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Dia Internacional da Busca pela Igualdade

Dia Internacional da Busca pela Igualdade

José Elias Castro Gomes

O mais célebre escritor russo, Fiódor Dostoiévsk, deixou para a eternidade uma obra-prima que alertava e antecipava para os dramas que orbitavam (e orbitam) a vida das mulheres. Em “Os Irmãos Karamazov”, obra de ficção publicada em 1879, relatava, dentre diversos outros assuntos abordados com grande profundidade, o caso de mulheres do campo que, de uma hora para outra, alteravam drasticamente seu humor e comportamento, eram “possuídas”.

Muito antes delas, na Idade Média, já surgiam relatos de bruxas e esposas que se insubordinavam a seus maridos, ficando endemoniadas e purgando seus pecados nas fogueiras que ardiam em praça pública. As mulheres descritas por Dostoiévsk compunham um rico cenário cujo texto Sigmund Freud apontou como “a maior obra da história”, e retratavam a rotina extenuante de uma longínqua cidade russa, onde cumpriam jornadas de trabalho absurdamente desgastantes, dividindo-se entre as tarefas domésticas, o lavoro no campo, o cuidado com os filhos e uma infinidade de afazeres.

A possessão nada mais era do que um surto promovido pela própria mente daquelas mulheres tão castigadas, ou seja, nada mais era do que um surto que visava chamar a atenção e gerar uma desconexão automática daquele universo insuportável. Hoje, essa síndrome é chamada por muitos estudiosos de burnout (um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso), e a rotina estressante que o gera é ainda vivida por milhões de mulheres no mundo todo.

É lógico que há muito o que comemorar no Dia Internacional da Mulher, mas essa data é para celebrar e refletir. De Dostoiévsk para os dias de hoje, muita coisa mudou, é fato, mas ainda temos barbaridades, discrepâncias e violências que o próprio escritor russo, em toda a sua criatividade, não conseguiria supor que permaneceriam ocorrendo numa época de tantos avanços científicos.

E isso aponta para um cenário preocupante para nosso próprio futuro, pois quem provê carinho e conhecimento para as futuras gerações é a mulher. A imensa maioria dos profissionais dedicados ao ensino de base é composta por mulheres. Mulheres nutrem seus filhos com seu leite, seu saber, sua experiência, seu afeto, seu tudo. A mulher se doa integralmente. Por isso tanto corre-corre, porque é uma atividade de tempo integral.

Os feminicídios são encarados como violências contra a mulher, e o são, só que a gravidade vai muito além: são atentados contra a sociedade, contra o futuro.  E há tipos e tipos de feminicídios, desde os que promovem a morte imediata àqueles que se prolongam por anos e anos, como nos casos de desrespeito e agressão psicológica. A dor moral dói mais que a dor física. Mulheres que são humilhadas ou violentadas em sua dignidade morrem um pouco a cada dia. E podem chegar a tirar a própria vida quando morre a esperança. São pseudo-suicídios, são feminicídios a longo prazo.

Mas vamos falar de coisas boas a respeito do nosso presente e futuro, em especial sobre um futuro que é daqui a dois dias, no 10 de março, quando teremos a Oitava Edição da Corrida e Caminhada do Dia Internacional da Mulher. Será uma ótima oportunidade de trocar a correria do dia a dia por outra bastante saudável e desafiadora. A largada vai ser às 8h no Colégio Semeador, e será uma grande honra termos nossa escola como ponto de partida desse evento que consistirá em ótima oportunidade de integração familiar. Haverá ainda a 4ª Corrida Kids, promovendo o incentivo à atividade física também para nossas crianças.

Vamos continuar correndo na busca de melhorar a qualidade de vida e também o respeito às mulheres. É uma grande maratona, mas vamos em frente. E atingiremos todos juntos a linha de chegada, como bem pede nossa justa e eterna busca pela igualdade entre gêneros.

José Elias Castro Gomes é mantenedor do Colégio COC.
[email protected]


 

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