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Professor Afonso
Professor Afonso
Tempo enevoado

José Afonso de Oliveira (*)

Estamos observando que o nosso céu está enevoado, ou seja, uma névoa encobre todo o nosso dia. O Sol parece que ficou pequeno e não brilha, e tudo isso faz com que o nosso dia deixe de ser bonito, exuberante com raios solares.

Todos se perguntam o que está acontecendo, e são dadas as mais variadas explicações, que vão das tradicionais, que Deus quis assim, até as teorias mais estapafúrdias possíveis.

Mas o que estamos vivendo tem relação direta com as queimadas que estão ocorrendo no Norte do Brasil, na região amazônica brasileira. Há uma corrente de ventos e de vapor que, procedendo da região amazônica, traz umidade e provoca chuvas, e assim o nosso tempo é bem equilibrado.

Ocorrendo as queimadas como estamos assistindo, há uma brusca mudança do tempo, e aí sim temos esse fenômeno da névoa. Além dele temos igualmente a seca prolongada que estamos vivendo. Ela sempre ocorre em agosto, com ventos fortes no final daquele mês e muita chuva e frio em setembro. Estamos observando que o tempo está completamente alterado, e agora é que esse fenômeno de agosto está ocorrendo, só que com uma intensidade muito maior.

Veja que estamos falando do tempo e das mudanças climáticas aqui no Brasil por influência direta da ocorrência de desmatamento grandioso, acrescido de queimadas enormes. A Amazônia é muito importante para todo o planeta, pois além de conter a maior bacia fluvial do planeta tem também um rio aéreo de evaporação imenso que regula todo o clima do planeta.

Isso significa dizer que, mudando as condições da Amazônia, o mundo inteiro será alterado. Mas a Amazônia é brasileira e deve ser mantida pelos brasileiros, podendo contar com ajuda internacional. Ela pode e deve ser utilizada para agricultura, pecuária, extração mineral e outras tantas atividades lucrativas, porém exige cuidados, tudo isso tem de ser feito dentro de padrões de racionalidade que possibilitem a manutenção da vida nela existente.

Aqueles que melhor podem preservar a Amazônia são os seus habitantes... indígenas, trabalhadores, enfim, todos os que dela vivem. Preparados e tendo condições, eles passarão a ser os verdadeiros guardas dessa imensa reserva natural, riquíssima em biodiversidade e que deve ser utilizada para as mais variadas finalidades; tudo, entretanto, dentro de uma lógica de racionalidade, pois do contrário ela será destruída.

José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.

A sociedade em Foz do Iguaçu

José Afonso de Oliveira (*)

Vivemos uma situação muito distinta e, mesmo atualmente, muito concreta e real de uma enorme variação cultural no quadro da atual globalização.

Na globalização do século 16, os diferentes dos europeus eram escravizados ou eliminados, mortos por serem de culturas ditas estranhas, que simplesmente teriam de ser destruídas.

Hoje, em parte, isso está superado. No entanto, infelizmente, persistem grandes e abissais diferenças sociais, que só têm aumentado nos últimos tempos.

Mas mesmo com essas gritantes diferenças pautamos a nossa sociedade em Foz do Iguaçu pelo convívio harmonioso com culturas distintas, muitas delas em conflito nos seus locais de origem, mas que aqui se respeitam e buscam viver bem, da melhor maneira possível.

Além disso, por estarmos na fronteira da Argentina e do Paraguai, conseguimos criar um clima de convívio com as cidades vizinhas de Puerto Iguazú, na Argentina, e Ciudad del Este, no Paraguai, tendo inclusive ônibus municipais diários ligando as três cidades.

Tudo isso faz da sociedade existente nesta região, centrada em Foz do Iguaçu, uma nova realidade que, cada vez mais, vai impondo-se no mundo atual, em que pesem atualmente problemas sérios de intolerância cultural, religiosa e de outras espécies, que colocam enormes obstáculos para a convivência diária das pessoas.

Devemos reforçar os nossos laços de aproximação e convivência, especialmente com as várias e diferentes culturas existentes na cidade – e, mais ainda, com nossos vizinhos argentinos e paraguaios.

A realização de festivais culturais de música, dança, cinema, teatro e outras formas existentes, como sejam as redes sociais e suas manifestações, deve ocorrer amplamente com o propósito de se ampliar a convivência com os diferentes; em nosso caso com as várias culturas com as quais convivemos diariamente.

Isso vai possibilitar um enorme incremento turístico para a cidade e região, ampliando grandemente todo o escopo econômico que vai permitir ganhos muito significativos para todos os habitantes de Foz.

Tudo isso demanda uma nova cultura, na qual os diferentes são valorizados ainda mais, na construção de uma nova mentalidade que possibilite um maior incremento turístico para a cidade, redundando em melhoria de qualidade de vida para todos.

José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.

Parque Nacional do Iguaçu

José Afonso de Oliveira (*)

Neste momento em que as questões ambientais estão em evidência, mundo afora, temos na nossa cidade e região uma grande reserva natural com 169.695,88 hectares de remanescentes da Mata Atlântica, que originalmente cobria uma vasta extensão que vinha do Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul e que hoje se encontra praticamente extinta, salvo em alguns trechos de serra nas proximidades do litoral.

O acesso principal do Parque Nacional dista 17 km do centro de Foz do Iguaçu e apenas 5 km do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu/Cataratas, portanto é um local de fácil locomoção tanto nacional quanto internacional.

O Parque Nacional do Iguaçu tem limites com 14 municípios do Oeste do Paraná e, em 17 de novembro de 1986, foi agraciado com o título de Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco.

Devemos ainda destacar que, extrapolando as nossas fronteiras, o parque adentra território argentino, onde também é uma área protegida pelo governo do país vizinho.

Dentro da unidade temos as frondosas e maravilhosas Cataratas do Iguaçu, um espaço cênico de rara beleza que atrai visitantes do mundo inteiro para essa região.

Toda a imensa variedade de biodiversidade encontrada no parque é de uma riqueza incalculável, formada pelas mais variadas espécies vegetais e animais. Aí a natureza, devidamente protegida, encanta e mostra novos caminhos para toda a humanidade e para seu pleno desenvolvimento em harmonia com o meio natural.

O parque, tanto no Brasil quanto na Argentina, é explorado para a visitação de turistas, que ficam deslumbrados ante tantas maravilhas que são observadas.

Poderíamos, no entanto, com o apoio da Unesco, pensar na constituição de um grande centro de estudos ambientais, de padrão internacional, que atraísse pesquisadores brasileiros, argentinos e do mundo inteiro para o desenvolvimento do conhecimento tecnológico com outras formas de convivência com o ambiente natural.

É por tudo isso e muito mais que podemos interagir com as universidades localizadas no entorno da unidade de conservação e, evidente, com outras mais distantes, buscando sempre ampliar o conhecimento visando ao bem-estar das populações nas proximidades do parque e fora dele, pois essa é uma das finalidades que temos ao preservar toda uma área nativa de conservação.

José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.

Verba para universidades, encontro de OVNIs, BRDE inova, Alto Iguaçu, mobilidade urbana, Comissão de Contas e parto de emergência

Verba para universidades

O deputado Hussein Bakri (PSD) afirmou que a liberação de R$ 130 milhões pelo governador Ratinho Junior às sete universidades estaduais vai compensar os recursos retidos pela desvinculação de receitas e, assim, garantir o funcionamento dos hospitais universitários e demais atividades. “O governador sabe que as receitas são essenciais para a manutenção das atividades do ensino superior inserido no contexto de atendimento à comunidade e desenvolvimento regional", disse.

Universidades II

De imediato serão liberados R$ 20,8 milhões para pagar residentes e mais R$ 5,5 milhões para os hospitais universitários. Na prática,os recursos darão um fôlego às sete universidades: UEL, UEM, UEPG, Unicentro, Unioeste, Unespar e Uenp.

Encontro de ovnis

O editor da revista UFO, José Gevaerd, está organizando pelo Brasil a série de seis encontros internacionais sobre Ufologia - o UFO Summit Brazil; Os encontro começam em 12 de novembro em Recife e terminam em Curitiba no dia 23 de novembro.

BRDE Inova

“O Paraná é um dos estados mais inovadores e o desenvolvimento da economia paranaense passa pelo setor. A missão do BRDE é oferecer crédito para que esses projetos possam sair do papel e ofereçam soluções à população”, disse o diretor do BRDE, Wilson Lipski, ao ministro Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) sobre a marca de R$ 700 milhões em financiamentos a projetos com foco em inovação no sul do País - 35% deste valor foi investido no Paraná.

Biometria

O TRE avisa que até a próxima segunda-feira, 30 encerra os mutirões de cadastramento biométrico em 40 cidades do Paraná. A lista das cidades pode ser acessada no www.tre-pr.jus.br. Em outras 64 cidades a biometria obrigatória continua em andamento.

Livre da aftosa

O deputado Anibelli Neto (MDB), presidente da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa, confirmou na quarta-feira, 28, a audiência pública para debater “O Paraná livre da aftosa sem vacinação”. Anibelli Neto é um defensor intransigente que o Paraná receba este status e já enfatizou que “não existe o vírus da aftosa circulando no Estado”.

Alto Iguaçu

A Comissão de Turismo da Assembleia Legislativa aprovou projeto de lei - de autoria dos deputados Goura (PDT), Delegado Recalcatti (PSD) e Galo (Pode) - que cria o Circuito Cicloturístico do Alto do Iguaçu em 29 cidades na região metropolitana de Curitiba. A comissão também aprovou o projeto da deputada Mabel Canto (PSC) que institui o Dia do Triciclista no dia 12 de outubro.

Mobilidade urbana

A Câmara de Vereadores autorizou o prefeito Rafael Greca (DEM) a tomar dois empréstimos no valor de R$ 420 milhões para obras de mobilidade urbana em Curitiba. São R$ 405 milhões do BID e R$ 15 milhões da Caixa Econômica. A maior dos recursos será usado na requalificação da Linha Direta que conecta cinco eixos estruturais (corredores de transporte com canaletas exclusivas) por meio de seis terminais e 13 estações-tubo.

Comissão de Contas

Os diretores Joaquim Silva e Luna (brasileiro) e Ernst Bergen (paraguaio) apoiam o controle externo da Usina Itaipu Binacional com a criação da Comissão Binacional de Contas. "A iniciativa demonstra que a atual gestão de Itaipu está buscando ser cada vez mais transparente, atendendo o que sociedade espera”, disse Silva e Luna.

Parto de emergência

O deputado Galo (Pode) destacou o trabalho dos socorristas do Samu que fizeram no sábado, 24, um parto de emergência dentro de um barco no rio Itiberê em Paranaguá. A mulher grávida saiu da Ilha de Piaçaguera, do outro lado da Baía de Paranaguá, em trabalho de parto. A mãe e do bebê Miguel, após o parto, foram encaminhados para Hospital Regional do Litoral.

Da Redação ADI-PR Curitiba
Coluna publicada simultaneamente em 20 jornais e portais associados. Saiba mais em www.adipr.com.br

O poder da imagem

José Afonso de Oliveira

Mais do que nunca, hoje vivemos intensamente com as várias imagens que produzimos. Se em séculos anteriores a linguagem escrita era determinante em nossa comunicação, atualmente a imagem representa exatamente essa liderança em nossas relações sociais.

Até certo ponto a imagem fala por si mesma, dependendo do que estamos trabalhando, sendo que exatamente em cima disso é que age a publicidade nos dias atuais. São sempre imagens sugestivas que induzem a um consumo, na maioria das vezes sem nenhum controle.

Mas a imagem vai muito além de tudo isso, refletindo – com a devida clareza o que pensa a sociedade – naquilo que alguns cientistas denominam de imaginário social. É como se fosse o inconsciente coletivo da sociedade, e essa ideia tem a sua origem última nos estudos realizados por Freud quando analisa o subconsciente individual das pessoas.

Atualmente, porém, a imagem está presente em todos os nossos equipamentos informatizados, sendo talvez os mais usuais os nossos celulares. É comum nos depararmos com pessoas inteiramente alheias ao que ocorre no seu entorno quando estão “mergulhadas” em seu aparelho celular. Mais do que textos, são as imagens que cumprem a função de comunicar e de promover o relacionamento entre as pessoas. Não há mais tempo para grandes leituras, daí também a superficialidade das nossas relações sociais atuais.

De alguma forma passamos a criar um mundo inexistente, de perfil globalizado acreditando de maneira não crítica que tudo o que estamos vendo é a realidade existente. É dessa concepção que nascem as ideias falsas hoje abundantes em nossa comunicação, de sorte que fica muito difícil saber o que é certo, existente, e o que errado e inexistente.

Por conta disso podemos ter ideias inteiramente equivocadas sobre vários assuntos pertinentes à nossa existência, com graves consequências, pois elas induzem ao erro, exatamente à medida que desconhecemos a realidade em que estamos inseridos.

Evidentemente que essa nova comunicação com imagens é fabulosa, mas temos sempre de estar atentos e antenados para os problemas que possam existir, e nada melhor do que confrontarmos as imagens veiculadas com alguns textos explicativos que também existem em profusão nos meios informatizados. E será sempre essa, daqui para frente, a nova relação existente nas sociedades.

José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.

Investimentos no presente e no futuro

José Afonso de Oliveira

Tanto agora no presente e, mais ainda, no futuro, próximo e distante, os grandes investimentos serão realizados, como já vem acontecendo nas áreas prioritárias da informática. Podemos antever projetos nas áreas sociais, notadamente em educação e saúde, mas em todos os outros setores da sociedade também serão necessários.

Isso significa que aumentar a elaboração de bens tende a ser uma necessidade enorme, diria mesmo infinita; e os espaços de tempo de criação, cada vez menores. Dada essa particularidade, estamos entrando em novo ciclo produtivo, no qual a produção deve ocorrer prioritariamente nas áreas relativas ao setor de serviços, especialmente no comércio, na troca de mercadorias.

Não é sem sentido que hoje um dos órgãos internacionais de maior prestígio seja exatamente a Organização Mundial de Comércio, visto que sem o seu aval fica muito difícil, senão impossível, comercializar no mundo globalizado.

Podemos entender a importância da China exatamente no momento em que ela conseguiu, graças ao apoio do Brasil, entrar para a OMC e agora se ergue como grande potência econômica global.

Nesse contexto também podemos produzir bens, de qualquer espécie, dos mais simples aos mais sofisticados, em qualquer parte do planeta. Por conta disso, a antiga classificação de países desenvolvidos e subdesenvolvidos deixou de ter qualquer significado prático. Hoje temos apenas países que são bastante distintos, diferentes, e nada mais.

Grandes empresas multinacionais são atualmente completamente desconhecidas, somente existindo pela efetivação dos serviços que prestam, cujo exemplo mais evidente é a Uber, que é apenas um aplicativo utilizado globalmente para transporte de pessoas, caminhando aceleradamente para o setor de transporte de cargas, o que vai revolucionar toda a economia.

No setor de reservas de hotéis, estas hoje podem ser feitas – como já ocorre mundo afora – por uma empresa multinacional localizada na Alemanha, permitindo a maior ocupação e a redução significativa dos custos desse que é um setor da economia bastante importante.

É evidente que a entrada em vigor dessas e de outras tecnologias traz bastante desconforto, mas sinaliza os novos tempos que já estão chegando, nos quais passaremos boa parte ociosos, exercendo outras atividades para a plena satisfação humana.

José Afonso de Oliveira é sociológo e professor universitário em Foz do Iguaçu.

Mundo da velocidade

José Afonso de Oliveira

O mundo atual é da velocidade, no qual tudo corre assustadoramente. Vivemos correndo, chegamos atrasados a compromissos, nas nossas ruas e avenidas corremos com nossos carros... enfim, tudo hoje é muito veloz, dando a impressão de que antes o mundo era muito devagar.

Claro que tudo isso é fruto da alta tecnologia que empregamos na nossa realidade, em que ser veloz passou a ser um valor em si mesmo, dando a dimensão de pessoas que são altamente valorizadas por serem velozes.

Incentivos para isso não faltam, desde veículos que usamos, os quais possuem capacidade de alcançar, em questão de segundos, altas velocidades, até mesmo ao assistirmos a corridas de Fórmula 1, que incentivam e vendem novas marcas de carros e motores capazes de ser muito seguros e atingir altíssimas velocidades.

Zygmunt Bauman traduz tudo isso mostrando um novo conceito de sociedade ao trabalhar a chamada, por ele, de sociedade líquida. Essa tem a sua característica muito peculiar exatamente na velocidade com que vivemos no mundo atual globalizado.

Em função de tudo isso é que acabamos construindo as nossas cidades, onde as avenidas, ruas, vias expressas, viadutos adquirem a posição de avanço, de cidades ditas modernas, evoluídas, pois nelas conseguimos nos locomover dentro dos parâmetros das velocidades que nos são necessárias e permitidas.

Mas as velocidades estão mesmo atreladas ao desenvolvimento do mundo capitalista de produção industrial, em que elas passam a ser essenciais, evoluindo para o conceito de produção de massa, hoje dominante com todas as novas tecnologias já disponíveis.

Aqui, porém, fica claro igualmente que podemos perder a percepção da vida em sociedade, na exata medida que não conseguimos mais vislumbrar fins a que nos atemos para viver em sociedade, além do que nem todos conseguem ter essa dimensão da velocidade em sua vida diária e, também por conta disso, podem estar à margem da sociedade atual.

Isso acaba determinando áreas de frustração que são muito sérias e perigosas à proporção que não mais conseguimos manter determinados ritmos de vida, na velocidade em que nos é exigido.

José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.

Centro biológico em Foz do Iguaçu

José Afonso de Oliveira

Pensamos que o nosso Parque Nacional do Iguaçu, tombado como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, possa ter uma nova e boa finalidade por meio da criação de um centro ambiental.

Para ele viriam pesquisadores do Brasil, de toda a América, Europa, Ásia e África, pois temos aqui uma imensa riqueza que são os remanescentes da Mata Atlântica. Além disso, os peixes dos rios Iguaçu e Paraná seriam material de pesquisa de grande valia.

Tal centro estaria, permanentemente, abrindo espaço para conferências, seminários e outras modalidades, todas de caráter global, e com isso também ampliando o fluxo e pessoas na cidade, utilizando hotéis e equipamentos de turismo disponíveis.

Uma parceria com a Itaipu Binacional é de fundamental importância, até mesmo porque a empresa está investindo alto no setor ambiental no Paraguai. Mas essa pareceria teria o apoio do Ministério do Meio Ambiente, levando em conta também o fato de que o nosso Parque Nacional do Iguaçu tem a maior e melhor arrecadação financeira no Brasil entre todas as unidades de conservação existentes.

Assim, parte desses recursos seria utilizada inicialmente para a criação do referido centro, cujas instalações podem ser prédios existentes no Parque Nacional que estão com pouco uso.

Finalmente a Unila também seria uma parceira obrigatória, pois tem vários cursos de graduação ligados, direta ou indiretamente, à área ambiental e poderia mesmo ampliar a oferta de cursos nas modalidades de mestrado e doutorado, implicando assim um desenvolvimento mais amplo e direto do seu setor de pesquisa e extensão como sendo fundamental à sua atividade.

Podemos assim verificar que existem amplas sinergias para a criação desse centro de estudos ambientais, extremamente necessários no momento em que a humanidade começa a discutir novas perspectivas em função de questões pertinentes à sobrevivência do nosso ambiente natural.

Pensando que esse será um passo muito importante, podemos antever a nossa cidade dentro de um contexto de inovação muito importante e bastante significativo, podendo mesmo ser transformada em um grande e importante centro ambiental que irá prestar grandes serviços na discussão e, mais ainda, na elaboração de novas práticas de convívio da sociedade com o seu ambiente natural, essencial para o nosso presente e futuro próximo.

José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu. 

Abrir-se para o mundo

José Afonso de Oliveira

Levando em conta que temos a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), podemos ter também ousadias propondo inovações fundamentais, exatamente dentro do contexto em que essa universidade está pensada e vem atuando.

Como ela deve funcionar como um polo de integração latino-americano, é preciso que algumas ações possam ser idealizadas e desenvolvidas nesse sentido.

Constituir, por exemplo, um grande centro de estudos latino-americano trabalhando com vários e diferentes campos do conhecimento e das artes, cujos cursos, na sua maioria, são encontrados na Unila. Referido centro seria, como muitos que existem, presencial, mas contaria igualmente com tecnologias para atendimento de videoconferências, blogues..., enfim, por meio das redes sociais teria uma área de abrangência muito maior.

Evidente que esse centro também, das duas formas apresentadas acima, forneceria cursos a distância e presenciais visando a uma maior disseminação de aspectos da cultura latino-americana em seus vários modos, incluindo os destaques dos povos originários que por toda a nossa América Latina são visíveis e muito atuantes.

Da mesma forma, o centro teria uma revista em formato digital para divulgação e troca de experiências e de conhecimentos das várias abordagens de trabalhos que seriam realizados nele.

O centro possuiria uma estrutura própria, na qual a Unila participaria, bem como a prefeitura, governo do Paraná, governos brasileiro, argentino e paraguaio, que determinariam os rumos, os recursos, enfim, organizariam todo o funcionamento do centro de sorte a termos uma maior flexibilidade para as ações que existiriam.

A função primordial do centro seria de duas ordens de ações, sendo a primeira delas revelar os vários aspectos importantes da cultura latino-americana, e em segundo lugar desenvolver um novo pensamento latino-americano partindo exatamente das diferenças culturais existentes.

José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.

O ontem e o amanhã

Prof. José Afonso de Oliveira

Ninguém mais consegue viver o ontem, pois esse se foi. Nada neste mundo retrocede ao dia passado; vivemos sempre no presente, em que um dia foi ontem e outro dia será o amanhã. Mas nem o ontem pode ser novamente vivido como o amanhã só será vivido quando se tornar presente.

Muitas pessoas, e não são poucas, diante da crise do presente no qual estamos todos inseridos, pensam sempre no ontem como muito melhor do que o presente. Todos tinham bons empregos, ganhavam bem, passeavam... enfim, viviam um momento paradisíaco que, infelizmente, foi-se para sempre. Portanto para muita gente o ontem é infinitamente melhor do que o presente crítico em que nos encontramos.

Também diante desse presente, muito ou pouco indesejável, muita gente tem pressa que o futuro chegue logo, pois ele significa a superação da crise que estamos vivendo. 

Sempre tudo isso existiu, mas ocorre que atualmente tudo está muito mais acelerado. O passado desaparece muito rapidamente, e o futuro se torna presente também com incrível rapidez e grande intensidade. Diante desse fato ficamos todos perplexos e mesmo muito desorientados, porque tudo aquilo que até ontem funcionava, e muito bem, agora já não funciona mais, e não vislumbramos nada que possa substituir o que está no passado.

Esses que são fatos do nosso dia a dia tendem a ser cada vez mais profundos e muito mais velozes. Vivemos no mundo da velocidade incalculável. Pela frente existem novas possibilidades que vão impactar fortemente a vida de todas as pessoas no planeta. Isso mesmo, a globalização na qual estamos inseridos é algo inédito na história da humanidade, ao menos nas proporções em que ela hoje se apresenta. 

Revoluções na física, química e biologia originando novas áreas do conhecimento como a física quântica, a neurociência, a biologia molecular e tantos outros procedimentos estão proporcionando grandes transformações mais acentuadas ainda com os algoritmos sofisticados, a inteligência artificial, a bioinformática... enfim, com tudo aquilo que já começa a despontar.

Tudo isso vai exigir uma nova sociedade, novos padrões de enriquecimento, de cultura, e uma vida muito melhor, mais justa, fraterna, solidária de todos com todos e de todos com a natureza, mantendo as condições de vida no planeta, essenciais para que possamos todos ter uma vida muito melhor.

José Afonso de Oliveira é professor e sociológo em Foz do Iguaçu.