Na “pior crise hídrica do Brasil desde 1931”, Paraguai pede água

A cota do Rio Paraná na Ponte da Amizade, neste domingo, 7, está entre 92,61 e 92,32 metros acima do nível do mar.

Em períodos normais, a cota passa de 105 metros acima do nível do mar.

Um dos sinais claros de que a situação hidrológica não é boa, já que Itaipu é considerada “usina a fio d´água”.

Isto é, só tem reserva técnica, não armazena. Depois de gerar energia, devolve ao Rio Paraná a água que veio das usinas acima.

“É a pior crise hidrológica desde 1930”, alarma-se o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), com chuvas “significativamente abaixo da média histórica”.

Na região da Ponte da Amizade, nível do rio está bem mais baixo que em períodos normais. Foto captura de vídeo

MESES SECOS

Os grandes centros mundiais de previsão climática já alertaram que junho, julho e agosto serão meses com chuva abaixo do normal na Bacia do Rio Paraná.

Embora garanta que não haverá apagões, este ano, o ONS diz que poderia ocorrer “a perda do controle hidráulico dos reservatórios da bacia do Rio Paraná no segundo semestre de 2021”.

E isso, por sua vez, implicaria em restrições no atendimento energético nos sistemas Sul e Sudeste/Centro Oeste, como explica matéria da Agência Brasil.

CONTRA APAGÕES

Para evitar esta perda do controle hidráulico e os apagões, já foram adotadas algumas medidas paliativas.

Entre elas, flexibilização das restrições hidráulicas nas usinas das bacias dos rios São Francisco e Paraná.

E ainda: aumento da geração térmica e da garantia de combustível para essas usinas.

Pra fechar: importação de energia da Argentina e do Uruguai, além de campanha de uso consciente da água e da energia”.

SEM AUMENTAR ENERGIA

O governo garante que o preço da energia não vai aumentar. A não ser, claro, na mudança de bandeira.

Até maio, vigorava a bandeira amarela, o que representava uma taxa extra de R$ 1,34 para cada 100 quilowatts consumidos por hora.

Agora em junho, vigora a bandeira vermelha, que resulta na cobrança de um adicional de R$ 4,169 para cada 100 kWh consumidos.

E há ainda outra bandeira vermelha, mais escura. E com tarifa mais alta. Veja na tabela abaixo.

PARAGUAI SEM NAVEGAÇÃO

É nesta situação de “pior crise hidrológica desde 1930” que o Brasil voltará a receber um pedido do Paraguai para liberar mais água no Rio Paraná.

De acordo com o jornal La Nación, o Centro de Armadores Fluviais e Marítimos, a Chancelaria e as usinas binacionais Itaipu e Yacyretá analisam a possibilidade de uma nova liberação de água para garantir navegabilidade ao Rio Paraná.

Isso foi feito em maio, para permitir que o Paraguai exportasse 125 mil toneladas de grãos, que agora já estão rumo ao mercado internacional.

Mas uma nova “janela de água” pode ocorrer em julho, segundo o jornal, desde que as chuvas voltem.

O que não é muito provável.

80% POR HIDROVIA

Barcaças paraguaias respondem por 80% do comércio exterior do país. Foto Kiko Sierich

O jornal explica que a forte queda dos níveis dos rios Paraguai e Paraná põe em apertos o comércio exterior paraguaio, que depende em 80% do transporte hidroviário.

Logo depois da “janela de água” em maio, o Rio Paraná tornou-se novamente inavegável, no trecho entre a usina de Yacyretá e a confluência dos rios Paraná e Paraguai (que também é vítima da estiagem).

“Toda a carga que está nos portos do Sul (do Paraguai) não pode sair por via fluvial. É preciso esperar uma próxima janela de água ou transportá-la por via terrestre até os portos do Rio Paraguai”, explica o Centro de Armadores.

MAIOR CUSTO

Mas a navegação no Rio Paraguai, ao norte de Assunção, é complicada: as barcaças só têm sete pés de calado para navegar, por isso a carga tem que ser reduzida em 45%.

E isso encarece os custos para o consumidor, no caso de importações, ou reduz o pagamento para o produtor agrícola.

A grande estiagem que prejudica os rios Paraná e Paraguai praticamente não dá folga desde 2020. E continua assim em 2021.

RIO IGUAÇU NA SECA

Dos estados do Sul, o Paraná é o mais prejudicado pela estiagem, que reduziu também a vazão do Rio Iguaçu, afetando o abastecimento de água da Grande Curitiba.

Em União da Vitória, o nível do Rio Iguaçu esta em 1,56 metro, quando o normal, em dias secos, é 2,70 metros.

Isso se reflete nas Cataratas do Iguaçu, onde a vazão está em 324 mil metros cúbicos por segundo, quase um quinto da vazão em períodos normais.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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