H2FOZ | Notícias | Foz do Iguaçu
  1. Home
  2. Notícias

Por: Cláudio Dalla Benetta - H2FOZ

Covid-19: um de cada três infectados no Paraguai é médico ou enfermeiro

Covid-19: um de cada três infectados no Paraguai é médico ou enfermeiro
Médicos pedem insumos para proteção não apenas para quem trabalha nas UTIs, mas em todos os locais de atendimento de saúde. (Foto: Min da Saúde do Paraguai/La Nación)

O diretor de Vigilância da Saúde do Paraguai,  Guillermo Sequera, disse à rádio Monumental AM, de Assunção, que uma de cada três pessoas contaminadas pela covid-19 é faz parte do "pessoal de branco" (médicos e enfermeiros).

Ele disse, ainda, que o Ministério da Saúde estima que a quantidade de casos confirmados de coronavírus equivale a somente 10% de todos os que de fato existem no país.

O número de casos seria, portanto, em torno de 470, já que os registrados oficialmente são 47 (com três mortes).

Segundo Sequera, o ideal seria ter bem mapeados os casos e que os contágios se dessem de forma mais lenta, para que o sistema de saúde pudesse responder.

O Ministério da Saúde espera aumentar a capacidade para processar mil mostras suspeitas de covid-19 por dia, ante as cem feitas atualmente no Laboratório Central.

"Quando aumentarmos a capacidade de amostras, vamos ter maior clareza sobre o que está acontecendo", disse Sequera. E advertiu que a população deve tomar todas as precauções, "como se o vizinho tivesse a enfermidade".

Falta de proteção ao pessoal de branco

Médicos e enfermeiros do Paraguai estão se queixando da falta de insumos de biossegurança para o pessoal da saúde, como impermeáveis, máscaras e protetores em quantidade suficiente para vários meses. Eles querem que esse material chegue a todos os centros assistenciais, e não apenas para as terapias intensivas de alguns centros de contingência, já que o coronavirus pode atingir todo o país.

Em carta aberta ao presidente Mario Abdo Benítez, além de mais equipamentos, o setor de saúde pede "o isolamento total e obrigatório das pessoas".

O médico Gustavo Campos, chefe do Serviço de Endoscopia do Incan, disse ao jornal La Nación que o pedido está sendo feito pelo sindicato dos médicos, mas que por trás dessa reivindicação estão diversos atores da saúde, como os funcionários do Instituto de Previdência Social, profissionais independentes, prestadores de medicina pré-paga, médicos que trabalham apenas no setor privado e outros.

Um em cada três "profissionais de branco' adquire o coronavírus.Foto Última Hora

"A equipe de saúde não reúne apenas médicos, mas enfermeiras, auxiliares, radiólogos, bioquímicos, pessoal de limpeza", lembrou Campos. "No dia a dia, verificando a situação, nos damos conta de que a quantidade de insumos que o governo está entregando para proteção biológica é realmente escassa", afirmou.
   
Esses profissionais de saúde, desprotegidos, podem adquirir o vírus e funcionar como vetores, levando a enfermidade a outros lugares. "E, quando este pessoal de saúde cair enfermo, vai deixar de ajudar outras pessoas", disse ainda.

Para o médico, o governo precisa reforçar as medidas de isolamento social da população. Esse isolamento, segundo ele, não tem que ser voluntário, como agora, mas sim obrigatório, "porque nosso sistema de saúde não está preparado para esta contingência".

Ele explicou que o setor de saúde não terá condições de atender potenciais 3 mil a 5 mil pacientes que precisem de terapia intensiva. A disponibilidade de leitos, em todo o país, não chega a mil, e 80% deles estão ocupados permanentemente por doentes com traumatismos cranioencefálicos provocados por acidentes de motos, por pacientes com acidentes vasculares, infartados e diabéticos.

Se chegar aos números previstos (3 a 5 mil), "os resultados serão realmente catastróficos", alertou o médico.

Fontes: Última Hora e La Nación

X