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Os diferentes

* José Afonso de Oliveira

Sempre e em todas as sociedades existem os diferentes, pessoas que partilham e comungam ideias próprias que destoam da maioria dos cidadãos. Isso é uma realidade que, diga-se de passagem, é bastante salutar para a boa convivência social.

Já diz um adágio popular: o que seria do verde se todos só gostassem do amarelo? Isso mesmo, temos de conviver com os diferentes – e isso, mesmo sendo salutar, é bastante difícil e mesmo raro.

Sociólogos franceses trabalharam muito bem essa questão entendendo que os diferentes indicam sim novos caminhos, novas perspectivas e, por isso mesmo, têm um grande valor na sociedade.

Infelizmente para muitas pessoas os diferentes devem ser excluídos e mesmo fisicamente eliminados para que possamos ter uma sociedade ordeira, bem organizada, certa e por aí vai.

Foz do Iguaçu tem uma sociedade com muitos diferentes em vários setores, sejam religiosos, culturais, sociais, nacionais... enfim, aqui há um microcosmo da sociedade agora globalizada.

Convivem conosco diariamente todos esses vários grupos e, de uma forma talvez inexplicável, conseguimos uma certa harmonia mantendo todas as grandes diferenças e desigualdades existentes. Pode ser que tudo isso seja possível porque esses grupos não se manifestam em defesa de seus interesses ou então que haja um determinado consenso social que permeia a sociedade de que eles são necessários para várias e diferentes situações. Por exemplo, uma economia informal que cresce com grande rapidez e penetrabilidade em todo o país.

Penso que seria muito proveitoso e interessante para o segmento do turismo ampliar contatos visando à constituição de vários grupos culturais que possam, livremente, expressar os seus sentimentos originais elaborando eventos de grande complexidade. 

Temos, por exemplo, a segunda maior comunidade árabe do Brasil, mas, ao mesmo tempo, sem quase nenhuma manifestação cultural. Podemos pensar na realização de um grande festival árabe envolvendo aspectos culturais, gastronômicos, religiosos, entre outros, marcando um momento especial durante o transcurso do ano civil. Esse festival acabaria atraindo árabes de outras partes do Brasil e talvez pudesse evoluir para uma festa árabe no Brasil, simultânea com uma festa brasileira no Líbano.

Todo esse trabalho teria um efeito maior para refletirmos sobre a importância da cultura para a vida em sociedade.

* José Afonso de Oliveira é sociólogo em Foz do Iguaçu.