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Itaipu é exemplo de compartilhamento, temática central do Fórum Mundial da Água

Itaipu é exemplo de compartilhamento, temática central do Fórum Mundial da Água

Em todo o mundo, 261 bacias hidrográficas estão localizadas em dois ou mais países e 97% dos aquíferos são transfronteiriços. Daí a temática central do 8º Fórum Mundial da Água (compartilhando água), cuja abertura oficial foi nesta manhã de segunda-feira (19), em Brasília (DF), simultaneamente na sede do Itamaraty e no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. 

Para o presidente do Conselho Mundial da Água (CMA), o brasileiro Benedito Braga, é somente com o compartilhamento da água que será possível atingir uma condição de segurança hídrica no planeta, uma vez que cerca de 2 bilhões de pessoas não têm acesso a água potável e saneamento.

“O compartilhamento de uma bacia hidrográfica não é um fardo, mas um incentivo para melhorar o diálogo e a governança. Agora, é um processo que demanda tempo, esforços e investimentos. Mas tenho certeza de que iremos atingir a situação de segurança hídrica de que necessitamos”, afirmou Braga.

Segundo o presidente do CMA, são necessários 550 bilhões de dólares de investimento anual até 2030 para garantir a infraestrutura necessária para proporcionar a segurança hídrica mundial,  preparar o mundo para as crises que virão e assegurar o cumprimento das metas estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. “Para isso, é necessário colocar a água no cerne das políticas de desenvolvimento nacional”, completou.

Diretor de Coordenação Executivo, Pedro Domaniczky, falou das práticas da Itaipu - foto Alexandre Marchetti

O presidente Michel Temer, que também falou na abertura do Fórum, assegurou que o Brasil segue essa receita. “Ninguém ignora que o acesso à água e ao saneamento está ligado a nossa capacidade de crescer de forma sustentável. Nossa obrigação compartilhada é buscar o desenvolvimento sustentável em todas as suas vertentes: econômica, social e ambiental”, garantiu o presidente aos diversos chefes de estado presentes no Itamaraty e dirigindo-se, em especial, às autoridades do Senegal, país-sede do 9º Fórum Mundial da Água, em 2021. 

O exemplo de Itaipu

O exemplo bem-sucedido de gestão compartilhada das águas do Rio Paraná por Itaipu, gerando benefícios igualmente para o Brasil e o Paraguai, levou a empresa a ocupar posição de destaque no Fórum Mundial da Água. O diretor de Coordenação Executivo, Pedro Domaniczky, ocupou uma das sete cadeiras de autoridades da abertura realizada no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Também participaram representantes do CMA, Agência Nacional de Águas,  Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

“Na Itaipu, estamos localizados na Bacia do Prata, uma das maiores do Hemisfério Sul, e temos sob nossos pés o Aquífero Guarani, uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do planeta. Então, nossa responsabilidade com as gerações futuras é enorme”, afirmou Domaniczky. 

“Em 45 anos de lições aprendidas, podemos dizer que é um rio que une dois países e não apenas gera energia, mas desenvolvimento, conhecimento e sustentabilidade. E temos uma visão de que não são os governos os principais atores de um território, mas a gente. As pessoas precisam ser protagonistas, assim como nós neste Fórum, que não devemos nos limitar a uma condição de participantes, mas realmente tomar parte das ações”, completou o executivo. 

Ao longo da semana, a binacional estará compartilhando sua experiência na gestão da bacia hidrográfica, segurança hídrica e usos múltiplos do reservatório em diversos níveis de discussão do Fórum, como o governamental, o técnico-científico e a divulgação de boas práticas para o público em geral.

Reunião do Conselho

Neste domingo (18), a Itaipu também participou da reunião extraordinária do CMA, entidade que reúne instituições internacionais, ONGs e empresas envolvidas com a temática da água em todo o mundo. A binacional, que tem uma cadeira no conselho, é uma das principais representantes do setor hidroenergético na entidade.

O encontro, liderado pelo presidente Benedito Braga, foi importante para determinar novos procedimentos, como a resolução que instituiu um novo formato de votação eletrônica, para permitir a votação para quem não pode estar fisicamente presente nas reuniões. 

“O Conselho Mundial da Água está passando por uma modernização. As temáticas complexas da água exigem mais agilidade no processo de decisão e o sistema de votação eletrônica vai dinamizar isso”, afirmou Domaniczky, que participou da reunião juntamente com o diretor de Coordenação da Itaipu, Newton Luiz Kaminski. Foi a primeira vez que os diretores das duas margens da binacional participaram de uma reunião do CMA.

“Um dos encaminhamentos é dar mais visibilidade às boas práticas na gestão da água, especialmente no Hemisfério Sul, e, para, isso a comissão de governança terá papel fundamental no planejamento e nas ações desenvolvidas pelo CMA”, acrescentou Kaminski. Os dois diretores também se reuniram com o presidente da Rede Lationamericana de Organismos de Bacias, Roberto Olivares, e com a secretária do Programa Hidrológico Internacional da Unesco, Blanca Jiménez Cisneros. 

(Itaipu Binacional)