No Paraná, cai morte por covid, mas ocupação de leitos ainda é crítica

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Para o Brasil como um todo, uma notícia positiva: a taxa de ocupação de leitos de UTI para covid-19 é a mais baixa desde meados de fevereiro.

É o que aponta o último boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na quarta-feira, 30.

Mas a notícia não é boa para o Paraná, que está com a maior taxa de ocupação de leitos de UTI entre todos os estados brasileiros: 94%.

Esta taxa deixa o Paraná na zona de alerta crítico. Estão na mesma situação Santa Catarina (92% de ocupação) e Tocantins (90%).

Embora com índices mais baixos, há outros quatro estados na mesma zona crítica, com ocupação de leitos de UTI entre 80% e 89%.

Já outros 15 estados estão na zona de alerta intermediário, quando a ocupação está entre 60% e 80%.

E quatro estão fora da zona de alerta, com indicadores abaixo de 60%.

Entre os estados na zona crítica, a situação do Paraná é a pior. Mapa: Fiocruz

POR REGIÃO DO PR

Os dados utilizados pela Fiocruz são do dia 28 de junho.

A informação mais recente  da Secretaria de Estado da Saúde mostra que houve uma ligeira redução no índice de ocupação de leitos de UTI.

Na quinta-feira, 1, quando foi divulgado o último boletim sobre o coronavírus, a taxa estava em 92%.

Por região do Estado, a pior situação é a do Oeste (97% de ocupação).

Depois, vêm Noroeste (94%), Leste e Norte (ambas com 91%).

Para “compensar”, as quatro regiões estão com média móvel de casos em queda. No Oeste, na comparação com duas semanas atrás, a diminuição foi de 18,73%.

CASOS E MORTES

O Paraná não mudou sua posição no ranking da covid-19, nas últimas semanas. Quadro: Ag Brasil

Essa redução no Oeste é inferior à média paranaense. No Estado, a queda foi de 22,4% na semana até quinta-feira, 1.

É mais expressiva ainda a diminuição nos óbitos: foi de 35,85% na última semana, em relação há 14 dias.

Com os dados divulgados na quinta, o Paraná totaliza 1.285.929 casos (6,9% do total de casos registrados no Brasil até ontem – 18.557.141).

Quanto aos 30.770 óbitos paranaenses, representam 5,9% das 518.066 mortes registradas até quinta no Brasil.

Isto é, a letalidade no Paraná é mais baixa que a média brasileira.

E é por isso que o Paraná está em 3º no ranking brasileiro de casos e em 5º no ranking de óbitos.

VACINAÇÃO, MAS ALERTA

A vacinação já mostra resultados, no Paraná e no Brasil. Foto Gilson Abreu/AEN

O estudo da Fiocruz destaca que “a vacinação começa a dar sinais de resultados positivos de forma mais sensível com a ampliação da cobertura de grupos etários de menos de 60 anos”.

A situação dos leitos de UTI, “que atingiu o nível máximo de sobrecarga e colapso em meados de março de 2021, parece ir se consolidando em patamares melhores”, diz o estudo.

A campanha de imunização do Ministério da Saúde já entregou aos estados 135 milhões de doses de vacinas.

Desse total, 102,2 milhões de doses foram aplicadas, das quais 74,9 milhões da 1ª dose e 27,3 milhões da 2ª dose e dose única (o que ocorre no caso da Janssen).

No Paraná, das 8.720.953 pessoas acima de 18 anos, pelo cálculo do Ministério da Saúde, 4.360.477 já receberam até esta sexta-feira (2) a primeira dose ou a vacina em dose única.

O número equivale a 50,86% do total da população vacinável, termo técnico que designa o grupo geral de adultos.

Além disso, o total de pessoas que completaram sua imunização – os paranaenses que já receberam a segunda dose ou a dose única – chega a 15,78% da população vacinável.

Apesar de a vacinação ter avançado no Brasil e já mostrado alguns resultados, a Fiocruz destaca que o cenário ainda é de “predominância de algum alerta, requerendo cuidados para evitar nova piora”.

RECOMENDAÇÕES

A situação crítica em relação à ocupação de UTI está bem melhor atualmente, como mostra o mapa da Fiocruz. Confira pelas datas. Mas ainda há estados na zona críticas, entre os quais o Paraná.

Para estados e municípios onde a taxa de ocupação de leitos de UTI é de 85% ou mais, a Fiocruz faz três tipos de recomendações, que devem ser adotadas em conjunto.

São elas:

– medidas não farmacológicas, para reduzir a propagação do vírus e o contínuo crescimento de casos;

– medidas relativas ao sistema de saúde, para aliviar a sobrecarga dos serviços e reduzir a mortalidade hospitalar por covid-19;

– e políticas e ações sociais, para mitigar os impactos sociais e sanitários da pandemia, principalmente nas populações mais vulneráveis.

BLOQUEIOS E RESTRIÇÕES

A Fiocruz, para as medidas não farmacológicas, sugere restrição de todas as atividades não essenciais, por um período de 14 dias.

Com monitoramento diário para avaliar impactos da redução de casos e da ocupação de leitos.

Junto com as medidas de bloqueio de atividades, devem ser adotadas medidas de mitigação.

Entre elas, reforço ao distanciamento físico e social, higienização de diferentes locais de circulação e trabalho e uso de máscaras (pelo menos 80% da população devem utilizá-las de modo adequado, diz o estudo).

Em relação às políticas sociais, a Fiocruz observa que “o aumento da pobreza e da miséria, com elevação nos indicadores de segurança alimentar e da fome, são questões fundamentais de saúde pública e de enfrentamento da pandemia”.

Essas medidas devem ser combinadas com um plano nacional de recuperação econômica e proteção social, que inclui políticas de geração de emprego e renda.

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