Comunidade indígena promove turismo de experiência na Tríplice Fronteira

Antiga casa de oração - Foto Amilton Farias
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Cultura, saberes, arte, gastronomia, contato direto com a fauna e flora e muito mais dentro do passeio.

Quando se fala de turismo, lembramos sempre os grandes centros e as magníficas estruturas. Visitar uma aldeia indígena para conhecer os costumes e saberes dos povos ancestrais é algo que sempre existiu, e a cada dia mais o mundo está buscando esse tipo de turismo que leva as pessoas a terem mais contato com a natureza e consigo mesmas.

Esse modelo de turismo tem tomado força em todo o mundo; a necessidade de se conectar com o outro, com si mesmo e com o ambiente faz o ser humano buscar novas formas de turismo, e nada melhor que o contato com a natureza, com os saberes e com o conhecimento dos nossos ancestrais para chegarmos ao ponto de equilíbrio e até mesmo reconectarmo-nos conosco.

O contato dos turistas com essas comunidades é uma verdadeira experiência humana que faz o visitante conhecer realidades muito pouco vista no dia a dia.

A região da fronteira é rodeada por comunidades prontas para receber pessoas. Após incentivo do governo com cursos e orientações, diversas lideranças indígenas fizeram cursos de guia de turismo, e isso gerou um aumento total das visitas e alta procura. 

No último fim de semana, pudemos acompanhar um grupo de pessoas que decidiram fazer uma dessas visitas a uma das comunidades da região, e foi uma verdadeira conexão e quebra de paradigmas.

Quando chegamos à comunidade Mbya Guarani, em Puerto Iguazú, Argentina, o grupo foi recebido com muita alegria pelo guia indígena Alberto, cujo nome de origem é Kuaray Miri, que significa: proveniente del sol.

Kuaray contou que aquele lugar antes era de mais de 600 hectares e que aproximadamente 20 anos atrás o governo retirou suas terras e as entregou para grandes corporações, que prometeram gerar emprego e renda às comunidades, coisa que nunca aconteceu. Ao contrário, construíram grandes estruturas, exploram tudo o que a mata produz e vendem seus pacotes como se fossem hotéis ecológicos, secaram e desviaram rios, prejudicando a pesca e a lavoura das comunidades. O governo os deixou apenas com 30% da terra, que é dividida por cinco comunidades indígenas.

Kuaray levou o grupo por uma trilha da Mata Atlântica até um lugar de visitação de pássaros. Em cada passo do percurso de ida e volta, ele falava da vida em aldeia, das experiências, dos desafios e da importância do cuidado com a natureza.

Chegamos a uma cabana alta, da qual com binóculos o turista consegue ver diversas espécies de pássaros nativos. Esse local de visitação antes era um banhado com diversos tipos de animais de várias espécies e pássaros, que foi destruído por uma das corporações que queria construir um campo de golfe, jogou veneno na terra e desmatou, acabando com toda a vegetação do lugar. Depois abandonou.

A comunidade trabalha para recuperar a terra e criou nesse local o espaço de visitação, onde os turistas desfrutam um verdadeiro show da natureza, podendo ver diversos tipos de pássaros.

No retorno você é recebido por uma linda fogueira e com uma mesa repleta de comidas típicas. Parte dos pratos é feita de milho, sendo alguns dos alimentos preparados na hora e assados na própria fogueira por uma das anciãs da comunidade.

Além da gastronomia, você encontra artesanatos dos mais diversos, feitos todos à mão e pela própria comunidade.

Sob a Lua e ao redor da fogueira, o guia conta histórias, relatos, responde a perguntas dos visitantes, em uma verdadeira viagem ancestral, de conhecimento e saberes em um luau com músicas e danças típicas.

Que tal viver uma experiência de conexão com a cultura Guarani Mbya por meio de uma cerimônia da lua cheia?

Para passeios e trilhas na natureza dentro da Mata Atlântica é importante sempre levar:
– água;
– repelente;
– calça e sapato fechado;
– boné/chapéu;
– protetor solar;
– bermuda;
– chinelo em uma toalha; e
– mochila pequena.

Exigências sanitárias:
– carteira de vacinação completa com pelo menos as duas doses há mais de 14 dias;

Documentos exigidos para cruzar a fronteira:
– documento de identidade (RG) ou passaporte.

Contato para fazer parte do próximo grupo para viver a experiência:

Lets go Iguassu
Instagram:
https://www.instagram.com/letsgoiguassu
Telefone/WhatsApp: bit.ly/letsgoiguassu

Artesanato tradicional feito à mão – Foto: Amilton Farias
Dança ao redor da fogueira – Foto: Amilton Farias
Espaço de visitação de pássaros Foto: Diogo Marcel
Gastronomia típica doce e salgada de milho feita pelas anciãs da aldeia – Foto: Diogo Marcel
A comunidade é habitada por 124 pessoas entre elas 64 crianças, adolescentes e jovens e quatro anciãos – Foto: Diogo Marcel
Terra devastada pelas grandes coorporações que a comunidade trabalha na recuperação da mata – Foto: Amilton Farias
Lugar de visitação de pássaros – Foto Claudio Siqueira

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Amilton Farias - H2FOZ

Amilton Farias é jornalista e colaborador do H2FOZ E-mail: [email protected] Veja mais conteúdo do autor.

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