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Eleição, promoção pessoal e uso da máquina pública

Eleição, promoção pessoal e uso da máquina pública
Ex-vereador foi condenado pelo Tribunal de Justiça por promoção indevida (Foto: Câmara Municipal de Foz )

* Paulo Bogler 

Sutileza e política não foram feitas uma para a outra. Ainda mais em tempos de eleição. Há casos pictóricos, mas reais. A imagem do político que beija a criancinha é a primeira a vir à memória quando o assunto é promoção pessoal de governantes – ou de candidatos a governantes.

O uso da máquina pública, o abuso do poder econômico e a apropriação daquilo que é coletivo para a autopromoção são comuns no meio político. Seus efeitos são nefastos. Acaba com o mínimo de equilíbrio nas disputas. Favorece inescrupulosos. E a conta, no sentido literal, recai para o povo.

Não há limites para os representantes públicos em seu afã promocional. Em Foz do Iguaçu, há o caso do político que não perdia um funeral. Assistia a família, confortava os amigos do falecido e, em períodos eleitorais, a dor era ainda maior: chorava no difícil momento da despedida.

A comunicação é sem dúvida uma das principais aliadas. Assessores por vezes até forçam a barra naquela foto durante a visita às obras ou no anúncio do programa que vai mudar a vida da população. E se for inauguração ou evento, então, ninguém segura os cliques e flashes!

São muitos proprietários encobertos de meios de comunicação, mas hoje em dia a moda é político ter seu programa. No rádio ou na tevê, divulgam feitos do governo e promessas para o próximo mandato. Há casos em que os bastidores ganham a cena. Quem não lembra o “xinga, prefeito” em Foz?

Queiroga, um caso. Quantos mais?

Mas nem tudo é glamour nessa busca por visibilidade e reconhecimento públicos. O ex-vereador de Foz do Iguaçu Luiz Queiroga está conhecendo o gosto amargo da busca pela exposição. Ele acaba de ser condenado por improbidade administrativa pelo Tribunal de Justiça do Paraná.

A Justiça diz que Queiroga usou recursos públicos para propaganda pessoal. Ele teve os direitos políticos suspensos e deve devolver recursos. O ex-parlamentar – que atualmente mantém um programa de rádio – irá recorrer da decisão.

O Ministério Público informou que em 2011 Luiz Queiroga usou “servidores públicos e viaturas policiais, produziu vários panfletos com fotos dele, que foram entregues em uma blitz de trânsito na cidade”. Era para ser uma ação educativa, mas a Promotoria enxergou promoção pessoal e a denunciou.

Se a moda pegar, pode faltar candidato nesta eleição. Mas enquanto ocorre uma condenação sobre atos de anos atrás, 2018 continua a produzir palanques, discursos, fotografias, lançamentos e inaugurações. Nem Dias Gomes com seu personagem Odorico Paraguaçu seria mais direto.

* Paulo Bogler é repórter do Portal H2FOZ.