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Licério Santos

Licério Santos

É necessário definir se a zona franca é uma opção viável, diz presidente do Comtur


O presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), Licério Santos, aborda, em entrevista ao H2FOZ, assuntos que estão em pautas no setor turístico Foz do Iguaçu. Empossado no dia 1º de julho de 2014, ele apresenta os prós e os contras e as expectativas do mercado.
 
Portal H2FOZ – Quais as ações do Comtur para retomar as atividades do turismo esportivo no Parque Nacional do Iguaçu?

Licério Santos - Esta é uma situação muito preocupante para o mercado turístico de Foz do Iguaçu. O ICMBio deveria fazer uma nova licitação ou manter o contrato com a atual concessionária, o que não foi feito. Isso gera prejuízos para a cidade. Entendendo que o turista permanecia no mínimo dois dias na cidade para poder realizar o eco esporte, agora passa a ficar um dia.



H2FOZ - Qual a posição do Comtur em relação as cotas de compras? Existe ação para manter o valor atual?

Licério - Na verdade não há uma ação para manter as cotas. Nossa preocupação é que haja um debate com toda a cidade de Foz do Iguaçu para analisar até que ponto estas mudanças são de fato interessantes ou não para o município. Primeiro tem que definir se a zona franca e viável para a cidade.

Neste caso Foz do Iguaçu perderia a exclusividade de ser um centro de compras, mesmo que estes comércios não estejam na cidade. Mas só aqui tem infraestrutura hoteleira, de transporte aéreo e rodoviário. Uma vez criada estas zonas francas em outras regiões do país a nossa cidade perde esta exclusividade. O bom mesmo é fazer um estudo sério, com a participação da ACIFI, Codefoz, Comtur, governo e sociedade, para definir qual é o caminho mais viável para a cidade.


H2FOZ – Novos atrativos turísticos estão surgindo na cidade. Qual é o perfil destes empreendimentos em Foz do Iguaçu?

Licério – Antes de qualquer coisa temos que lembrar que somos uma cidade turística e nós precisamos de turistas na cidade. O Kattamaran repassa uma idéia mais naturalista de Foz. Já o DreamLand é um atrativo maravilhoso, um pouco diferente do Kattamaram, mas não de menos importância. Estas diferentes opções atrativas fazem com que os turistas permaneçam por mais tempo em nossa cidade.


 
H2FOZ - A cada ano aumenta o número de leitos no setor hoteleiro. Existe investimentos em divulgação para prenhcer essas vagas? 

Licério – São situações diversas. Primeiro que o investimento ainda não esta sendo suficiente. Temos que investir mais em institucional tanto no Brasil quanto no exterior. Tem turista pra preencher estas vagas. 

Comparando com a República Dominicana, que é uma ilha e que recebe 10 vezes mais turista que o Brasil, dá pra dizer que há consumidor para este mercado. O que deve ter é divulgação institucional, que realmente precisa melhorar muito. Os profissionais sempre estão se atualizando, mas as secretarias de turismo também devem fortalecer-se, para que tenha receita e assim possa divulgar mais a cidade de Foz do Iguaçu.

H2FOZ - Com a Copa do Mundo, o Destino Iguaçu foi bastante divulgado na imprensa asiática. Foi feito algum projeto para garantir a vinda deste destes turistas para a cidade?

Licério - Foz do Iguaçu tem certa simpatia com o mercado asiático. A cada ano aumenta mais a visitação de turistas chineses e coreanos. Mas se for pra falar de um planejamento ou uma ação especifica para aproveitar esta mídia espontânea que teve, nós não aproveitamos isto. 

Acho que não houve preocupação de fazer uma ação direta naquele mercado. Saímos na mídia porque a seleção coreana estava aqui. Depois vimos as reportagens da tv e todas as aberturas eram com as imagens das Cataratas. Mas uma ação institucional e comercial em cima disso ainda não aconteceu.
 
H2FOZ – Referente ao centenário da cidade, muitas ações foram feitas focadas no dia 10 junho de 2014. Quais outras ações podem ser feitas aproveitando o clima de 100 anos da cidade até junho de 2015?

Licério – Todos precisam cumprir o seu papel referente a essas comemorações. Apesar da idade de Foz, politicamente ela tem uma história muito curta. Antes disso tínhamos prefeitos nomeados. Isto gera uma falta de identidade, falando politicamente. Quanto à continuidade as ações, sem dúvida que há necessidade.
 
Nós, do turismo, estaremos fazendo um jantar de gala, juntamente comum baile, alusivo ao centenário da cidade, previsto para o mês de setembro, procurando atingir o calendário do dia do turismo. Mas este não é exclusivamente o papel do turismo. As prefeituras, juntamente com instituições e entidades sociais, deveriam aproveitar a ocasião para linkar este assunto, agregando a outros assuntos ligados a cidade.



H2FOZ – E sobre os futuros profissionais da área. Existem projetos por parte da Comtur de investimento na formação destes profissionais?

Licério - Existe na cidade o Trilha Jovem, um projeto completo, muito bom. Porém voltado para a inserção no mercado de trabalho. Mas o que nos preocupa bastante tem sido a evasão de estudantes em cursos voltados a estas áreas. É necessário que tanto as instituições de ensino público quanto privado consigam fazer a manutenção destas turmas. Foz tem uma fama nacional de serviços de boa qualidade. Isso se dá justamente por nós termos mão de obra qualificada. É isso que nos preocupa e é nessa questão que devemos focar. 

H2FOZ – Quais são os desafios imediatos da Comtur dentro da sua missão de definir políticas públicas voltadas para o turismo?

Licério – Já estamos trabalhando. Como dito antes, uma das ações imediatas que nós tomamos foi fazer os acompanhamentos das questões do ICMBio. Estamos gestionando com o executivo, com a prefeitura para que pelo menos se dobre a dotação orçamentária da Secretária do Turismo.

Além disso, estamos fazendo um acompanhamento, dentro do possível, de todas as questões referentes ao turismo na cidade. Temas em conjunto com o Foztrans, por exemplo, referente a falta da fiscalização dos estrangeiros que trabalham no atendimento aos turistas na cidade. Ainda falta fiscalização nesta área, o que não é recíproco na Argentina por exemplo.
 
H2FOZ - João Mota
Acadêmico de jornalismo
[email protected]