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Por: Cláudio Dalla Benetta - H2FOZ

Dados oficiais mostram que o Paraguai está no caminho da recessão

Dados oficiais mostram que o Paraguai está no caminho da recessão
Incêndios florestais, que ainda persistem, e enchente no primeiro trimestre. Ano difícil para os vizinhos. (Foto: Arquivo Última Hora)

Números divulgados pelo Banco Central do Paraguai (BC) mostram que a economia paraguaia fechou o segundo trimestre deste ano com uma queda de 3%. O primeiro trimestre já tinha um resultado negativo, de 2,5%.

O país foi o único da região, sem considerar Bolívia e Equador, que teve resultado negativo do Produto Interno Bruto no segundo trimestre.

Vale lembrar, antes mesmo das explicações oficiais, que o Paraguai enfrentou uma grande cheia do Rio Paraguai, que desalojou milhares de pessoas, muitas das quais até hoje vivendo em abrigos provisórios; uma seca intensa, que prejudicou a soja (cujos preços, ainda por cima, caíram no mercado internacional) e a produção de carne.

Tudo isso seguido de incêndios florestais, que também prejudicaram a produção de gado, em algumas localidades, e trouxeram prejuízos econômicos sérios, além dos ambientais.

A economia começou a desaquecer no terceiro trimestre do ano passado, mas os dois primeiros trimestres garantiram um bom índice de crescimento da economia em 2018.

Desde 2009

Com exceção de serviços, todos os setores tiveram redução nos níveis de produção, encabeçados por eletricidade e água, junto com construção civil, ambos com queda de 12%. A atividade baixou ainda nos setores agropecuário e industrial. A arrecadação de impostos também foi menor.

A última vez em que houve uma queda trimestral maior foi em 2009, de abril a junho, com uma variação negativa de 3,5&%. Aquele ano fechou com uma queda de 0,3% no Produto Interno Bruto.

Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, a diminuição do PIB, este ano, foi de - 0,9% no primeiro trimestre e de - 0,1% no segundo.

Estiagem

O economista chefe do BCP, Miguel Mora, disse que a situação econômica do Paraguai foi prejudicada principalmente pela menor produção de soja e também pela redução na geração de eletricidade, ambas prejudicadas pela seca insistente, que prejudicou a colheita e baixou o nível do Rio Paraná, onde estão as binacionais Itaipu (Brasil-Paraguai) e Yacyretá (Paraguai-Argentina).

A construção civil e a indústria manufatureira, responsáveis por grande geração de mão de obra, tiveram resultados negativos. No caso da construção, segundo Miguel Mora, foi o excesso de chuvas nos primeiros meses do ano o principal responsável, por impedir o desenvolvimento normal das obras, tanto públicas como privadas.

As exportações e importações diminuíram 4,5% e 4,4%, respectivamente, em relação ao segundo trimestre de 2018.

Brasil e Argentina

O BCP nada falou, mas há ainda outro fator que prejudicou o Paraguai, este ano: a economia em crise nos seus dois maiores vizinhos e principais parceiros comerciais, Brasil e Paraguai, que reduziram as compras de produtos paraguaios.

Além disso, as cidades de fronteira do Paraguai com a Argentina viram o sumiço dos compradores, que formavam longas filas para atravessar pontes para buscar mercadorias no comércio paraguaio. Na fronteira com o Brasil, cidades como Ciudad del Este, Pedro Juan Caballero e Salto del Guairá também viram minguar o número de turistas.

Tudo somado, a perspectiva para o Paraguai, este ano, é de recessão, se o resultado do terceiro trimestre também for negativo, como já é esperado.

Fonte: Última Hora

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