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Luciana Chiyo

Luciana Chiyo

Estatuto dos animais é um instrumento para cuidar da saúde humana



H2FOZ - Letícia Lichackovski

Desde o ano passado, o H2FOZ traz uma série de matérias a respeito do Estatuto de Defesa, Controle e Proteção dos Animais, publicado em 19 de novembro no Diário Oficial. Um dos órgãos responsáveis pela elaboração do documento foi o Centro de Controle de Zoonoses. Em entrevista ao Portal, a médica veterinária do CCZ, Luciana Chiyo, explicou que, por mais que trate de animais, o Estatuto é uma questão de saúde pública.


H2FOZ: Da onde surgiu a necessidade de criar este estatuto?

Luciana Chiyo: Estávamos lidando com situações de animais demais na rua, o que é um risco para eles mesmos e para os humanos. Precisávamos de um instrumento que garantisse que os donos cuidassem mais dos seus animais de estimação. Vivemos uma cultura de descarte, onde animais são facilmente abandonados por questões banais. Animais soltos podem atacar as pessoas, transmitir doenças, algumas fatais para seres humanos. E é uma bola de neve. A falta de responsabilidade resulta em abandono de cães e gatos. Esses, por sua vez, vão procriar e mais animais estarão na rua, aumentando a população canina e felina. E isso é um perigo.


Luciana: Vivemos uma cultura de descarte, onde animais são facilmente abandonados por questões banais


H2FOZ: Você comentou sobre doenças. Quais são as principais e quais os registros?

Luciana: No caso de cães, a principal doença é a raiva, que é letal tanto para o animal tanto para o ser humano. Desde 2002, não temos registro de casos da doença transmitida por cães. Na região sul, a doença está controlada. Mas ainda assim é preciso cuidar. Fazemos o controle através de vacinas e sempre conscientizando a população. Outra doença é a toxoplasmose, que pode ser transmitida por gatos, mas eles são, de certa forma, injustiçados nessa questão, porque a pessoa pode contrair a doença comendo carne crua, por exemplo. Por isso é difícil ter estatísticas. Mas aí voltamos ao fato de que, é só a pessoa ter responsabilidade sobre o animal, oferecer um local limpo, não permitir que ele saia à rua, onde ele corre o risco de contrair a doença e passá-la adiante.

H2FOZ: Existe um limite de número de animais que uma pessoa possa ter em casa?

Luciana: Sim. O Estatuto determina que haja, no máximo, quatro animais adultos de cada espécie. Novamente, por questão de saúde do próprio ser humano. Um ambiente com muitos animais vai ser insalubre. Isso sem contar no incômodo dos vizinhos. Uma pessoa com muitos bichos de estimação, por mais que seja na vontade de ajudar a tirar cães e gatos da rua, tem que pensar na saúde. Em alguns casos, a pessoa é diagnosticada como colecionadora, uma patologia. Então, o ideal é que, na intenção de ajudar, procure as autoridades e não leve os animais para casa.


O ideal é que, na intenção de ajudar, procure as autoridades e não leve os animais para casa

H2FOZ: Algumas pessoas comentam sobre o controle populacional, através de campanhas de castração. Isso é aplicado?

Luciana: O Estatuto prevê a um censo populacional, que ainda não foi feito, e do Programa de Controle Populacional de Cães e Gatos. Porém, a lei ainda não foi regulamentada. Por ora, temos que esperar até que isso tudo saia do papel.

H2FOZ: Já chegaram a conversar com a nova administração?

Luciana: Ainda não. Esse período de transição é delicado, mas já estamos tentando marcar uma reunião para que tão logo o estatuto seja regulamentado e entre em vigor.


H2FOZ - Letícia Lichackovski
@leca_dpaula