Mariana Hernandes em entrevista ao programa Marco Zero - Foto: Carlos Sossa

Prevenção do suicídio: ‘esperançar’ outra pessoa com ação e empatia

Voluntária do Centro de Valorização da Vida em Foz, Mariana Hernandes aborda o Setembro Amarelo e como apoiar quem precisa de ajuda.

O assunto ainda é considerado tabu, mas os números são alarmantes. No ano passado, ocorreram 12.895 suicídios no Brasil – ante 12.745 em 2019 –, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o que representa uma ocorrência a cada 41 minutos. Diante dessa realidade, o Setembro Amarelo é um mês inteiro dedicado à preservação da vida, e 10 de setembro marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Assista à entrevista:

A importância de cuidar da saúde mental é todos os dias, e o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece serviço gratuito para ouvir pessoas em momentos de crise, nas 24 horas do dia e nos 365 dias do ano. O programa Marco Zero, produção do H2FOZ e da Rádio Clube FM, entrevistou a voluntária Mariana Hernandes.

O Marco Zero é um programa conjunto produzido pelo H2FOZ e Rádio Clube FM. Entrevista, opinião, enquete, entretenimento, esporte, cultura e agenda. Todo sábado, das 10h às 12h. Participe do grupo no Whatsapp para receber as novidades.  https://bit.ly/3ws5NT0

A escuta fraterna é feita pelo telefone 188, por chat ou e-mail (acesse “Quero Conversar”), sendo totalmente sigilosa e sem gravação da conversa. Uma das organizações não governamentais mais antigas do país, que completará 60 anos em 2022, o CVV conta com um posto em Foz do Iguaçu, que reúne 13 voluntários.

“O Setembro Amarelo é fundamental para se quebrar com o tabu em torno do suicídio, pois assim se buscam maneiras de prevenção, de colocar a população a par e criar um ambiente mais seguro e acolhedor para tratar sobre o tema”, afirmou Mariana. Esses tabus vão desde a religião aos limites estabelecidos por famílias impactadas por casos de suicídio, elencou.

“O que a gente pode fazer? Escutar empaticamente.”

Conforme a voluntária do CVV em Foz do Iguaçu, as pessoas em geral dão sinais em relação ao suicídio, demonstrações que podem ser muito sensíveis e até imperceptíveis. “É necessária a colaboração de todos ao perceber que uma pessoa não está legal. O que a gente pode fazer? Escutar empaticamente”, sublinhou Mariana.

“A gente pode escutar e apoiar livre de julgamentos, não criticar e não dar conselhos do tipo ‘comigo é muito pior’. É necessário criar um ambiente em que a pessoa se sinta confortável para falar da dor que está sentido”, explicou.

Neste ano, o tema do Setembro Amarelo é: “Criando esperança por meio da ação”. “A mensagem quer dizer que todas as pessoas podem ‘esperançar’ alguém, com escuta amorosa ou olhar atento. É ajudar o outro por meio da ação”, exemplificou a voluntária do Centro de Valorização da Vida.

Tornar-se mais inclusivo e olhar para as pessoas que estão ao redor, em casa, no trabalho ou no círculo de amizades, para perceber que alguém passa por dificuldade, deve ser preocupação diária. “A partir no momento que passamos a agir, a olhar com atenção às pessoas que estão ao nosso redor, abrimos uma porta para deixá-las desabafar aquilo que no momento está muito difícil. Todo dia ruim pode ser seguido por outro bom”, relatou.

Em todo o país, o CVV realiza nove mil atendimentos diários e quase três milhões por ano. De acordo com Mariana Hernandes, o número de ligações não sofreu grande impacto no período pandêmico. “Mas percebemos que o assunto da pandemia tornou-se muito presente nos atendimentos, é um tema que traz muita ansiedade, expectativa e medo entre as pessoas”, concluiu

Outros dados

No Paraná, os suicídios aumentaram 9,1% em 2020, na comparação com o ano anterior, passando de 629 para 691 casos, sendo o estado o 16º com o maior número de registros entre as unidades da federação. Esses dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021.

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos. Para cada caso, há mais pessoas que tentam o suicídio. Em relação às ocorrências mundiais, 79% dos suicídios são em países de baixa e média renda, embora aconteçam em todas as regiões. O suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos.

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Paulo Bogler - H2FOZ

Paulo Bogler é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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