O mundo atual é da velocidade, no qual tudo corre assustadoramente. Claro que tudo isso é fruto da alta tecnologia que empregamos na nossa realidade(Foto: Carlos Sossa )

Mundo da velocidade

José Afonso de Oliveira

O mundo atual é da velocidade, no qual tudo corre assustadoramente. Vivemos correndo, chegamos atrasados a compromissos, nas nossas ruas e avenidas corremos com nossos carros… enfim, tudo hoje é muito veloz, dando a impressão de que antes o mundo era muito devagar.

Claro que tudo isso é fruto da alta tecnologia que empregamos na nossa realidade, em que ser veloz passou a ser um valor em si mesmo, dando a dimensão de pessoas que são altamente valorizadas por serem velozes.

Incentivos para isso não faltam, desde veículos que usamos, os quais possuem capacidade de alcançar, em questão de segundos, altas velocidades, até mesmo ao assistirmos a corridas de Fórmula 1, que incentivam e vendem novas marcas de carros e motores capazes de ser muito seguros e atingir altíssimas velocidades.

Zygmunt Bauman traduz tudo isso mostrando um novo conceito de sociedade ao trabalhar a chamada, por ele, de sociedade líquida. Essa tem a sua característica muito peculiar exatamente na velocidade com que vivemos no mundo atual globalizado.

Em função de tudo isso é que acabamos construindo as nossas cidades, onde as avenidas, ruas, vias expressas, viadutos adquirem a posição de avanço, de cidades ditas modernas, evoluídas, pois nelas conseguimos nos locomover dentro dos parâmetros das velocidades que nos são necessárias e permitidas.

Mas as velocidades estão mesmo atreladas ao desenvolvimento do mundo capitalista de produção industrial, em que elas passam a ser essenciais, evoluindo para o conceito de produção de massa, hoje dominante com todas as novas tecnologias já disponíveis.

Aqui, porém, fica claro igualmente que podemos perder a percepção da vida em sociedade, na exata medida que não conseguimos mais vislumbrar fins a que nos atemos para viver em sociedade, além do que nem todos conseguem ter essa dimensão da velocidade em sua vida diária e, também por conta disso, podem estar à margem da sociedade atual.

Isso acaba determinando áreas de frustração que são muito sérias e perigosas à proporção que não mais conseguimos manter determinados ritmos de vida, na velocidade em que nos é exigido.

José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.

Paulo Bogler - H2FOZ

Paulo Bogler é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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