz do Iguaçu.