Mineração de criptomoeda já gasta mais energia que muitos países

A mineração de moedas virtuais prossegue a todo vapor no Paraguai, principalmente em Ciudad del Este, onde funcionam mineradoras de vários países, inclusive do Brasil, atraídas pela energia mais barata (quase metade do preço cobrado no Brasil).

Uma dessas mineradoras, a australiana AWS, foi notícia na semana passada porque uma de suas fazendas de mineração sofreu um incêndio que destruiu milhares de máquinas e servidores, com prejuízo de quase US$ 5 milhões. 

Ainda não se sabe o que provocou o incidente, mas a empresa não descarta a possibilidade de superaquecimento das máquinas. Note o detalhe: “milhares de máquinas e servidores”. Fundada recentemente, a mineradora tem fazendas na China, na Rússia e no Paraguai.

Você quer ver “por dentro” como é uma fazenda de criptomoedas? Veja este vídeo impressionante feito por Jean F. Minglim, publicado no Facebook da mineradora AWS de Ciudad del Este:

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Posted by Jean F. Minglim on Sunday, January 27, 2019

Pros leigos, é difícil compreender o que faz uma mineradora de moedas virtuais (a bitcoin é a mais conhecida). Mas vale lembrar que muita gente do outro lado da fronteira enriqueceu com elas. Há até brasileiros que hoje moram em mansões no fechadíssimo Paraná Country Club, em Hernandarias, graças à mineração.

Criptografia

A moeda virtual é também chamada de criptomoeda, porque é justamente aí que reside o segredo de seu funcionamento. Ela é criada por meio de uma lista crescente de registros, cada um deles protegido por criptografia. É totalmente garantida, portanto. 

É um sistema monetário sem qualquer controle de nenhum governo. É cada vez mais aceita no comércio internacional, embora ainda represente o risco de funcionar como um excelente meio de pagamento no mundo do crime.

O Banco Central do Brasil não autoriza o funcionamento das empresas que negociam moedas virtuais, mas não interfere na compra e venda de bens e serviços enre as partes que utilizam as criptomoedas. Quem compra ou vende assume todo o possível risco associado.

Embora não interfira nos negócios, o BC alerta que, se a criptomoeda for usada em atividades ilícitas, a pessoa está sujeita à investigação pelas autoridades públicas.

Mineração

Mas voltemos à mineração de moedas virtuais. Ela é o processo de adicionar registros de transações ao blockchain, uma rede que funciona com blocos encadeados muito seguros, referentes a uma transação financeira. Mas o que é blockchain e suas implicações? Melhor pesquisar onde a informação é mais segura. Tente o Tecnoblog, neste artigo.

Depois que você aprender um pouco mais, veja agora que, pra produzir criptomoedas, é preciso muita energia, para as dezenas, centenas ou até milhares de computadores que funcionam interligados na fazenda de mineração e para os sistemas de refrigeração. Se a refrigeração não funcionar bem, pode acontecer o que houve na AXW Mining.

A empresa informou que deve retomar a atividade normal em Ciudad del Este em uma ou duas semanas, “pois trabalhamos com prudência para garantir que qualquer servidor ou máquinas danificados sejam rapidamente substituídos.

Muita energia

Como quase todo mundo sabe, produzir criptomoeda exige muita energia elétrica. Mas muita mesmo. Enquanto cresce o uso da criptomoeda virtual entre o grande público, aumenta também o consumo de energia causado por sua mineração virtual. 

Veja só: a mineração já consome mais eletricidade do que mais de 20 países da Europa, de acordo com pesquisa feita pela empresa britânica Power Compare.

Os pesquisadores descobriram que o volume de eletricidade necessário para se minerar a quantidade de bitcoins atual já equivale ao consumo de 159 países individuais, incluindo Irlanda, Croácia, Sérvia, Eslováquia e Islândia.

No continente africano, apenas três países consomem mais energia elétrica do que a mineração mundial de bitcoins -África do Sul, Egito e Argélia. 

Segundo a Power Compare, o consumo estimado de eletricidade atual da mineração de bitcoin é de 29,05 TWh, o que equivale a 0,13% das necessidades globais de energia elétrica. Isso significa que, caso a mineração da moeda virtual fosse um país, ele estaria classificado no 61º lugar no ranking mundial de consumo de eletricidade. 

E o país fictício subiria rapidamente nessa lista, já que, também segundo a empresa que conduziu o estudo, a mineração de bitcoin aumentou o consumo de energia em quase 30% somente nos últimos 30 dias.

Fechando o relatório, os pesquisadores apontaram que os custos anuais de eletricidade para a mineração de bitcoins estão estimados em US$ 1,5 bilhão.

Energia barata

Quando mais moeda virtual é produzida, maior o interesse dos mineradores de procurar países que vendam energia elétrica a preços baixos. Menor o custo da energia, maior o lucro dos mineradores.

O Paraguai é quase a “terra prometida” para a atividade de mineração. Graças à Itaipu Binacional e a Yacyretá (paraguaio-argentina), o país vizinho tem energia de sobra. Quer dizer, teria, se a distribuição fosse mais completa, já que há rincões às escuras e, ainda, apagões eventuais, por conta do consumo que sobe em horas de pico e não pode ser atendido pela Ande, a estatal de eletricidade.

Mas há outro problema: a energia é mais barata porque a Ande usa de subterfúgios para comprar menos energia vinculado do que utiliza e utiliza de Itaipu mais energia adicional, aquela que a usina produz acima dos 75 milhões de megawatts-hora (MWh) previstos nos contratos com o Brasil e o Paraguai. 

A bronca é da Eletrobras, que não concorda com a prática da Ande, que já virou imbróglio entre os dois países sócios na hidrelétrica.

O assunto é quase tão complexo quanto falar de criptomoedas (hoje é dia da complexidade blogueira), mas basta dizer que, com o subterfúgio da Ande, o Paraguai pagou no ano passado menos de US$ 25 o megawatt-hora (MWh) da energia de Itaipu, enquanto a Eletrobras (o Brasil) pagou quase US$ 40.

Vamos dizer que a Eletrobras e a Ande se acertem. A energia no Paraguai pode ficar mais cara, e menos interessante para a prospecção de moeda virtual. Ou continuar como está.

Mas o mundo real, uma hora ou outra, vai interferir neste mundo virtual.

Fontes: Webbitcoin, Canaltech, Banco Central e Arquivo

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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