Só faltou o presidente da República na entrevista coletiva que anunciou as restrições. Foto Agência IP

Paraguai reduz mobilidade, mas ficam abertas as fronteiras, “com controle restrito”

Sai o decreto do governo do Paraguai sobre as medidas de restrição que serão adotadas entre a zero hora deste sábado (27) e o domingo da próxima semana, 4 de abril.

Durante nove dias, os paraguaios terão que obedecer a restrições semelhantes às adotadas no início da pandemia. Com uma diferença: as fronteiras com os países vizinhos, especialmente o Brasil, permanecerão abertas, embora com controles mais rigorosos, segundo o ABC Color.

Não se falou mais em exigir teste negativo de covid-19 dos que entrarem no Paraguai, mas sim que cumpram as medidas sanitárias estabelecidas, como o uso de máscaras, evitar aglomerações, utilizar álcool em gel e lavar as mãos (as lojas devem contar com lavatórios).

A fiscalização será feita pela polícia e por militares, segundo a diretora de Migrações, María de los Ángeles Arriola.

O diretor de Vigilância de Saúde, Guillermo Sequera, explicou que não há necessidade de fechar a fronteira entre Ciudad del Este e Foz do Iguaçu, o que iria prejudicar a economia sem ter efeito positivo na situação epidemiológica.

Segundo Sequera, em 2020 o fechamento foi necessário para evitar a entrada do vírus. “Agora o vírus está aqui, consideramos que os controles dentro do território são úteis sem a necessidade de fechar a fronteira.”

SÓ O INDISPENSÁVEL

O ABC Color destacou alguns pontos do decreto. O principal é a restrição da mobilidade da população. Durante toda a Semana Santa, serão permitidos “movimentos mínimos e indispensáveis”, como por exemplo para o transporte de pessoas enfermas ou feridas e compra de alimentos.

Os ônibus de curta, média e longa distância não circularão entre os centros urbanos e o interior do país, mas o transporte coletivo da área metropolitana funcionará normalmente, de acordo com o chefe de Gabinete da Presidência, Hernán Huttemann.

Ele explicou que o objetivo dessas medidas é evitar que moradores de Assunção ou do Departamento Central, as áreas mais populosas e com mais altos níveis de contágio no país, “levem o vírus” para o interior, durante o habitual êxodo da Semana Santa.

Transportes por aplicativos poderão operar, mas apenas para levar passageiros que precisem se locomover por razões essenciais.

Outra medida cancela eventos culturais e de entretenimento. Os meios de hospedagem estarão abertos apenas para moradores dos respectivos departamentos ou para pessoas que já fizeram reservas, mas não poderão programar qualquer tipo de atividade de lazer.

Os cultos religiosos só poderão ocorrer com no máximo 20 pessoas em locais fechados ou abertos, com agendamento prévio (a restrição anterior era para até 150 pessoas em áreas abertas e 100 em fechadas).

O QUE FUNCIONA

As exceções do decreto restritivo são para comércios essenciais, como supermercados, armazéns e farmácias, informa o jornal Última Hora.

Os comércios não essenciais poderão trabalhar 24 horas com delivery, assim como os restaurantes.

O que não vai parar, também, é a execução de obras públicas e obras civis, bem como o transporte fluvial, o transporte terrestre de carga e os serviços aduaneiros.

SEM O PRESIDENTE

As medidas foram anunciadas numa entrevista coletiva à imprensa no palácio presidente, mas sem a presença do presidente Mario Abdo Benítez.

A imprensa paraguaia em geral questiona a ausência do presidente e critica: “Em plena crise sanitária, política e social, já faz mais de 10 dias que (Abdo) está desaparecido”, como publicou no Facebook o portal CDE Hot.

Há 10 dias ninguém vê ou ouve Abdo, diz o site.

Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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