Região de passagem

Para que a nossa cidade possa desenvolver-se, é fundamental que todos nós, seus habitantes, tenhamos a consciência clara de que esta é a melhor cidade que temos. Foto: Marcos Labanca

Prof. José Afonso de Oliveira – OPINIÃO

Vivendo em Foz do Iguaçu, a gente vai tomando contato com uma realidade, no mínimo, muito curiosa. Como a cidade vivia, antes da construção da hidrelétrica de Itaipu, em função de alguns órgãos federais, como Exército, Marinha, Aeronáutica, Banco do Brasil, Receita Federal, muitas pessoas vinham para trabalhar aqui e permanecer por algum tempo, retornando para a sua cidade de origem ou para outras. Poucos pensavam em ficar por aqui, definitivamente, adotando a cidade como sua.

Com a construção da hidrelétrica de Itaipu, a situação de uma permanência transitória chegou ao seu ponto mais acentuado, já que os denominados barrageiros tinham por hábito mudanças constantes de endereço, conforme novas hidrelétricas eram construídas.

A cidade viveu isso e ainda tem traços muito fortes e permanentes até os dias atuais, fato que impede ou dificulta sobremaneira a sua própria identidade. Ninguém é daqui e, de certa forma, não assumindo a cidade como sua, resta apenas aproveitar o máximo e um dia retornar para um outro local, já vivido ou então mesmo para passar o resto dos seus dias em algum local sonhado. Mas, insisto, porque isso é muito importante, ninguém assumia a cidade como sendo a sua.

Isso dificulta muito o próprio desenvolvimento do município, acrescentando no nosso caso que, atraindo pessoas do mundo todo, formamos uma sociedade multiétnica, que colabora bastante para essa situação em que nos encontramos. É talvez aí que podemos pensar nas mudanças que começam a ser processadas, pois esses personagens de outros países, chegando aqui, pensam em ficar definitivamente; em que pese, muitos deles enviarem recursos financeiros para os seus parentes nos seus países de origem. De qualquer forma, por pensarem em, definitivamente estar na cidade, passam a construir mesquitas, clubes exclusivos, templo budista, escolas próprias e por aí vai.

Para que a nossa cidade possa desenvolver-se, é fundamental que todos nós, seus habitantes, tenhamos a consciência clara de que esta é a melhor cidade que temos, afinal é nela em que vivemos e constituímos a nossa existência. Nada de ficarmos saudosistas ou com sonhos irrealizados, mas com o pé no chão, enfrentando todos juntos a realidade que vivemos e, assim, proporcionando uma série de projetos que possibilitem melhorias para todos, constituindo uma nova sociedade, distinta da atual em que estamos vivendo.


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Professor Afonso

José Afonso de Oliveira é professor e sociólogo em Foz do Iguaçu. E-mail: [email protected] Veja mais conteúdo do autor.

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