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30 anos de luta dos educadores do Paraná 

30 anos de luta dos educadores do Paraná 
Cavalaria e bombas foram usadas por tropas policiais para reprimir educadores em greve (Foto: João Brusch/Arquivo Gazeta do Povo)

Diego Valdez

O 30 de agosto marca na história da educação paranaense. Nesse dia ocorreu a covarde repressão promovida pelo Governo Álvaro Dias com bombas, tropas e cavalaria contra educadores que, em greve, lutavam por direitos. Essa data fatídica de 1988 completa 30 anos. São três décadas de memória, luta e resistência em que a educação do Paraná paralisa as atividades para rememorar a violência sofrida e defender a escola pública. 

A data não marca apenas um dia no calendário em que educadores choram as feridas do passado. O 30 de agosto é de intensa resistência, e tem sido assim anualmente, desde 1988.  Não se trata de lutar apenas pelos direitos da categoria profissional, motivo mais do que suficiente para a mobilização. Basta analisarmos. Foram cerca de 20 mil educadores demitidos nos últimos dois anos, houve redução ilegal da hora-atividade e o governo pune profissionais afastados por doença.

Diego Valdez: "São três décadas de memória, luta e resistência da educação" - foto Divulgação 

A lista de ataques é maior ainda. A defasagem salarial é de 23% para professores e de 12% para os demais trabalhadores, está instituída uma política de perseguições e processos administrativos contra os servidores, não acontece substituição de profissionais doentes, aumenta o número de alunos por turmas e os salários dos professores temporários foram reduzidos. 

Mas o 30 de agosto é também e principalmente uma data de enfretamento às políticas de destruição da educação pública do Paraná, que tem como o auge os Governo Beto Richa-Cida Borghetti, amparado nas políticas do Governo Federal. Fechamento de escolas - em especial, as do campo - encerramento de turmas, turnos de funcionamento e cursos integram o quadro de põe em risco o ensino público e gratuito. 

Também podemos citar os ataques às escolas de educação especial, corte da oferta de cursos técnicos, reforma do ensino médio, Base Nacional Curricular Comum e falta de investimentos nas escolas paranaenses. 

Por isso tudo, o 30 de agosto não pode ser apenas uma data significativa para os educadores, pois a pauta não é só trabalhista. Educação pública de qualidade interessa a toda a sociedade e, portanto, cabe à coletividade se somar a essa luta.  Não é dia de reclamar que o estudante não está na sala de aula. É uma data para todas as pessoas se juntarem a professores e funcionários de escola para defender nas ruas o direito da juventude à educação. 

Neste 30 de agosto de 2018, a educação parou. Com as escolas sem atividades pedagógicas, a aula de cidadania é nas ruas, pois somente com luta e com a participação de cada um de nós será possível construir um país melhor e assegurar uma escola de qualidade. 

Diego Valdez é presidente da APP-Sindicato/Foz