Incertezas do futuro próximo assola a população - Foto Divulgação

A pandemia que nos amedronta

Momentos muito difíceis estes que estamos vivenciando. Absolutamente imprevistos e de grande intensidade. Por um lado, assistimos ao heroísmo de profissionais de saúde, médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, mas também de todos os trabalhadores dos nossos hospitais, públicos e privados, pessoal do SAMU, funcionários e técnicos das UPAs… enfim, de todos que estão envolvidos no atendimento dos pacientes vitimados pela covid. 

Essa não é uma tarefa fácil, especialmente porque estamos lidando com uma doença com imensa letalidade sem que consigamos entender como ela progride nos pacientes, alguns que já parecem estar bem e, repentinamente, vão a óbito.

Mas essa pandemia amedronta todos, indistintamente. Parecia que tudo ia muito bem em nossa vida, tínhamos determinadas certezas e, de um momento para outro, todas as certezas vieram abaixo sem que possamos entender os motivos e mesmo as possibilidades de cura da doença.

Num esforço enorme, cientistas mundo afora conseguiram, em tempo muito curto, chegar à confecção de vacinas que permitem a imunização das pessoas. Tendo as vacinas (felizmente são várias) e agora a produção de forma acelerada, com toda a sua comercialização e distribuição para o atendimento das pessoas em todo o mundo, aí sim é possível perceber a imunização cada vez maior das pessoas e, consequentemente, as sociedades poderem voltar a uma determinada normalidade.

O mundo será outro, para o bem ou para o mal, e somente o tempo será capaz de afiançar qual caminho será tomado. De qualquer forma será mesmo um outro mundo, distinto do atual, em alguns aspectos inteiramente renovados e em outros nem tanto, porém também com algumas novas formas de existência.

Descobrimos também que estarmos em nossa casa é muito bom e bastante interessante. Não precisamos estar sempre fora de casa, nas ruas e avenidas, nos pontos comerciais, e para vivermos bem é muito bom e interessante o nosso convívio familiar. Contudo, de alguma forma, atiçamos o medo que nos inibe em várias e diferentes circunstâncias, mas que é muito próprio de nossa constituição psíquica e produz determinados efeitos, nem sempre prazerosos, porém bastante reais. 

Temos sempre a ideia de evitarmos certas coisas por conta do inesperado, que acaba produzindo a sensação de medo. Como tudo isso passou a ser a nossa rotina é algo inédito.


* José Afonso de Oliveira é professor e sociólogo em Foz do Iguaçu.

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Professor Afonso

José Afonso de Oliveira é professor e sociólogo em Foz do Iguaçu. E-mail: [email protected] - Veja mais conteúdo do autor.

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