H2FOZ | Notícias | Foz do Iguaçu
  1. Home
  2. Notícias

Por: Cláudio Dalla Benetta - H2FOZ

Crime organizado quintuplicou integrantes no Paraguai, em menos de um ano

Crime organizado quintuplicou integrantes no Paraguai, em menos de um ano
De Pedro Juan Caballero fugiram algumas das lideranças mais importantes do crime organizado no Paraguai. (Foto: Pánfilo Leguizamón, Universo)

Nas abarrotadas prisões paraguaias, o crime organizado encontrou terreno fértil para arrebatar simpatizantes, em troca de favores como comida e advogados.

O Departamento de Inteligência contra o Crime Organizado do Paraguai informou que os principais chefes dos grupos criminosos de origem brasileira estavam entre os foragidos da Penitenciária de Pedro Juan Caballero, segundo reportagem do ABC Color.

O número de bandidos que pertencem a facções criminosas - Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho e Primeiro Grupo Catarinense - quintuplicou entre agosto de 2018 e junho de 2019, conforme os últimos cadernos apreendidos com esses dados.

Eles somavam cerca de 100 e passaram para 528 nesse período de dez meses. Desse total, 150 eram brasileiros e os demais paraguaios.

Esse aumento se deve à tática dos grupos criminosos, que fornecem alimentos e pagam advogados para os presos e, em troca, são "batizados" nas organizações. Quando em liberdade, têm que pagar uma taxa mensal do produto de seus roubos. E não é baixa: 60% do que conseguem vai para a organização.

Só no ano passado, segundo o serviço de inteligência paraguaio, os criminosos arrecadaram US$ 40 milhões, dinheiro suficiente para comprar armas e financiar o bem-estar dos companheiros presos.

É exatamente esse tributo exagerado que inibe o aumento das fileiras do crime organizado, segundo o serviço de inteligência paraguaio, principalmente para criminosos de menor periculosidade.

Fonte: ABC Color

As prisões

Quadro preparado pelo jornal La Nación com os números e dados sobre presos paraguaios.

As prisões paraguaias estão superlotadas. Elas têm capacidade para 9.500 presos, mas albergam 15.477. O número de presos cresce em média 6% ao ano, ou cerca de 900 detentos, que vão para essas prisões superlotadas.

Se nada for feito, serão 25 mil detentos daqui a dez anos, o que provocará o colapso das 18 penitenciárias do país - ou 27, se forem incluídas as instituições de reinserção de pessoas condenadas.

"A situação - diz o jornal La Nación - é resultado da falta de políticas contra a criminalidade por parte do Estado, que fomenta a repressão, mas não a prevenção e nem um plano de reinserção social,depois que os detentos cumprem  suas penas".

O Mecanismo Nacional de Prevenção da Tortura, instituição estatal, informa que, dos 15.477 detentos, apenas 26% (4.024) foram condenados, entre os homens. Os outros 11.453 encarcerados não têm nenhuma informação sobre o tempo que ficarão presos nem sequer qual é a acusação exata do motivo da prisão. Os índices são similares para as detentas.

Os motivos para a prisão mais frequentes no Paraguai, em relação a pessoas, são o homicídio doloso (14,11%), o abuso sexual de crianças (4,99%), a coação sexual (3,42%) e lesão grave (1,64%).

Em relação propriedade à privada, o estudo mostra que em primeiro lugar está o roubo agravado (22,57%), em seguida o furto agravado (10,16%), em terceiro o furto (2,91%) e em quarto o roubo (2,89%).

Há, ainda, 17,51% dos presos por tráfico de drogas. É um dos crimes com um aumento considerável nos últimos anos, diz o La Nación.

Fonte: La Nación

Até o final do ano, devem ficar prontas três prisões como essa, o que deve amenizar a superlotação.

Novas penitenciárias

A situação no Paraguai deve ser amenizada com a entrega de três penitenciárias, até o final do ano, que estão sendo construídas em Emboscada (duas) e em Minga Guazú.

As três têm capacidade para abrigar, no total, 5.760 presos. Este aumento da capacidade resolverá, praticamente, o problema da superlotação atual. Mas a taxa de prisão é maior do que a capacidade construtiva.

Texto e foto: jornal Hoy

No Brasil

A situação de superlotação nas prisões não é um problema exclusivo do Paraguai. Ao contrário, é também gravíssimo no Brasil.

Números divulgados em agosto de 2019, mas baseados em dados de 2018, revelavam que havia 66% mais presos do que a capacidade dos presídios brasileiros. As prisões podem abrigar 437.949 detentos, mas empilhamvam-se nas celas exatamente 729.949.

O levantamento também mostrou que, em 2018, 1.424 presos foram mortos em presídios. Houve ainda 23.518 fugas.

O encarceramento em massa, no Brasil, está diretamente ligado ao tráfico de drogas. A maioria dos detentos está atrás das grades, na maioria dos casos, por traficar pequenas quantidades, o que é criticado por especialistas.

Fonte: Conjur

 

X