Uma outra sociedade é possível e agora viável

Prof. José Afonso de Oliveira

A sociedade existente, antes da pandemia do coronavírus, estava assentada sobre algumas realidades que foram sendo constituídas, como as escandalosas desigualdades sociais, tidas como normais em qualquer sociedade. Não só isso é anormal como foge de qualquer lógica, norma, forma de vida em sociedade e tem de ser eliminada, pois é sempre destruidora da vida social.

A crise que estamos vivendo por conta da pandemia do coronavírus, ao atingir todos, indistintamente, coloca vários e diferentes pontos de reflexão e, mais do que isso, novas formas de vida em sociedade.

Não podemos mais idealizar a vida como simplesmente formas de acumulação de capitais, tendo o dinheiro um poder terrível de sedução e de inteira e completa dedicação por grande número de pessoas. Tampouco o dito mercado pode ser entendido como uma entidade acima de tudo o que existe na sociedade, superior ao Estado na condução e controle de todas as pessoas.

Ao individualismo, pragmatismo, cumprimento de metas e tantas outras formas de escravismo estão sendo agora colocadas práticas de aproximação das pessoas, mesmo que estejam fisicamente isoladas, uma solidariedade que dificilmente pode ser vista, um novo e completo sentido do tempo, não mais tanto do trabalho, dos ganhos financeiros, mas do lazer, do estar com os filhos em casa brincando, do êxtase da contemplação da natureza.

Do trabalho opressivo, terrível para um trabalho inteiramente liberto de normas, horários e métodos, realizado a distância dentro de nossas casas. O mesmo se pode dizer da educação, em que prédios escolares estão perdendo completamente a sua utilidade.

É esse novo mundo, nova sociedade na qual o ser vale muito mais do que o ter que começamos lenta ou aceleradamente a modificar as nossas relações sociais de modo que não seremos mais o que fomos antes da pandemia.

Como estamos observando também, o Estado tem um papel essencial na vida em sociedade, devendo ser redefinido, mas jamais sendo desprezado. Ao final a globalização que aproxima todos os povos deve fortalecer os laços já existentes por meio, principalmente, da ONU, para termos uma governança global que seja capaz de não só resolver problemas acima dos Estados, como especialmente apresentar projetos e soluções de intensidade maior na aproximação dos povos, superando nacionalismos e fronteiras – hoje, mais do que nunca, superados.

* Prof. José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.
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Alexandre Palmar - H2FOZ

Alexandre Palmar é jornalista em Foz do Iguaçu. E-mail: [email protected] Veja mais conteúdo do autor.

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