A vacina é a luz no fim do túnel do horror da pandemia. Montagem com fotos do Pixabay

Foz e Paraná vivem pior momento da pandemia. Veja ainda como estão Brasil e vizinhança

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

A vacina vem aí! É a luz no fim deste túnel do terror.

E o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, Carlos Lula, tem uma posição firme:

“Nosso horizonte neste momento tem que ser imunizar a todos o quanto antes. A vida das pessoas deixa de lado as eleições. Graças a Deus as municipais passaram. Mas as próximas não podem estar no horizonte deste enfrentamento que a gente faz hoje. Agora o que importa é o cuidado com a população.”

Ele disse isso na reunião entre representantes do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), quando foram discutidas as estratégias de vacinação contra a covid-19, em seminário virtual na quarta-feira, 9.

Mas quando virão as vacinas? O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo de Medeiros, disse que, assim que a primeira vacina estiver pronta e registrada na Anvisa, quer no normal ou de emergência, e que nós tivermos a disponibilidade de adquirirmos, o Ministério da Saúde irá sim adquirir essas vacinas”.

Vai se vacinar quem quiser. Mas certamente não haverá ignorância tão grande quanto a chamada “Revolta da Vacina”, em 1904, quando Oswaldo Cruz conseguiu tornar obrigatória a vacinação contra a varíola.

Depois de 945 prisões, 461 deportados, 110 feridos e 30 mortos em menos de duas semanas de conflitos, o então presidente Rodrigues Alves se viu obrigado a desistir da vacinação obrigatória. E todos perderam. Os revoltosos foram castigados e os moradores continuaram a ficar doentes.

Em 1908, contudo, houve a mais violenta epidemia de varíola da história do Rio de Janeiro. E o povo correu pra ser vacinado, num episódio avesso à Revolta da Vacina.

Mas muita gente não aprendeu a lição. E olha que isso aconteceu há 116 anos. Os “anti-vacina” de agora talvez sejam estudados daqui a 100 anos.

Veja os números e conclua se vale a pena brigar contra a vacina.


EM FOZ, MÉDIA MÓVEL ESTÁ EM 210 CASOS POR DIA. E EM ALTA

Foz do Iguaçu já soma, desde o início da pandemia, 15.969 casos e 218 óbitos. Média móvel, em alta, está em 210 casos por dia (de quinta para sexta, foram 237 casos e mais duas mortes).

A ocupação de leitos de UTI já atingiu perto de 100%. Mas, com as altas (e as mortes), estava ontem, sexta, em 77,32%. Isto é, dos 97 leitos existentes, 75 estavam em uso. Já a ocupação dos leitos de enfermaria é de 79,73% (são 74, dos quais 59 ocupados.

E dá-lhe casos. Proporcionalmente, Foz tem o dobro da média brasileira. A cidade registra 6.236 casos a cada 100 mil habitantes, enquanto o índice paranaense é de 2.747 a cada 100 mil e o brasileiro é de 3.145 por 100 mil habitantes.

O mapa do calor de Foz do Iguaçu mostra que a área central e o bairro Maracanã, regiões mais populosas da cidade, estão com a mais alta concentração de casos.

A regional de Saúde de Foz do Iguaçu lidera em casos no Paraná, bem à frente do 2º lugar. O número (defasado em relação ao já divulgado pela Vigilância Epidemiológica de Foz) é de 5.508 casos a cada 100 mil habitantes, enquanto a regional de Paranaguá tem o índice de 3.718.

Em óbitos, a regional de Foz havia subido, já na semana passada, para o 3º lugar, quando chegou a 66,8 mortes a cada 100 mil habitantes. O número aumentou para 71,5 mortes, mas permanece em 3º, atrás da regional de Saúde Metropolitana (83,6) e Paranaguá (75,9).

Se fosse um país, Foz estaria, no ranking de mortes, à frente de diversas nações. Como exemplos, Nicarágua (162 óbitos), Guiana (154), Cuba (136) e Uruguai (90). Complicado, não?


PARANÁ VOLTA A SUBIR NO RANKING BRASILEIRO DE CASOS. E AUMENTA MORTALIDADE

Situação epidemiológica da covid-19 no Brasil 11/12/2020

A situação no Paraná, que enfrenta falta de leitos em várias regiões (na Oeste e na Metropolitana, por exemplo), piorou no ranking brasileiro de casos de covid-19. Na semana passada, o Estado passou do 10º para o 8º lugar; agora, foi para o 7º, atrás de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Ceará.

Já em óbitos, permanece em 10º lugar. Embora Santa Catarina tenha mais casos que o Paraná, registra menos mortes (3.939).

No total acumulado, o Estado registra 320.088 casos e 6.642 mortes. A média móvel de casos diminuiu 2,3% em relação há 14 dias, na semana até dia 10. Mas é alta: 2.905 casos por dia.

Já a de óbitos aumentou 15,8% na comparação com 14 dias atrás. Agora, são 33 mortes por dia. A doença leva à morte 2,1% dos infectados.

No Estado, há 670 pacientes internados em enfermaria e um número próximo (611) em UTIs.

Há outros 1.510 pacientes internados, 989 em leitos UTI e 521 em enfermaria, que aguardam resultados de exames. Eles estão em leitos das redes pública e particular e são considerados casos suspeitos de infecção pelo coronavírus.

A regional de Saúde de Foz do Iguaçu lidera em casos no Paraná, bem à frente do 2º lugar. O número (defasado em relação ao já divulgado pela Vigilância Epidemiológica de Foz) é de 5.508 casos a cada 100 mil habitantes, enquanto a regional de Paranaguá tem o índice de 3.718.

Em óbitos, a regional de Foz havia subido, já na semana passada, para o 3º lugar, quando chegou a 66,8 mortes a cada 100 mil habitantes. O número aumentou para 71,5 mortes, mas permanece em 3º, atrás da regional de Saúde Metropolitana (83,6) e Paranaguá (75,9).

 

Comparativo de casos e mortes

Situação do Brasil é ruim, mas ainda melhor que a da Argentina e Estados Unidos. No Paraguai, há uma grande diferença a favor.

CONTAMINAÇÃO NO BRASIL VOLTA AO RITMO DE JULHO E AGOSTO

Pelo terceiro dia seguido, na sexta-feira, 11, o Brasil registrou mais de 50 mil casos de covid novos por dia, retomando o ritmo de contaminação de julho e agosto. O número de mortes se mantém elevado, quase todos os dias mais de 600 pessoas.

O total de casos agora é de 6.836.227, enquanto o de óbitos atingiu 180.437.

A lista dos estados com mais mortes pela covid-19 é encabeçada por São Paulo (43.802), Rio de Janeiro (23.630), Minas Gerais (10.565), Ceará (9.772) e Pernambuco (9.244). As Unidades da Federação com menos óbitos pela doença são Acre (747), Roraima (753), Amapá (846), Tocantins (1.195) e Rondônia (1.634).

Vacinas

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo de Medeiros, disse que a equipe está atenta às vacinas em desenvolvimento e que aquelas com segurança e eficácia poderão ser incorporadas no Programa Nacional de Imunização, de acordo com matéria da Agência Brasil.

Ele citou os dois acordos já firmados, com a Universidade de Oxford e o laboratório Astrazeneca e com o consórcio Covax Facility, que abarca empresas e governos de outros países para acesso a doses. O secretário acrescentou que o órgão tem dialogado com outras empresas e centros de pesquisas.

“Temos constituído memorandos de entendimento. Fizemos com Dimas [Covas, do Instituto Butantan, que desenvolve a Coronavac], com a Covaxx norte-americana e estamos terminando com a Pfizer. Assim que a primeira vacina estiver pronta e registrada na Anvisa, quer no normal ou de emergência, e que nós tivermos a disponibilidade de adquirirmos, o Ministério da Saúde irá sim adquirir essas vacinas”, declarou Medeiros.

A presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade, destacou que o acordo da entidade com o consórcio Oxford/Astrazeneca prevê 30 milhões de doses até fevereiro, 70,4 milhões entre março e agosto e mais 100 milhões após este período, totalizando 210 milhões de doses, que poderão atender 100 milhões de brasileiros (a imunização demanda duas doses).

O grande desafio, assim como no caso de todas as vacinas, é o registro ou autorização, prerrogativa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Trindade informou que na última sexta-feira (4) foram enviados à agência dados dos estudos clínicos que embasaram artigo publicado em importante periódico científico nesta semana sobre a vacina.

O diretor do Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, Dimas Covas, apresentou a situação da vacina Coronavac, desenvolvida em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac e que começou a ser produzida no Brasil.

Segundo ele, o Instituto pretende fabricar até 40 milhões de doses até fevereiro e chegar a 100 milhões de doses até maio do ano que vem. Ele apontou que ainda não houve incorporação da vacina ao Programa Nacional de Imunização (PNI).

“Precisamos lutar para a incorporação da vacina no PNI e que nosso Ministério se convença disso”, pontuou.


PARAGUAI ENFRENTA FALTA DE LEITOS NOS HOSPITAIS PÚBLICOS

A falta de leitos, tanto de UTI como de enfermaria, é hoje a maior preocupação da Saúde Pública do Paraguai. Foto Ministério de Saúde Pública

Os casos no Paraguai já passam de 90 mil (92.113) e as mortes subiram, com o boletim de sexta-feira, a 1.927. A capital, Assunção, e o departamento Central, áreas mais povoadas do país, são os que mais registram casos e mortes. Ali é onde, também, já faltam leitos para atender novos pacientes.

O Paraguai tem 783 pacientes internados por covid-19, dos quais 150 estão em unidades de terapia intensiva. Estes números vêm aumentando progressivamente. Na semana passada, havia 742 pessoas internadas, 144 delas em UTIs.

O aumento dos casos obriga os hospitais públicos do Paraguai a improvisar leitos com respiradores para atender pacientes que chegam com quadros de covid-19, informou o diretor de Redes e Serviços do Ministério de Saúde Pública, Hernán Martínez, segundo o jornal Ultima Hora.

Nas últimas semanas, os hospitais de contingência para atender pacientes com covid-19 se encontram colapsados, devido ao aumento da procura.

“Estamos numa luta dia a dia, às vezes desigual, pela quantidade de pacientes que chegam e superam a oferta de leitos, principalmente no (hospital) Ineram e no Hospital Nacional de Itauguá. Muitas vezes é preciso improvisar um respirador na sala de emergência para dar resposta a pacientes que chegam em estado muito grave e que às vezes não podem ser trasladado e devem esperar um lugar”, disse o médico.

A ocupação de leitos de enfermaria já passa de 90%, enquanto as UTIs estão 60% ocupadas por enfermidades polivalentes e 40% por pacientes de covid.

Os convênios com hospitais particulares permitem uma reserva de leitos para pacientes com covid-19, mas essa reserva também está no limite.

O ministro de Saúde Pública, Julio Mazzoleni, disse que o país atravessa o pior momento da pandemia e instou a população a cumprir as medidas sanitárias.

O diretor de Vigilância da Saúde, Guillermo Sequera, no balanço semanal, disse que duplicaram os casos em Assunção a parir do início de setembro.

Sequera: principal preocupação é com epicentros, Assunção e Central. Foto Ministério de Saúde Pública do Paraguai

“O principal epicentro da pandemia hoje está em Central e Asaunção. Tínhamos cerca de 900 casos positivos antes deste mês, mas nas últimas semanas se duplicou a mais de 1.700 casos em Assunção. No departamento Central não foi uma duplicação, propriamente, mas sim um salto de 1.900 para 2.900 casos”, detalhou, de acordo com o Última Hora.

Ciudad del Este

O número de contágios em Alto Paraná (a capital é Ciudad del) Este continua em alta, informa o jornal ABC Color. O departamento soma 7.684 casos desde o início da pandemia e 301 mortes. O total de óbitos permanece sem alteração há cinco dias.

Há 405 casos ativos de covid-19 em Alto Paraná, 78 a mais que no 1º de dezembro. Há 57 pacientes internados (27 em UTI), enquanto no início do mês eram 39 (22 em UTI).

São números relativamente baixos, considerando que Alto Paraná tem mais de 830 mil habitantes e que Foz do Iguaçu, com 258 mil, tem 821 casos ativos, dos quais 126 internados e 695 em isolamento domiciliar.


ARGENTINA DESCE NO RANKING. PAÍSES EUROPEUS VOLTAM AO TOPO

A área metropolitana de Buenos Aires é a mais afetada pela pandemia. Foto Agência Télam

Mesmo com a maior mortalidade do mundo, atrás apenas do Peru, a Argentina perdeu posição no ranking mundial. Em casos, foi ultrapassada agora por mais um país europeu, a Espanha.

Mas, em mortes, permanece em 11º, atrás de Estados Unidos, Brasil, Índia, México, Reino Unido, Itália, França, Irã, Espanha e Rússia, países que meses atrás estavam no topo, caíram e voltaram, já na “segunda onda” da pandemia.

A Argentina, no balanço de sexta-feira, elevou para 1.489.328 o total de casos confirmados e para 40.606 o de óbitos.

O Ministério de Saúde informou que há 3.620 pacientes internados em terapia intensiva. A ocupação de leitos de adultos está na média de 55,3% no país e de 60,1% na Área Metropolitana Buenos Aires. Em relação aos leitos, uma situação que tem se mantido mais ou menos semelhante, nas últimas semanas, e até confortável.

NO MUNDO, PIOR CRISE ECONÔMICA EM 80 ANOS

ONU alerta para o empobrecimento e a fome no mundo. Foto Agência Télam

O secretário geral das Nações Unidas, o português António Guterres, alertou esta semana que o mundo pode enfrentar a pior deterioração econômica em 80 anos, por causa da pandemia, principalmente porque os governos deram à doença uma resposta “desordenada e caótica”.

“Enfrentamos a maior recessão em oito décadas, cresce a pobreza extrema, aproxima-se a ameaça de fome”, disse.

E acrescentou que “nenhuma vacina poderá corrigir o dano que já foi causado”, acrescentou, ao criticar as medidas “fragmentadas e caóticas dos governos ante a emergência sanitária”.

Para ele, faltou dos governo uma resposta conjunta à ameaça global. Ele disse ser a favor de uma reforma do Conselho de Segurança para reforçar o multilateralismo e corrigir “as desigualdades, que estão na raiz das relações mundiais atuais”, conforme matéria publicada na agência Télam.

Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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