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Crianças que crescem juntas crescem mais

Crianças que crescem juntas crescem mais
Autor do artigo discute educação e formação para a cidadania (Foto: Reprodução/Pixabay)

José Elias Castro Gomes

Quando pais procuram uma boa escola para seu filho, eles procuram uma boa escola... para seu filho. Sim, óbvio, analisam a estrutura e imaginam o pimpolho se balançando no playground, visitam a sala de aula e observam se os móveis são ergométricos para sua coluninha e ficam atentos até aos decibéis da voz da professora tentando intuir se não vão ferir seus delicados tímpanos em formação. Enfim, pesquisam se tudo está nos conformes para acomodar, confortar e estimular corpo e mente de seu principal tesouro.

Justo, justíssimo. Mas o ideal seria pensar além. Seria avaliar a escola pelo que ela faz também por todos os demais alunos. Um exemplo: se uma escola não oferece acessibilidade adequada a portadores de necessidades especiais, como você espera que ela ensine cidadania, respeito e uma cultura inclusiva ao seu filho?

Há um tanto de egoísmo natural e justificado nessa busca pelo melhor para quem nos dá os melhores momentos de nossas vidas. É uma forma de retribuir dando à criança o mais importante de todos os presentes: o futuro. Mas nós nos perdemos quando pensamos que, para isso, o ideal é buscar quem ofereça atenção absolutamente individualizada, como se não houvesse universo ao redor.

Vivemos em coletividade, e quanto antes a criança tiver noção dessa realidade, melhor e maior será sua evolução. É inimaginável se sentir satisfeito em uma escola que bajula seu filho em detrimento da satisfação de todas as demais crianças. O aluno precisa perceber que felicidade com hedonismo e egolatria é apenas ilusão. E aí é que entra o papel de professores e pais no ensino da importância da vida em coletividade.

Alunos devem promover transformações para além de portões da escola - foto Reprodução 

A escola não é um espaço físico isolado do mundo que habitamos. Ela faz parte dele. E é um simulacro das relações que a criança viverá na fase adulta. Se encontra espaço nela para emular maus sentimentos e agigantar seu lado mimado ou ensimesmado, reproduzirá essas mesmas emoções nas relações interpessoais quando crescer, tanto no lado pessoal quanto no profissional.

Daí a importância da formação humana nesse mundinho que é a escola. Somos uma mini-cidade com mini-cidadãos que herdarão a Terra com suas delícias e dissabores. Serão responsáveis pelo futuro do planeta, e isso é uma grande responsabilidade. Uma tarefa que não pode ser atribuída a quem só pensa em si mesmo.

 O termo “mini-cidade” nem entra aqui como figura de linguagem, possuímos de fato uma estrutura que lembra uma pequena organização urbana. Temos milhares de cidadãos que a frequentam diariamente e uma infraestrutura bem aparelhada para organizar, gerenciar e dar suporte a todas as nossas demandas “urbanas”.

Apenas para se ter uma breve noção de como é esse esforço administrativo cotidiano, só em alimentação temos a produção de 400 almoços e 1.600 lanches todos os dias. Somos uma máquina de ensino feita de carinho e dedicação humanizada. E ela existe para que cada criança cresça em harmonia com seus pares.

O principal resultado almejado é que nossos alunos promovam transformações para além de nossos portões. Que a cidade, o estado, o país e o mundo possam ser saudavelmente contaminados por esses cidadãos do futuro. Há uma máxima que afirma que se você quer ir rápido deve ir sozinho, mas se quer ir longe deve ir em grupo. Estando ela correta, podemos garantir que nossos alunos irão muito, muito além. 
 
 José Elias Castro Gomes é mantenedor do Colégio COC Foz do Iguaçu