Num agosto amargo, Paraguai triplica casos de covid. Mortes se multiplicam por 6

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

31 de julho: 5.338 casos confirmados e 47 mortes.

31 de agosto: 17.662 casos confirmados e 326 mortes.

Os dados do Ministério de Saúde Pública do Paraguai revelam que a pandemia começa a cobrar um preço alto demais para o país. São três vezes mais casos e seis vezes mais mortes em um mês do que o acumulado desde a chegada do vírus ao Paraguai, em março.

Havia na segunda-feira, 31, 398 pacientes internados, dos quais 83 em unidades de terapia intensiva. Os departamentos de Alto Paraná (cuja capital é Ciudad del Este) e Central somam 64% dos casos no país, praticamente a metade disso em cada um.

Tristeza na área de saúde

Pra completar o agosto aziago, no domingo, 30, morreu em Ciudad del Este o único neurocirurgião do município, Carlos María Domínguez, depois de permanecer um mês internado na UTI.

Na segunda-feira, 31, mais um médico perdeu a batalha contra o vírus. O chefe da Terapia Intensiva da Fundação Tesãi, Jorge Bordón, teve covid e permaneceu 14 dias em isolamento. Reincorporado à trincheira contra a doença, dez dias depois teve uma crise hipertensiva e um AVC, contou o diretor da 10ª Região Sanitária do Paraguai, Jorge Kunzle.

Ele informou que há 90 profissionais de saúde, na Regional de Saúde de Alto Paraná, que “estão fora de combate”, depois de dar positivo à covid-19. Desse total, 30 são médicos e o restante se distribui entre enfermeiros, pessoal administrativo, da limpeza e carregadores de maca, entre outros, segundo entrevista que concedeu ao Última Hora.

Homenagem a um foi para dois

No momento da homenagem, a notícia de que mais  um médico havia morrido. Foto La Nación

Médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde que faziam uma homenagem póstuma ao dr. Carlos María Domínguez, na segunda-feira (31) de manhã, no Hospital Regional de Ciudad del Este, tiveram ali mesmo outra notícia chocante: a morte do terapista Jorge Bordón.

Durante a semana, já havia morrido uma enfermeira por covid-19. Em todo o país, segundo a Vigilância da Saúde, 5% dos caos confirmados correspondem ao pessoal que atua no atendimento sanitário. Até 20 de agosto, segundo o jornal La Nación, havia 620 casos entre os trabalhadores de saúde, 26% dos quais eram médicos, 35% que atuam em enfermarias e 3% bioquímicos.

Apelo do presidente

O presidente Mario Abdo Benítez fez um chamado à população no sentido de extremar cuidados na luta contra a pandemia, que fez 277 mortos só em agosto.

Segundo o site Infobae, o presidente advertiu que os hospitais estão mais exigidos do que nunca, embora o sistema tenha respondido bem até agora à demanda de leitos de terapia intensiva.

“É um vírus que vamos descobrindo diariamente, e o melhor remédio é a consciência e o compromisso cidadão de fazer o que sabemos que funcionou, a mitigação do vírus respeitando os protocolos sanitários para que este setembro seja um mês em que comece a abrandar a propagação”, disse Abdo.

Colapso do sistema de saúde

O risco é de o sistema entrar em colapso “em dez dias”, ao ritmo atual da demanda. Foto Ministério de Saúde do Paraguai

Se o ritmo de contágio de covid-19 não diminuir e permanecer como foi em setembro, o sistema de saúde do Paraguai pode entrar em colapso em apenas dez dias, advertiu o vice-ministro de Atenção Integral à Saúde, Julio Borba, de acordo com La Nación.

“Se continuamos com esta curva ascendente, em menos de dez dias poderíamos colapsar. Não quero fazer adivinhologia, mas temos um grande aumento de consultas e internações”, alertou.

O grande problema é que o Paraguai poderia acrescentar entre 30 e 40 leitos a mais nas unidades de terapia intensiva dos hospitais públicos, explicou Julio Borba, por falta de profissionais qualificados.

Os sindicatos de médicos e as sociedades científicas do Paraguai já fizeram alertas sobre os riscos de um colapso na precária saúde pública do Paraguai.

O ministro de Saúde Pública, Julio Mazzoleni, mantém reuniões desde a semana passada com essas entiddes para tentar melhorar o cenário. Segundo ele, o setor de saúde “se encontra ante uma altíssima exigência” por conta do considerável aumento de casos.

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