Caminhos do desenvolvimento

A construção de estradas é o novo caminho do desenvolvimento. No Brasil imperial, dominado pela Inglaterra, a abertura de ferrovias foi prioritária, ligando as áreas produtoras – especialmente de café – ao porto exportador de Santos. Isso foi realizado como concessão do estado por cem anos, que já terminaram, e as estradas foram entregues ao governo, ou melhor, o que sobrou delas após todo esse tempo de uso.

Na República, mais precisamente no governo JK, momento em que se instalaram no Brasil montadoras de veículos, foram construídas estradas de Norte a Sul, Leste a Oeste, ou seja, as prioridades mudaram, preferindo-se rodovias às ferrovias, pois eram mais baratas e atendiam às necessidades da nascente indústria automobilística.

Hoje o Brasil conta com pouquíssimas ferrovias atendendo principalmente a alguns setores, como o de mineralogia, para transporte de minérios, e outros nos grandes centros industriais. A opção pelo sistema rodoviário, aparentemente de menor custo na sua construção, foi a opção naquele momento.

À medida que o Brasil cresceu, a necessidade de novas estradas iniciou um processo de pressão sobre o governo, que optou por entregar à iniciativa privada a construção de mais estradas; e, por conta disso, as concessionárias edificaram praças de pedágio, e todos os usuários passaram a financiar as novas rodovias.

Passados alguns anos, praticamente nenhuma rodovia foi aberta pelas concessionárias. Aqui no Paraná, elas apenas mantiveram a malha rodoviária existente, deixando de construir rodovias ou de expandir as existentes, bem como de duplicá-las quando necessário.

O que está em discussão atualmente é exatamente a questão de pagarmos altíssimos valores de pedágio para termos uma reversão muito pequena no momento em que a nossa economia está em crescimento e expansão. 

O que devemos colocar, com a devida clareza, é a necessidade inicial de construção de rodovias, com um valor de pedágio condizente ao crescimento da nossa economia, entendendo também que já pagamos o IPVA – que, penso, deva ser destinado em parte ou no todo para a expansão da malha rodoviária.

Tudo isso é muito bom que seja amplamente discutido, afinal os objetivos pelos quais os pedágios foram criados não se concretizaram.

* José Afonso de Oliveira é professor e sociólogo em Foz do Iguaçu.

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