IDH municipal mais alto e informalidade: desafios e perspectivas para Foz frente às cidades de fronteira

Entrevista com Luciano Barros no programa Marco Zero - Foto: Carlos Sossa

Dados socioeconômicos e cenários fronteiriços foram abordados pelo presidente do IDESF, Luciano Stremel Barros, no programa Marco Zero.

Partindo da ideia de que se faz necessário conhecer a realidade para modificá-la, o Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF), com sede em Foz do Iguaçu, lançou uma plataforma on-line com dados socioeconômicos de 588 cidades fronteiriças do país. Essas localidades estão a 150 quilômetros da faixa de fronteira, que se estende por 11 estados pelo território brasileiro.

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Presidente do instituto, Luciano Stremel Barros esmiuçou parte desse amplo levantamento em entrevista ao programa Marco Zero, produção do H2FOZ e da Rádio Clube FM. As informações foram extraídas de fontes oficiais, principalmente de ministérios, e podem ser acessadas por qualquer pessoa interessada (clique aqui).

O Marco Zero é um programa conjunto produzido pelo H2FOZ e Rádio Clube FM. Entrevista, opinião, enquete, entretenimento, esporte, cultura e agenda. Todo sábado, das 10h às 12h. Participe do grupo no Whatsapp para receber as novidades. Clique aqui.

Assista à entrevista:

O trabalho é um desenvolvimento do estudo que o IDESF lançou em 2013 sobre a realidade econômica e social das cidades gêmeas de fronteira, que na época eram 30. Nesse novo painel de indicadores, com uso da ferramenta de Business Intelligence (BI), é possível consultar por município, acessar gráficos e índices globais e fazer comparativos entre as cidades.

Na entrevista, Luciano destacou que o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de Foz do Iguaçu é de 0,75, maior do que a média dos 588 municípios da faixa de fronteira, que chega a 0,69. Essa referência contempla educação, longevidade e renda, e quanto mais perto de 1 mais aproxima-se do indicador ideal.

Por outro lado, contextualiza o presidente do IDESF, o trabalho informal segue sendo um desafio iguaçuense. “Os últimos dados que observamos da população economicamente ativa de Foz do Iguaçu mostraram que mais de 50% desse contingente, que vai dos 15 aos 65 anos, estavam trabalhando em atividades informais”, refletiu.

Ainda de acordo com Luciano Barros, não foi possível fazer uma “leitura pós-pandêmica, por isso esses dados podem ser diferentes, quem sabe para uma piora”, analisou. Para ele, a cidade está passando por um momento de mudança de perfil, o que “não acontece em um estalar de dedos, pois a evolução social é lenta”, declarou.

“Vamos ver como será esse cenário, eu acho que terá muita oportunidade de trabalho”, defendeu. “Ele deverá ser organizado para que os governos consigam fazer leituras rápidas, e a iniciativa privada também, para poder absorver essa mão de obra ociosa que conhece a região, sabe das potencialidades, já operou aqui”, frisou.

Na sua opinião, Foz do Iguaçu é privilegiada em relação a outras cidades de fronteira, pois conta com as Cataratas do Iguaçu, Itaipu Binacional, condições logísticas, comércio internacional, turismo e comércio pujantes, e todas as agências de Estado têm representações locais. “Vem um novo momento com esses investimentos que estão sendo realizados e os novos mercados que estão se abrindo. Foz do Iguaçu tem uma posição espetacular”, apostou Luciano Barros.

Fronteiras e seus desafios

Ao programa Marco Zero, o presidente do IDESF detalhou que nas 588 cidades, distribuídas por 16,8 quilômetros de fronteira, são aproximadamente 11,5 milhões de habitantes e uma população ativa de mais de oito milhões de pessoas. “É uma população jovem, e isso prova que temos um desafio gigante pela frente”, ponderou.

Nesse contexto, a educação é peça crucial, avaliou. “A educação é quase um mecanismo de distribuição porque o conhecimento não fica parado; quando ele é adquirido se transforma pelo exemplo e pela relação com o próximo. Traz uma agenda construtiva e do bem, que só a partir dessa base é que vamos ter condição de ter mais engenheiros, mais médicos e mais profissionais capazes de enfrentar o mercado de trabalho e ser agentes de modificação regional”, sublinhou Luciano Barros.

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Paulo Bogler - H2FOZ

Paulo Bogler é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.