Veja como é lento o progresso da vacinação contra covid-19, no Brasil e nos vizinhos

Os três vizinhos – Brasil, Paraguai e Argentina – caminham lentamente no processo de imunizar suas populações contra a covid-19, que matou mais 1.152 brasileiros nas 24 horas até sexta-feira (recorde desde o início da pandemia), 92 argentinos e 17 paraguaios.

Mesmo quem está numa situação melhor, em relação à população imunizada, continua com índice muito baixo. De acordo com o portal Our World in Data, o Brasil vacinou 3,81% de seus habitantes; a Argentina, 2%; e o Paraguai apenas 0,01%.

Detalhe: o Brasil completa um ano desde o primeiro caso registrado de covid-19, no final de fevereiro de 2020.

POUCOS IMUNIZADOS

No Paraguai, é até triste. Chegaram na semana passada apenas 4 mil doses da vacina russa Sputnik V, suficientes para vacinar 2 mil profissionais de saúde que atuam em UTIs. Até agora, somente 1.300 receberam a primeira dose. Poucas vacinas, muita lentidão.

O ministro paraguaio anuncia a vinda de vacinas, a conta-gotas. Foto: Agência IP

O ministro de Saúde Pública, Julio Mazzoleni, informou na sexta-feira que a Organização Panamericana de Saúde, por meio do mecanismo Covax, confirmou o envio de 304.800 vacinas entre até maio. Até o final de março devem chegar 36 mil doses de AstraZeneca, por meio do Covax.

A expectativa do Paraguai é contar com ao menos 7,3 milhões de doses até o final de 2021. Já foi confirmada a compra de um milhão de doses da Sputnik V e, até o final do ano, espera-se receber, pelo mecanismo Covax, 4 milhões de doses. Se conseguir esses números, para uma população de 7,3 milhões de habitantes, o Paraguai ficará relativamente bem.

MAIS SPUTNIK V

Os aviões já pousaram em solo russo. Foto Agência Télam

Na Argentina, dois aviões da Aerolíneas Argentinas pousaram na manhã deste sábado em Moscou, para buscar mais vacinas russas. Desde dezembro, a empresa aérea trouxe quase 1,5 milhão de vacinas Sputnik V, além de um carregamento de 904 mil doses de vacina produzida na China.

Para uma população de mais de 45 milhões de habitantes, é pouco. Mas isso mostra a dificuldade de os países conseguirem adquirir vacinas, quando o mundo inteiro está atrás delas e os laboratórios não têm capacidade suficiente para atender todos os pedidos.

A boa notícia é que o laboratório argentino Richmond firmou um acordo com o Fundo Russo de Investimento Direto para produzir a Sputnik V no país, com tecnologia transferida elo laboratório indiano Hetero.

Mas o próprio laboratório Richmond diz que não dá para criar expectativas agora, já que até a produção o processo todo deve levar pelo menos um ano, o que inclui a construção de um edifício exclusivo para a fabricação da vacina.

O laboratório informou, também, que a produção local poderá garantir, no futuro, novas vacinas contra mutações do novo coronavírus, que estão ocorrendo em vários países, inclusive no Brasil.

INSUMOS PARA A FIOCRUZ

A vacina da Oxford-AstraZeneca, produzida pela Fiocruz, utiliza insumos fabricados na China. Foto Tânia Rego/Agência Brasil

O Brasil, que “bobeou” no início, quando podia já ter garantido a compra de um bom lote de imunizantes, agora corre atrás do prejuízo (aliás, uma expressão boba; corre-se atrás do lucro, da vantagem, não atrás do prejuízo. Mas o ditado é assim).

Neste sábado, deve chegar ao Rio de Janeiro uma carga com Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) suficiente para fabricar 12,2 milhões de doses de vacinas. A carga será para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que vai produzir a vacina Oxford-Astra Zeneca.

Essa quantidade de insumos, segundo a Agência Brasil, complementa o total necessário para a produção das 15 milhões de doses da vacina previstas para março. O primeiro lote de IFA chegou à Fiocruz no último dia 6 e é suficiente para 2,8 milhões de doses, que já estão sendo processadas.

Segundo a Fiocruz, ela deve receber lotes de IFA, até junho, suficientes para a produção de 100,4 milhões de doses da vacina.

Em relação aos vizinhos, a vantagem do Brasil é que tem dois laboratórios para produzir vacinas, o do Butantan e o da Fiocruz. Já a desvantagem é que precisa importar insumos da China, principalmente, que fornece para outros laboratórios no mundo – a exemplo do que faz a Índia. E, aí, a concorrência é braba.

Resumo da ópera: vivemos agora um novo auge da pandemia, no Brasil, e há pressa de que tenhamos as vacinas. Mas não se faz milagre. É torcer para que pelo menos os planos dos dois produtores brasileiros de vacinas deem certo. E que possamos importar mais, seja de onde for.

NÚMEROS DA COVID

Com o novo recorde de mortes diárias, o Brasil registra o total de 252.835 mortes, quase o equivalente à população inteira de Foz do Iguaçu (258 mil). Os casos chegam a 10.455.630.

Na Argentina, a pandemia matou 51.887 pessoas. Os casos somam 2.098.728.

O Paraguai tem 157.603 casos confirmados e registra 3.152 mortes.

Nenhum dos três países pode ficar tranquilo com esses números.

Fontes: Agência Brasil, Agência Télam, Agência IP, La Prensa e Última Hora

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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