Com poucas vacinas, quem tem direito a se imunizar se sujeita a filas, mas sem garantia de que haverá doses. Foto Última Hora

Pandemia se agrava no Paraguai e na Argentina, que retoma lockdown

A situação da pandemia, nos três países vizinhos, é cada vez mais preocupante. Mesmo na Argentina, que desde a entrada do coronavírus no país, adotou medidas restritivas rigorosas.

O Ministério de Saúde do Paraguai informou nesta quinta, 20, a ocorrência de 98 óbitos provocados pela doença. E, ainda, um número recorde de casos diários nas 24 horas até quinta-feira, 20: 3.031.

Outros indicadores perigosos: há 3.555 pessoas internadas, das quais 584 em terapia intensiva. A ocupação de leitos de UTI está em 100%, com 100 a 150 pacientes esperando por uma vaga.

Com os números de quinta, o Paraguai soma agora 324.063 casos confirmados, desde o início da pandemia, e 8.012 óbitos. Proporcionalmente, os dados acumulados estão longe dos registrados no Brasil, mas os óbitos dos últimos dias, também proporcionalmente, são um pouco superiores, enquanto os casos se igualam.

Mais uma vez, entre os óbitos há muitas pessoas mais jovens. Dos 98, nove tinham entre 20 e 39 anos, 33 entre 40 e 59 anos e 56 tinham mais de 60.

O drama no Paraguai é ainda maior porque apenas 3,37% da população receberam ao menos uma dose de vacina anti-covid, índice inferior apenas ao da Venezuela, na América do Sul (1,1%).

O jornal Última Hora informa que a Vigilância da Saúde do Paraguai prevê que a situação vai piorar entre junho e julho, com mais de 140 mortes diárias e agravamento da crise hospitalar, que já está caótica. Pelos índices atuais, o número de mortes, no dia 6 de junho, deve chegar a 9.290, e o de casos acumulados subir para 364.056.

NA ARGENTINA, VOLTA À FASE 1

Índice de casos e de óbitos já são os mais altos desde o início da pandemia, na Argentina. Foto Agência Télam

Não é muito diferente a situação na Argentina. Nas 24 horas até quinta-feira foram reportados mais 35.884 casos e 435 mortes. Os casos representam pouco menos da metade dos registrados no Brasil no mesmo período (83.367), mas, proporcionalmente à população, significam mais do que o dobro.

Os 435 óbitos, no entanto, tanto em termos absolutos como relativos à população, representam menos que os 2.527 das 24 horas até quinta-feira, no Brasil. A morbidade (índice de mortes em relação aos casos) sempre foi maior no Brasil que na Argentina.

Com os números acumulados, a Argentina ultrapassou a Colômbia e a Polônia, em número de casos, e está agora em 10º lugar no ranking mundial; em mortes, passou a Polônia (por oito óbitos a mais) e subiu para o 13º posto, conforme dados do painel on line da universidade Johns Hopkins.

LOCKDOWN

Alberto Fernández: “Governo jamais pode se fazer de distraído ante uma pandemia”. Foto Agência Télam

E é por causa disso que o presidente da Argentina, Alberto Fernández, determinou a volta à fase 1 da quarentena, desde a zero hora deste sábado, 22, até o dia 30 deste mês, com toque de recolher entre 20h e 6h.

Ficam suspensas todas as atividades sociais, econômicas, educativas, religiosas e desportivas de forma presencial. Só serão autorizados a funcionar os comércios essenciais, os serviços por delivery e a circulação entre 6h e 18 será permitida apenas nas proximidades dos domicílios ou por razões especialmente autorizadas.

O presidente anunciou também, que, de 31 de maio a 11 de junho, as atividades voltarão com as restrições em vigor atualmente, mas no final de semana de 5 e 6 de junho o lockdown e o toque de recolher voltarão às áreas mais críticas.

Alberto Fernández defendeu as medidas restritivas, afirmando que o país está enfrentando a maior quantidade de casos e de mortes, e que o governo “jamais pode se fazer de distraído ante uma pandemia”, o que, se ocorresse, disse, “seria imperdoável”.

Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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