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Mundo em transformação

Por José Afonso de Oliveira

Estamos vivendo grandes e profundas transformações que muitos afirmam ser uma mudança de época. A última ocorreu entre os séculos 15 e 16, determinando alterações radicais na humanidade, algo semelhante ao que estamos vendo agora.

O tempo corre velozmente, visto que os limites antes impostos pelos sistemas industriais tendem ao seu desaparecimento. Assim sendo, termina a fase de trabalharmos e descansarmos com tempo marcado, pois tudo isso hoje já não faz muito sentido. Também os tempos maiores de descanso, como as férias, tendem a ser diluídos durante o ano, não mais em momentos especiais.

Toda a produção de bens está hoje informatizada no que conhecemos como sendo a revolução 4.0 – que, investindo sempre mais nas áreas informático-digitalizadas, passam a ter a dominância nos setores produtivos e, por extensão, em outras áreas do conhecimento como medicina, artes, cultura em geral, não conseguindo ainda plena inserção e sucesso num segmento estratégico como é a educação.

Mas isso é apenas questão de tempo. Somos então transformados em cidadãos de um mundo globalizado, no qual a predominância do mercado parece ser fundamental a tal ponto que os produtos disponíveis para comercialização estão postos, com os mesmos preços e qualidade, em todos os pontos do planeta.

Os problemas que nos afligem passam a ser também globais como a questão ambiental, as imensas e gritantes desigualdades sociais, as migrações... O pior de tudo é não termos tecnologias, poder, para enfrentar essas novas questões, que são perigosas e podem efetivamente eliminar a sustentabilidade do planeta.

Um novo homem também está surgindo com dimensões globais, e algumas iniciativas já são sinais claros dos novos tempos. O Médicos Sem Fronteiras representa essa nova perspectiva, e outras estão sendo organizadas, fugindo dos limites dos Estados nacionais, com a finalidade de atendimento às novas demandas globais em que a humanidade deve mesmo buscar novas realidades.

É preciso para tanto um novo homem com dimensão global, não mais nacional, visando ao atendimento de necessidades universais que possa permitir a redução drástica das desigualdades, a eliminação dos ataques ao meio ambiente natural e uma nova realidade de convivência que absorva os marginalizados e as grandes ondas migratórias.

* José Afonso de Oliveira é professor e sociólogo em Foz do Iguaçu.