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Para presidente da Contratuh, extinguir Ministério do Turismo seria retrocesso 

Para presidente da Contratuh, extinguir Ministério do Turismo seria retrocesso 
Foz do Iguaçu, onde estão as Cataratas do Iguaçu, tem a economia fomentada pelo turismo (Foto: Christian Rizzi )

Entrevista publicada no jornal Gazeta Diário, em 26/11/2018

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (Contratuh), Moacyr Roberto Tesch Auersvald, está em Foz do Iguaçu para a realização do evento de 30 anos da confederação. Para marcar a data, a Contratuh realizará um evento entre os dias 26 e 29 de novembro, no Viale Cataratas Hotel. 

Recepcionados pelos anfitriões do Sindicato dos Empregados de Turismo e Hospitalidade e Comércio Hoteleiro de Foz (STTHFI), representados pelo seu presidente, Vilson Osmar Martins, os presentes terão uma solenidade especial nesta segunda-feira à noite, com a presença de diretores, delegados e autoridades locais e nacionais. Amanhã (27) haverá reuniões de diretoria e do Conselho de Representantes, bem como uma palestra sobre o momento político e sindical brasileiro. 

Nesta entrevista, Moacyr Auersvald fala sobre pontos importantes de interesse da Contratuh e a categoria.  

Qual é a posição da Contratuh sobre o cogitado fim do Ministério do Trabalho?

O fim do MTE é visto com preocupação pelo sindicalismo brasileiro, pois atua em causas que transcendem a relação entre empregador e empregado. Ele é a voz e os ouvidos do trabalhador e responsável por manter o equilíbrio entre o capital e o trabalho, tornando-se o ponto de partida e a base da criação da legislação trabalhista. É o único ministério que o trabalhador reconhece como seu representante. A Contratuh, uma entidade apartidária, com 30 anos de atuação defendendo a sociedade brasileira, independentemente das categorias que representa, acredita que a extinção desse importante ministério seria uma perda inestimável para a democracia, especialmente em um cenário como o atual, com alto índice de desemprego e desrespeito às leis trabalhistas. 

E em relação à possibilidade de extinção do Ministério do Turismo?

O Ministério do Turismo tem grande importância econômica para o Brasil. Extinguir ou fundir a pasta ministerial é um retrocesso, pois deixa em segundo plano um setor que foi responsável pela criação de um em cada cinco empregos gerados no mundo na última década e que representa hoje 10,4% do PIB global. O Brasil perde muito ao deixar de voltar seus olhos para uma fonte de renda que traz desenvolvimento para todas as regiões. Desde a criação do Ministério do Turismo, segundo dados do próprio órgão, o setor registrou um salto na movimentação econômica de US$ 24,3 bilhões, em 2003, para US$ 163 bilhões, em 2017. 

Moacyr Auersvald: “O turismo é essencial para o crescimento do Brasil” - foto Divugação 

Como a entidade analisa a reforma trabalhista aprovada no ano passado? 

Queremos a revogação da reforma trabalhista e da Lei da Terceirização, que desgraçou a vida da classe trabalhadora e nos colocou na lista de países que desrespeitam normas internacionais da Organização Internacional do Trabalho. Com a aprovação dessa reforma, não houve nenhuma mudança positiva que o governo federal defendia, e continuamos batendo recordes e mais recordes de taxas de desemprego. O motivo da aprovação dessa lei é outro: beneficiar grandes empresário em detrimento da qualidade de vida dos trabalhadores. Com a pejotização generalizada da força de trabalho, o trabalhador vai se transformar em uma “empresa”, sem direito às férias, 13º, descanso remunerado, recolhimento do FGTS, desconto para a Previdência. 

O atual e o novo governo querem aprovar a reforma da Previdência. Qual é a visão da Contratuh sobre esse tema?

Somos contra a reforma da Previdência, por ficar claro que o maior argumento dos apoiadores dessa medida é de um rombo na Previdência que não existe – ignoraram até mesmo um relatório da CPI da Previdência, conduzida brilhantemente pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que mostrava com dados fatos favoráveis ao sistema atual. Só em 2014, o lucro foi de R$ 54 bilhões. A Previdência faz parte do orçamento da Seguridade Social, que inclui Saúde e Assistência Social, e recebe recursos de diversos impostos, além da contribuição ao INSS dos trabalhadores e patrões. 
 
Quais são as expectativas em relação ao novo governo federal?

Temos de entender que se deve respeitar as urnas. Independentemente de candidatos, a escolha foi feita, e precisamos torcer pra que esse governo dê certo. Não somos braço político de partido nenhum, mas temos o dever e a obrigação de colocar nossas posições e nossos anseios, além de termos a missão de cobrar do governo efetivamente as questões que defendemos. Vamos torcer para que as coisas andem bem, que a área social seja feita corretamente e que o trabalhador do turismo seja respeitado. Queremos que o presidente entenda que o turismo é essencial para o crescimento do Brasil e que o setor seja visto realmente como uma fonte de economia