Vetado, vetado, vetado. Até o decreto expirar.

Toque de recolher impede iguaçuense de ir ao Paraguai no sábado à noite e no domingo. Atrativos, só pra turistas

Não precisou fechar a fronteira, como alguns pensavam que a Prefeitura de Foz do Iguaçu faria (não pode, é prerrogativa do presidente da República). Bastou baixar decreto proibindo a circulação de pessoas entre as 18h de sábado e as 5h de segunda-feira (15).

Falamos sobre isso em matéria anterior: Comerciantes de Ciudad del Este temem o fechamento da Ponte da Amizade

Decreto da Prefeitura restringe totalmente a circulação, mas não “fechou” a Ponte. Nem poderia, mesmo.

Mas, se não pode circular em Foz, ninguém irá também a festas em Ciudad del Este, no sábado à noite (mesmo porque lá também há fiscalização para aglomerações); e nem poderá ir ao Paraguai fazer compras no domingo. A fiscalização da Prefeitura estará atenta à movimentação de pessoas.

Já os paraguaios, a não ser por alguma necessidade, também não virão a Foz, já que aqui estará tudo fechado, com exceção de farmácias e postos de combustível (relação completa está abaixo). E, claro, os atrativos turísticos funcionam, pra não decepcionar os visitantes que adquiriram pacotes bem antes de a situação em Foz se complicar.

Destacando: os atrativos turísticos serão exclusivos para turistas. Iguaçuenses não terão acesso a eles. E quem for flagrado rumo às Cataratas ou à usina de Itaipu, por exemplo, será multado. Vale o “fique em casa”, mesmo!

PODE OU NÃO?

Salete Horst: turistas vieram para conhecer atrativos. Eles poderão circular, neste domingo. Foto AMN

Em entrevista à RPC de Foz, no Meio Dia Paraná, a secretária municipal da Fazenda, Salete Horst, falou sobre os atrativos – exclusivos pra turistas – e respondeu a outras dúvidas de espectadores. Se forem também as suas dúvidas, veja o que ela disse sobre alguns motivos que as pessoas vão alegar para sair.

Trabalho. Uma espectadora disse que trabalha como cuidadora de idoso até 20h de sábado. Pode circular neste horário, no retorno pra casa? Pode. Mas tem que apresentar uma declaração do idoso ou da família dizendo a função que ela exerce.

Uma babá também voltaria para casa depois de o decreto entrar em vigor. Sem problemas? Neste caso, não é considerado serviço essencial, de atendimento à saúde. Não pode.

Viagem. Uma terceira pessoa contou que viaja às 20h de sábado e tem que pegar um carro de aplicativo pra ir ao aeroporto. Pode? Claro, basta apresentar o comprovante de passagem à fiscalização.

Essenciais. Se precisar de farmácia, ir a um posto de gasolina, se seu trabalho está entre as atividades essenciais, a circulação é permitida.

Quer dizer, vale o bom senso. Tanto do cidadão quanto do fiscal que o abordar.

REDUZIR CIRCULAÇÃO

A intenção do decreto é reduzir o máximo possível a circulação de pessoas para que, por consequência, seja reduzida também a circulação do vírus da covid-19, cuja atividade não para nunca, mas pode dar uma freada importante neste momento em que a pandemia está num pico, em Foz do Iguaçu, no Paraná e no Brasil.

Considerando as seis mortes do último boletim da Vigilância Epidemiológica – Foz do Iguaçu registra 6 mortes por covid-19 em 24 horas -, o total sobe para 65 óbitos nesses primeiros 11 dias de março. Quase 6 mortes por dia. É muito! É desesperador!

E muito mais gente vai morrer se o vírus não for contido, porque os hospitais estão no limite de ocupação, o que significa que daqui a pouco o atendimento normal ficará inviabilizado.

Medidas são pra evitar que mais pessoas da cidade mostrada na parte mais alta da foto venham para a cidade da parte mais baixa. Foto Marcos Labanca

SEM FESTAS, POR FAVOR!

Claro que alguns poucos insensíveis, que não têm empatia, poderão pensar: “bom, se não dá pra sair, vou fazer uma festa aqui em casa”.

Ou: “vou pra chácara de fulano antes de ser proibida a circulação, e lá a gente se esbalda”.

Ou ainda: “enquanto não entrar em vigor a restrição de horário, vou pra cachoeira com minha turma”.

Mas as forças de segurança de Foz do Iguaçu já sabem desses planos. E estarão atentas à aglomeração em cachoeiras, devido às denúncias já recebidas, e também vão reforçar a vigilância sobre moradias e chácaras.

Autoridades definidas pra decidir como será a fiscalização. Foto AMN

Houve até uma reunião pra discutir as ações, entre os órgãos envolvidos. Veja quem participa das operações de fiscalização: Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros, Foztrans, Secretaria da Fazenda, Vigilância Sanitária e Poder Judiciário.

Mas tem mais gente fiscalizando: a população inteira. E vai denunciar os abusos pelo telefone 199 ou pelo aplicativo 156. Denúncias sobre aglomerações ou qualquer outro descumprimento às medidas previstas nos decretos municipal e estadual em vigor podem – e devem – ser feitas por esses canais.

MULTAS GENERALIZADAS

Um balanço da Prefeitura mostra que, só na semana passada, foram aplicadas 54 multas para pessoas pegas em flagrante em festas clandestinas ou em estabelecimentos com aglomerações. Ou, ainda, circulando depois das 20h sem motivo essencial comprovado. Dois estabelecimentos com aglomerações foram fechados.

Na quarta-feira, 11, as equipes de fiscalização autuaram 11 pessoas que circulavam sem utilizar as máscaras faciais.

Os fiscais estão nas ruas. Quer se arriscar a levar uma multa? É pesadinha, hein? Depois, não reclame. Ah, se você cumpre os protocolos, é uma pessoa consciente e tem empatia, esqueça todos os recados e veja apenas o que pode ou não fazer, pra não incorrer em erro involuntário.

Pra resumir: só pode circular com motivo essencial comprovado entre 18h de sábado e 5h de segunda-feira.

Serviços que podem funcionar (por extensão, quem está a caminho ou no retorno pra casa depois da atividade nesses serviços também poderá circular):

Urgência e emergência de assistência médica humana e animal

Serviços de assistência social

Serviços funerários

Serviços de fiscalização

Provedores de comunicação e internet

Transporte privado de passageiros (somente para atender atividades essenciais)

Atrativos turísticos e meio de hospedagem

Transporte turístico

Postos de Combustíveis

Entrega de alimentos prontos

CONCLUSÃO

Pra que tudo isso, não é mesmo? Bastam duas doses de vacina anti-covid e todo mundo pode voltar a festejar, a se abraçar, se beijar e tudo o mais. Mas… e sempre há um mas – não há vacinas. Não só no Brasil, como em outros países.

Alguns países, como o Brasil e o Paraguai, porque seus governos “bobearam”. Outros, porque a vacina está escassa.

É isso o que falta. Literalmente. Foto AMN

E, falar em escassez, veja que triste: Foz do Iguaçu parou de vacinar, nesta sexta,  porque simplesmente as vacinas acabaram.

Confira: Vacinação de pessoas com mais de 75 anos é suspensa em Foz

Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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