Covid-19 dá saltos em Foz, no Paraná, no Brasil e nos países vizinhos

Ala perigosa. Pra quem está internado, pra quem atende os pacientes. Foto Ari Dias/AEN

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

Por incrível que pareça, ainda há no mundo quem descreia do vírus. Ou não bote fé nos estragos que faz nos pacientes, nas mortes que provoca. No mundo, já morreram 1.445.154 pessoas.

Infelizmente, não dá pra festejar, sair com os amigos, brincar, dançar sem medo de ser feliz. Ainda não.

Foz teve que voltar atrás na liberação de bailões. Não deveria ter havido essa liberação, ainda mais em plena campanha eleitoral, quando houve aglomerações e aumentou a possibilidade de transmissão do vírus. O erro foi corrigido agora.

Veja os números do Paraná, do Brasil, do Paraguai (onde o temor está de volta), da Argentina que fechou tudo e mesmo assim é o 4º país no mundo em mortes, proporcionalmente.

Veja as estatísticas, mas lembre-se de que cada número representa um ser humano. O que faz parte dos casos, o que comemora a recuperação, o que sofre em UTI e enfermaria, o que morre e é motivo de tristeza para tantos. Ao balanço:

 

FOZ: MAIS CASOS, MAIS MORTES. E UM VOLTA ATRÁS EM LIBERDADE TOTAL

Depois de um aumento na incidência de casos e de mortes, Foz do Iguaçu “acordou” e decidiu que era hora de agir, finalmente. Afinal, mesmo com mais leitos postos à disposição da população, a ocupação subiu fortemente.

Na sexta-feira, 27, 91,8% dos leitos de UTI estavam com pacientes, bem como 70,27% dos leitos de enfermaria, conforme dados da Vigilância Epidemiológica.

Um decreto municipal, em vigor desde quinta-feira, 26, voltou a proibir bailes, eventos e festas, bem como reuniões familiares que envolvam contatos físicos, além de dança em eventos sociais como casamentos e confraternizações.

Sem fiscalização, adianta um decreto? Bem, ao menos na primeira noite do decreto em vigor, a fiscalização da Prefeitura fez vistorias em 46 estabelecimentos e fechou um, por falta de alvará e do termo de responsabilidade sanitária.

Outros 22 não tinham assinado este termo (provavelmente, a assinatura foi na hora da fiscalização, mas não há essa informação na nota divulgada pela Prefeitura); e 7 receberam readequações.

É um começo. Mas será preciso ver (pra crer) a fiscalização atuando nos finais de semana, não apenas em bares e assemelhados, como também nas “festas da covid”, realizadas clandestinamente em loteamentos espalhados pela cidade. A conferir se bastará fazer uma denúncia pra que alguma autoridade tome providências.

Porque, vale repetir, a situação de Foz piorou muito. No ranking estadual, a regional de Saúde de Foz permanece em 1º lugar em número de casos, bem distante da segunda colocada, a regional de Paranaguá.

São 4.733 casos registrados a cada 100 mil moradores, quando a média paranaense é de 2.357. A de Foz é a única das 22 regionais em situação de emergência.

Primeira em casos, terceira em mortes. A ascensão da regional de Saúde de Foz nos gráficos da Secretaria de Estado da Saúde.

Mas o pior é o aumento da mortalidade. O índice da regional de Foz já esteve entre os mais baixos do Paraná, bem inferior à média do Estado todo. Na semana passada, ficou em 4º lugar. Agora, superou a regional de Cornélio Procópio e passou para o 3º lugar, atrás apenas das regionais Metropolitana e Paranaguá.

O índice de mortalidade em Foz e sua regional é de 60,6 mortes por 100 mil habitantes, cada vez mais alto em relação à média do Paraná (52,5).

Os últimos números da pandemia, em Foz do Iguaçu, são de sexta-feira: 13.102 casos e 182 mortes. Se fizesse parte do ranking de países, apesar de ter uma população de aproximadamente 258 mil habitantes, Foz estaria em situação pior – tanto em casos quanto em mortes – do que Cuba (11,4 milhões de habitantes), Uruguai (3,5 milhões) e Nicarágua (6,5 milhões), pra ficar só em poucos exemplos.

 

NO PARANÁ, MÉDIA MÓVEL DE CASOS SUBIU QUASE 40%

Mais 105 leitos no Estado. Ao ritmo da pandemia, pode ser pouco. Foto Ari Dias/AEN

A exemplo do que foi feito em Foz do Iguaçu, o governo do Estado também ampliou em 105 o número de leitos para covid-19, devido ao crescimento dos casos.

Não é pra menos. A média móvel nos últimos 7 dias, até quinta-feira, 26, foi de 2.340 casos por dia, um crescimento de 39,3% em relação ao registrado há duas semanas.

Já a média móvel de mortes, felizmente, teve queda de 13,6%, na mesma comparação, embora ainda seja elevada: morrem 19 pessoas por dia, no Paraná, devido à covid-19.

O Paraná tinha nesta sexta-feira 270.349 casos confirmados, dos quais 295.666 (72%) recuperados. Havia 1.050 pacientes internados, dos quais 502 em UTI.

Na semana passada (sábado), eram 722 internados, 338 em UTI. Isto é, o número de internados aumentou 68,7% em sete dias; e a ocupação de leitos de UTI subiu quase na mesma proporção (67,3%).

Pelos números de sexta-feira, 27, o Paraná tem 270.349 casos confirmados e soma desde o início da pandemia 6.023 óbitos. A letalidade da doença é de 2,2%, no Estado, maior que a de Foz (1,39%) e inferior à média brasileira (2,8%).

O número de mortes, no Paraná, colocaria o Estado em 33º lugar no ranking de países, inclusive à frente da China (onde tudo começou), conforme o painel on line da universidade Johns Hopkins.


NO BRASIL, QUADRO ESTÁVEL, MAS EM PATAMAR ELEVADO

O índice de mortes por covid-19, no Sul do Brasil, é o mais baixo do país, embora elevado. Foto Américo Antonio/AEN

Até sexta-feira, 27, o Brasil atingiu 6.238.096 casos confirmados e 171.998 mortes.

Do total de casos, 5.536.355 se recuperaram, um índice de 88,8%.

Em mortes, a média móvel – 477 por dia, nos últimos 7 dias -, teve leve redução de 2% em comparação com 14 dias atrás, o que indica estabilidade.

Mas, em casos confirmados, houve 31.496 diagnósticos por dia, uma variação positiva de 13% em relação aos registrados duas semanas atrás. Embora seja alta a variação, considera-se também estabilidade.

O Paraná está entre os 9 estados onde houve queda na média móvel de mortes, nesta semana, comparando com os números de duas semanas atrás.

Os estados com mais mortes pela covid-19: São Paulo (41.902), Rio de Janeiro (22.448), Minas Gerais (9.948), Ceará (9.568) e Pernambuco (8.999).

Por milhão de habitantes

Segundo o painel do Sistema Único de Saúde, com base nos dados de sexta-feira, 27, o Brasil tem um índice de 29.686 casos a cada milhão de habitantes (considerando uma população de 210.147.125 pessoas); e 818 mortes a cada milhão de habitantes.

Mas a mortalidade não é igual em todas as regiões. No Centro-Oeste, chega a  984 por um milhão de habitantes; no Norte, a 906; no Sudeste, a 889; no Nordeste, a 775; e na Região Sul, o índice é de 549 mortes a cada milhão de habitantes.

Já a letalidade (mortes em relação ao total de casos) tem média, no País, de 2,8%.

PARAGUAI ACIONA “FREIO DE MÃO” PARA EVITAR QUE PANDEMIA SE ALASTRE

Ministro Mazzoleni: freio de mão agora e possível retrocesso, caso a pandemia avance muito. Foto Ministério de Saúde Pública

O uso de máscaras cirúrgicas passou a ser obrigatório, no Paraguai, conforme decreto já em vigor desde sexta-feira, 26.

Ao mesmo tempo, o Ministério de Saúde Pública já avisou que não haverá mais flexibilizações até o final do ano, como a presença de público em estádios, por exemplo. E pode haver um retrocesso, embora a intenção seja mesmo a de colocar “um freio de mão” na pandemia.

O país vinha numa situação de estabilidade, mas houve novos surtos, que preocuparam as autoridades de saúde. O país tem hoje 80.436 casos e 1.720 óbitos.

“Vemos com preocupação que várias regiões do país estão mostrando aumentos. Podemos destacar particularmente um aumento modesto, mas que chama a atenção, em Alto Paraná, além de Cordillera, Ñeembucú, Itapúa, Paraguarí e Misiones”, disse o ministro Julio Mzzoleni.

Em Alto Paraná, média de casos se mantinha baixa, menos de 15, mas começou a subir ao longo desta semana.

Ocupação de leitos, no Paraguai, voltou a aumentar. Foto Radio Concierto

O ministro disse que o número de óbitos está em queda, mas é preciso tomar cuidado, porque é uma situação que a qualquer momento pode mudar.

Na sexta-feira, o Paraguai tinha 745 pacientes internados, dos quais 132 em terapia intensiva. Um aumento expressivo, em relação à semana passada, quando havia 655 internados, dos quais 127 em UTIs.

ARGENTINA FICA NA EXPECTATIVA COM “EFEITO MADONNA”

Milhares de pessoas, grande parte sem máscaras, se aglomeraram em frente à Casa Rosada pra se despedir do ídolo Diego Maradona, na quinta-feira, 26. A consequência – ou não – dessas aglomerações poderá ser constatada dentro das próximas duas semanas.

Embora estivessem ao ar livre, os fãs de Maradona provocaram mais um risco de recrudescimento de casos de covid-19 na Argentina, exatamente no momento em que Buenos Aires vivia um decréscimo no ritmo de contágios.

Com as 275 mortes registradas nas últimas 24 horas até sexta-feira e mais 7.846 contágios, o país vizinho soma agora 38.216 óbitos e 1.407.277 contágios. A ocupação de leitos de UTI é alta, mas não muito preocupante: 56,2%, em média (59,2% na área metropolitana de Buenos Aires).

Se alguém espera pela liberação das fronteiras, talvez tenha que ter paciência. O presidente Alberto Fernández não se referiu a elas, mas em pronunciamento na noite de sexta-feira informou que o distanciamento sanitário será mantido em todo o país.

Ele garantiu, ainda, que, entre janeiro e março, 13 milhões de argentinos estarão se vacinando contra a covid-19, segundo a agência Télam.

Nas últimas semanas, segundo o presidente, a prorrogação das medidas de cuidados trouxe uma “clara melhoria” da situação epidemiológica, com queda de 30% dos contágios e também na quantidade de mortes.

A Argentina espera vacinar 13 milhões de pessoas entre janeiro e março. Foto Agência Télam

Em relação à população, a Argentina registra 830 mortes por covid-19 a cada 1 milhão de habitantes. São, ainda, 30.592 casos a cada milhão de argentinos.

Esses índices são mais elevados que no Brasil (veja acima). A Argentina só perde para a Espanha (34.642 casos a cada 1 milhão de habitantes e 971 mortes a cada milhão); Bélgica (48.788 casos e 1.396 mortes por milhão de habitantes0; e Peru (2.988 casos e 1.118 mortes por milhão de habitantes).

A Bélgica é um caso à parte. Diferentemente de outros países, a Bélgica computa entre as mortes não apenas as confirmadas por testes de covid-19, mas também as suspeitas, considerando que isso torna possível combater melhor a pandemia.

Graças a esse método, segundo explicou o epidemiologista belga Steven Van Gucht à BBC Mundo, o país pode “tomar medidas imediatas”. Foi possível, por exemplo, detectar surtos de coronavírus em casas de repouso, disse, antes que provocassem mais mortes.

 

PAÍSES EUROPEUS VOLTAM A SUBIR NO RANKING DE CASOS E MORTES

No painel da universidade Johns Hopkins, europeus reconquistam postos.

Embora se mantenha em 4º, em mortes por milhão, a Argentina desceu no ranking mundial. Em casos, desceu do 8º para o 9º lugar, ultrapassada pela Itália, onde a “segunda onda” da pandemia está pegando forte.

Em mortes, foi do 10º para o 11º lugar. O país que passou à frente, com pequena diferença, foi a Rússia, 5º no mundo em número de casos.

Isso significa que não foi a situação da Argentina que melhorou, mas a dos países europeus que voltou a se agravar, depois de alguns meses em que a pandemia deu trégua. Para os europeus, o inverno pode trazer ainda mais sérias consequências, caso não cheguem a tempo as vacinas.

E é por isso que voltam as restrições. Na Croácia, bares e restaurantes serão obrigados a fechar, a partir deste sábado, depois de recordes de casos ao longo da semana.

Na Grécia, comércio, bares, museus, parques e ginásios terão circulação limitada até 7 de dezembro. Na Alemanha, já está em vigor um confinamento até 20 de dezembro. E assim retrocede a Europa, mesmo com a população já cansada de tantas restrições.

 

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

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