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Por: Cláudio Dalla Benetta - H2FOZ

Crise do emprego é grave no Paraguai. E governo admite: não há chance de criar novos empregos este ano

Crise do emprego é grave no Paraguai. E governo admite: não há chance de criar novos empregos este ano
A informalidade, que já era absurdamente alta no Paraguai, tende a se agravar pós-pandemia. (Foto: La Nación)

H2FOZ - Cláudio Dalla Benetta

Imagine um país onde grande parte dos trabalhadores estava na informalidade. Agora, acrescente milhares de desempregados do mercado formal. Acrescente recém-chegados do exterior, de volta justamente porque perderam seus postos de trabalho.

Assim é o Paraguai de hoje, com expectativas para o futuro próximo bem complicadas. O que pode se refletir do lado de cá da fronteira, com maior procura de serviços na construção civil, em residências e em atividades onde a informalidade é norma.

Vai ser ruim pra todo mundo da região de fronteira, que ainda por cima não tem data pra ser reaberta, o que poderia movimentar o comércio e amenizar a crise, devolvendo ainda empregos aos iguaçuenses que trabalhavam nas lojas paraguaias.

É importante acompanhar o que o Paraguai vai fazer pra sair desta sinuca do desemprego. Mas já se sabe: é coisa pra 2021.

10 mil demissões

Situação de agora: um dos efeitos mais graves da pandemia de covid-19, no Paraguai, foi no setor de empregos. Cerca de 100 mil trabalhadores tiveram os contratos suspensos, entre março e abril, e 10 mil foram demitidos.

E a ministra do Trabalho, Carla Bacigalupo, é realista: não há perspectivas de criar novos postos de trabalho até o começo de 2021, segundo informa o jornal ABC Color.

"Este ano não vamos poder falar de novos empregos. Podemos falar de proteção, de recuperação do emprego através da reativação (da economia), mas não vamos poder falar de gerar novos empregos", disse a ministra.
 
O Paraguai, de acordo com a ministra, já apresentava uma alta taxa de emprego informal antes da pandemia, "e, sem dúvida, a covid fez subir os índices de informalidade".

Carla Bacigalupo disse que a situação vai exigir que o governo se apoie em três pilares importantes, desde logo: investir em empregos, fortalecer as medidas de proteção social e permitir maior acesso a crédito para todas as empresas do país.

Uma das propostas é que a construção civil do setor público gere mais de 74 mil postos de trabalho, com construção em massa de moradias sociais e obras públicas em geral, disse a ministra ao ABC Color.

Ministra do Trabalho diz que antes de 2021 nao se pode nem imaginar a criação de novos empregos. Foto ABC Color

Os informais

Quem atua na informalidade sofreu e sofre um impacto terrível. O vice-apresidente da Central Unitária de Trabalhadores Autêntica, José Pineda, compara: se 100 mil trabalhadores formais já foram prejudicados, a cifra aumenta para 1 milhão se forem computados os informais, conforme entrevista ao jornal La Nación.

Os formais afetados foram os que trabalham em pequenas e médias empresas, segundo Pineda. "Cerca de 10 mil empresas foram afetadas, e 75% ados empregos formais vêm das pequenas e médias empresas", disse.

Ele criticou a reação lenta do governo para amenizar a situação e o setor bancário, que não oferece crédito a essas empresas para que possam sustentar os empregos, "para que não haja tanto sacrício do setor trabalhador".

O vice-ministro de Emaprego, Daniel Sánchez, respondeu que o governoa continua trabalhando para fazer frente ao desemprego, e que a reativação da economia já deu uma ritmo diferente ao mercado de trabalho.

“O mundo não estava preparado para iso, mas dia e noite se trabalha em políticas públicas que possam dar uma resposta imediata à população, não apenas por meio dos programas do governo, mas também com todas as ferramenta para cuidar do emprego emn todas as suas formas", disse o vice-ministro.

Segundo ele, a suspensão de 100 mil contratos de trabalho "é uma proteção ao emprego com segurança social, e paralelamente a isto há um subsídio".

Os que voltam

Não bastasse o desemprego que já existe entre os que viviam no país, a preocupação agora é também com os paraguaios que retornam do exterior, informa o Última Hora.

O ministro do Interior, Euclides Acevedo,disse que os ministérios de Indústria e Comércio e do Trabalho estão estudando uma política de emprego para os que voltam, que por enquanto somam entre 20 e 25 mil.

Ele disse que deverão ser fornecidos empregos eventuais para que tenham emprego "imediatamente ao retornar", mas depois esta mão de obra terá que ser direcionada a "futuras infraestruturas empresariais".

Músicos e jogadores

A par de trabalhadores "comuns", que vão voltar ao país e precisarão encontar meios de subsistência, ainda há o caso de músicos (uns 45) que trabalham em cruzeiros turísticos internacionais e de jogadores de futebol, cujos contratos venceram nos clubes em que atuavam no exterior.

Já retornaram ao país jogadores paraguaios que atuavam na Argentina e na Colômbia. Eles estão num hotel em Lambaré, onde cumprirão a quarentena obrigatória.

Há cerca de 3.500 paraguaios que precisam voltar ao país por diferentes maotivos, mas no momento não há locais suficientes para albergar a todos. O que dizer, então, de meios de subsistência?

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