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Aeroporto de Foz enfrenta entraves ao completar 45 anos

Aeroporto de Foz enfrenta entraves ao completar 45 anos

* Alexandre Palmar

O Aeroporto Internacional Cataratas completa 45 anos neste domingo, 7, sonhando alto com melhorias para solucionar sérios entraves. Considerado estratégico pela posição geográfica de Foz do Iguaçu, o terminal passa por uma reforma milionária que deve resolver problemas antigos.

Os transtornos aos usuários são recorrentes em dias de grande movimento de passageiros, como feriadões e alta temporada. Com áreas modestas, é comum o registro de filas para despachar bagagens, passar pela fiscalização dos órgãos de segurança e embarcar. Outra limitação é a falta de assentos suficientes na sala de espera.

Isso sem falar na falta dos fingers (pontes de embarque entre terminal e avião). Sem o dispositivo, os passageiros são obrigados a embarcar e desembarcar sob temperaturas de até 40 graus ou mesmo sob chuva. Um absurdo para um dos principais destinos turísticos do país, com localização estratégica na fronteira do Brasil, Paraguai e Argentina.

Outra ponderação diz respeito à obrigatória vistoria dupla no aeroporto (zona secundária). Logo na entrada da área de embarque, o passageiro coloca a sua bagagem na esteira rolante do escâner operado pela Receita Federal (cujo foco é combater contrabando, descaminho e tráfico, entre outros crimes).

Depois da primeira fiscalização, o passageiro deve fazer o check-in e despachar as malas nos guichês das companhias aéreas. De lá, já sem estar acompanhada do proprietário, a bagagem passa por novo raio X, desta vez da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária).

Já rumo à sala de embarque, há a vistoria de segurança feita pela Infraero. O passageiro precisa submeter a bagagem de mão a outro raio X, novamente, visto que bagagens de mão, como mochilas e bolsas, foram vistoriadas anteriormente pela Receita Federal. Por fim, a pessoa precisa passar pelo escâner corporal.

Mas não seria o caso de unificar as vistorias, como ocorre em aeroportos mundo afora? Segundo os órgãos de segurança, na primeira revista é necessário escanear as malas por medida de segurança, pois a cidade está numa fronteira. Essa lógica sugere a ineficiência no combate ao contrabando, descaminho e tráfico nas duas zonas primárias (pontes com Paraguai e Argentina).


Dois pesos e duas medidas

Já Aeroclube de Santa Terezinha de Itaipu, distante apenas 25 quilômetros da fronteira, registra em média de 400 voos por mês, conforme o controle da Aeronáutica. O clube de voo recebe inclusive voos particulares que pernoitam na pista. Lá não existe qualquer tipo de fiscalização regular. Preocupação semelhante também inexiste na Rodoviária Internacional de Foz do Iguaçu.

Essas disparidades demonstram dois pesos e duas medidas em Foz. Os diferentes critérios e rigor dos órgãos de segurança sugerem excesso de zelo no Aeroporto Internacional Cataratas diante da fiscalização inexistente ou limitada em outras áreas da região trinacional.

Questionada pelo H2FOZ sobre esses problemas, a Infraero encaminhou a seguinte nota:

A Infraero implantou em 2017 no Aeroporto de Foz do Iguaçu o Projeto de Eficiência Operacional em Aeroportos (PEOA), que tem o objetivo de otimizar todos os processos de embarque e desembarque, oferecendo melhores condições de conforto, segurança e fluidez nos processos executados para atender passageiros e aeronaves. A Infraero, em parceria com as empresas aéreas, adota medidas para aprimorar os fluxos de passageiros no terminal, além de estar com a obra em vias de execução. Assim, com a melhoria dos processos e da estrutura e a colaboração das empresas aéreas e órgãos públicos que atuam no aeroporto, a tendência é termos um atendimento cada vez melhor.

Além disso, o planejamento da Infraero para o Aeroporto de Foz do Iguaçu inclui a instalação de quatro pontes de embarque no terminal. As pontes já estão no local.

Desde novembro de 2017, a pista de pouso e decolagem do terminal paranaense passa por obras de revitalização de pavimento. Os trabalhos consistem na substituição da capa asfáltica, fresagem e recomposição em toda a extensão da pista, que conta com 2.195 m x 45m, além da pintura da sinalização horizontal. O investimento para a realização destes serviços é de R$ 10 milhões.

Atualmente, o aeroporto já conta com estrutura para atender a demanda de Foz. A capacidade do terminal é de 4,8 milhões de embarques e desembarques por ano. Até novembro de 2017, 1,9 milhão de passageiros chegaram e partiram do aeroporto.


* Alexandre Palmar é jornalista e editor do H2FOZ.