Estiagem no Paraná se agrava. Os rios estão cada vez mais baixos

O Rio Paraná em território argentino: vazão baixa deve se agravar até o final de fevereiro. Foto El Territorio
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Há mais municípios em rodízio no abastecimento de água. E a Argentina está em alerta com o Rio Paraná.

Embora a situação do Brasil como um todo tenha melhorado a partir de outubro, com a volta das chuvas, no Paraná a seca está novamente trazendo problemas e preocupações. Praticamente todos os rios paranaenses estão com níveis abaixo (alguns, bem abaixo) das cotas normais.

O mapa divulgado nesta quinta-feira, 16, pelo Instituto Água e Terra (IAT), no site Hidroinfoparaná, mostra que só em três das 81 estações que medem o nível dos 51 rios paranaenses nível está acima da cota normal. O mapa é resultado da coleta de informações feita pela Agência Nacional de Águas, Copel, Duke Energy Brasil e pelo próprio IAT.

As estações com cota acima do normal são as do Rio Ponta Grossa, em Cerro Azul; a da Pont na BR-277, em Campo Lago, que mede o nível do Rio Passaúna; e a estação da Colônia Rio Preto, que mede o Rio Itararé, no município de Sengés.

Já os dois principais rios que cortam o Estado, o Paraná e o Iguaçu, estão com pouca água, o que prejudica a geração de energia e até o abastecimento humano.

O Rio Paraná, na estação de Guaíra, está na cota 91 metros, quando a média é de 137 metros; na Ponte da Amizade, a cota variou nesta quinta-feira, 16, entre 95,54 e 97,13 metros acima do nível normal. A cota em períodos hidrológicos normais é de 105,59 metros.

É semelhante ao que ocorre noRio Iguaçu. A estação telemétrica em São Mateus do Sul registrava a cota 36 metros, quando a média é de 127 metros; e, já próximo à sua foz, na estação do Hotel das Cataratas, o Iguaçu estava nesta manhã em 104 metros, quando a média é de 167 metros.

O mapa mostra como estão os rios. Os triângulos vermelhos são os pontos de medição onde o nível está abaixo do normal.

ABASTECIMENTO DE ÁGUA

A Sanepar informou na quarta-feira, 15, que as poucas chuvas de novembro e desta primeira quinzena de dezembro comprometem o abastecimento público. A empresa diz que foi obrigada a implementar em mais algumas cidades do Estado.

Agora, somam-se às 14 cidades da Região Metropolitana de Curitiba os municípios de Santo Antônio da Platina, Carlópolis, Quatigá e Siqueira Campos, na região Nordeste, e Pranchita e Santo Antônio do Sudoeste, no Sudoeste.

Outras cidades estão em alerta e também correm o risco de rodízio no abastecimento a partir da semana que vem.

É o caso de Dois Vizinhos, cujo sistema, abastecido por poços e pelo Rio Girau Alto, teve uma queda de 35% na vazão.

Estão em risco, ainda, os municípios de Jardim Alegre, Califórnia e Paranavaí.

Já no Norte do Paraná a situação é inversa. Como tem chovido forte na região, nos últimos dias, foi suspenso o rodízio no abastecimento de água nos sistemas de Quatiguá e Carlópolis.

Já nos municípios de Santo Antônio da Platina e Siqueira Campos foi suspensa a implantação do rodízio, prevista para ontem e hoje, quinta-feira, respectivamente.

A Sanepar lembra que o alerta permanece e que continua monitorando diariamente as condições climáticas, de vazão e de consumo. E pede pra população evitar qualquer desperdício, porque o consumo aumenta naturalmente com as altas temperaturas do verão, que oficialmente começa dentro de cinco dias.

ENERGIA ELÉTRICA

Se dependesse do Paraná, apenas, o Brasil poderia estar numa situação crítica, no setor elétrico. As usinas da bacia do Rio Iguaçu, em maior ou menor grau, mantêm o mesmo método, há várias semanas: para garantir o nível do reservatório, reduzem ou paralisam a produção durante a madrugada.

Mas, no Brasil como um todo, melhorou. O Operador Nacional do Sistema (ONS) informou esta semana que não apenas já passamos pelo pior, como para 2022 a previsão é de não haverá mais risco de apagão ou de racionamento de eletricidade.

O sistema Sudeste/Centro-Oeste deve atingir, até maio, 58% de armazenamento. Atualmente, está em 20%, de acordo com o ONS, mas deve aumentar para 34% até o final deste mês (e do ano).

O diretor-geral do ONS, Luiz Carlos Ciocchi, ao apresentar as previsões para 2022, disse que a melhora nas projeções se deve à volta das chuvas e, também, à expectativa de entrada de 10 mil megawatts de potência no Sistema Interligado Nacional.

Haverá ainda um aumento de mais 16 mil quilômetros de linhas de transmissão, permitindo aumentar a transferência do Norte e do Nordeste para o Sudeste/Centro-Oeste do País.

Segundo Ciocchi, o ONS superou um grande desafio em 2021 e manteve a segurança do Sistema Interligado Nacional com um conjunto de mais de 35 ações, como a flexibilização de recursos hídricos, o gerenciamento da demanda e o aumento no limite de transmissão.

“Alguns podem dizer que foi sorte o resultado alcançado este ano. Nós chamamos de competência técnica para exercer todas essas ações e termos tido sucesso”, afirmou.

LA NIÑA

As previsões meteorológicas sobre os efeitos do La Niña foram confirmadas, no Paraná. O fenômeno La Niña traz como impacto baixas precipitações no Sul do Brasil, com impacto direto na vazão dos rios.

E a queda na vazão do Rio Paraná, prejudicado principalmente pela seca no Estado, afeta diretamente as províncias argentinas Chaco, Corrientes, Formosa, Misiones, Santa Fe e Entre Ríos.

O nível do rio continua baixando e é uma situação que não vai melhorar no curto prazo, conforme o Instituto Nacional de Água da Argentina.

O portal El Territorio publicou o último alerta da Instituto, do dia 10 deste mês, informando que “prevalecerá proximamente uma condição geral de redução dos caudais que entram no trecho argentino do Rio Paraná”, que deve se estender até o final de fevereiro do ano que vem.

Haverá problemas para o abastecimento de água, para atividades pesqueiras e também para a navegação, que é “fundamental no comércio nacional e internacional”, como lembra o portal.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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