Não chove. E os rios voltam à situação de setembro, no Paraná

Depois de uma trégua em outubro, a estiagem voltou a castigar os rios paranaenses. Foto Marcos Labanca

A chuva de outubro havia contribuído para amenizar a estiagem. Mas novembro foi seco e dezembro promete ir pelo mesmo caminho.

A atualização semanal do Instituto Água e Terra, publicada no site Hidroinfoparaná, mostra que a situação dos 51 rios que cortam o Paraná se agravou, em novembro.

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Só há quatro estações telemétricas que mostram o nível dos rios acima da cota normal: uma dela em Cerro Azul, que mede o Rio Ribeira, outras duas em rios do Litoral e a última no Rio Pequeno, um dos afluentes do Rio Iguaçu.

Todas as estações, que no total somam 81 em todo o Paraná, estão com triângulos vermelhos, o que significa nível abaixo da cota normal.

Compare a situação de agora com a de outubro e setembro, depois e antes das chuvas:

12 de setembro: três estações com triângulos verdes no Litoral e região de Curitiba e outra no Noroeste. Paraná sofria com a estiagem de dois anos seguidos.
Em 7 de outubro, a situação se inverteu. O número de estações marcadas em vermelho, depois das chuvas, ficou menor que as marcadas em verde. Rios se recuperavam.
9 de dezembro: só quatro estações de medição marcam nível dos rios dentro da cota normal. O resto é uma vermelhidão só.

O nível dos rios é resultado de medições com base em informes da Agência Nacional de Águas, Copel, Duke Energy Brasil e Instituto Água e Terra.

A bacia dos rios Paraná 3 e Paranapanema, que influenciam no reservatório da usina de Itaipu, está toda em vermelho, o que significa menos água para a hidrelétrica mais importante para o Brasil garantir eletricidade ao País.

Estão em vermelho, também, todas as medições feitas ao longo da bacia do Rio Iguaçu, que concentra as principais hidrelétricas paranaenses.

Os reservatórios das hidrelétricas da bacia do Rio Iguaçu só estão com níveis razoavelmente altos graças à metodologia utilizada, de produzir energia apenas durante o dia e garantir o aumento das reservas durante a noite e madrugada.

Mesmo assim, Salto Segredo está com 37,32% do nível de reserva e Salto Santiago com 46,56%.

NAS CATARATAS

Dificilmente as Cataratas do Iguaçu vão voltar àquela situação do ano passado, em que a vazão chegou a pouco mais de 200 metros cúbicos por segundo. É que, mesmo com pouca águas, as usinas precisam gerar energia. E, ao gerar, devolvem ao rio a água utilizada para mover as turbinas.

E esta água é que vai garantir que as Cataratas se mantenham como o principal atrativo da fronteira. Às 11h desta sexta-feira, 10, a vazão estava em 749 metros cúbicos por segundo, cerca de metade da que é registrada em períodos normais, mas suficiente para garantir a beleza das quedas.

RIO PARANÁ

O Rio Paraná também é vítima da falta de chuvas normais. Na Ponte da Amizade, o rio estava na cota 94,85 metros acima do nível do mar, às 7h desta sexta-feira. A cota normal é acima de 105 metros.

Em Guaíra, o rio baixou mais, na última semana. Estava na quinta-feira, 9, na cota 97 metros, quando a cota média é de 137 metros acima do nível do mar.

E a tendência é de a situação dos rios se agravar, porque há previsão de pouca chuva em todo o Paraná, ao longo de dezembro.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.