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Por: Cláudio Dalla Benetta

PCC briga com grupo rival e promove massacre em prisão paraguaia

PCC briga com grupo rival e promove massacre em prisão paraguaia
Na montagem com fotos de Omar Acosta, feita pelo ABC Color, a saída de ambulâncias da prisão e, nos destaques, armas e um celular apreendidos com os presos. (Foto: ABC Color)

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Pra vingar a morte de um aliado na penitenciária de Tacumbú, integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) provocaram um massacre de presos de uma facção criminosa rival na penitenciária de San Pedro, neste domingo (16).

Foram assassinados nove membros do clã Rotela (atualização: foram 10 mortos, um dos que foram feridos acabou morrendo no hospital), antes aliado do PCC, mas que entrou em rota de enfrentamento com a facção criminosa brasileira. Depois de torturas, cinco detentos foram decapitados, três queimados vivos e um baleado. Outros 15 internos ficaram feridos.

O violento episódio deixou em alerta máximo as demais prisões do Paraguai, principalmente a de Ciudad del Este, onde estão reclusos vários integrantes do PCC.

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E não foi só isso. Na noite de domingo, quando a polícia retirava da prisão de Tacumbú o líder do clã Rotela, Óscar Rotela, para garantir a segurança dele, houve um motim de presos, que se lançaram contra os guardas penitenciários. A situação foi controlada duas horas depois, e Rotela foi encaminhado a outra prisão.

Já à noite, houve outro motim, quando um grupo de presos pôs fogo em resíduos, mesas, cadeiras, colchões e objetos de plástico. A situação ficou incontrolável, por isso foram chamadas novamente as forças policiais e os bombeiros. Com gás lacrimogênio e balas de borracha, Tacumbú finalmente voltou à normalidade.

Massacre

Violência durou mais de três horas e só parou com a chegada da polícia antimotim. Foto Omar Acosta, ABC Color

Na penitenciária de San Pedro, o motim seguido do massacre começou ao meio-dia (hora local) de domingo e se estendeu até depois das 15h. 

Os presos aproveitaram o número reduzido de carcereiros e tomaram toda a prisão. O tumulto só terminou três horas depois, quando a polícia antimotim invadiu a prisáo, mas, a essa altura, os integrantes do PCC já haviam torturado e matado rivais do clã Rotela.

Depois de mortos, eles tiveram as cabeças cortadas e expostas na frente da prisão, como uma espécie de troféu de guerra.

Expulsão

É a primeira vez que ocorre uma situação deste gênero nas prisões paraguaias, por isso fica reforçada ainda mais a intenção do governo do país de expulsar os membros do PCC. 

Mas, como muitos têm documentos paraguaios, haverá antes uma consulta às autoridades brasileiras, segundo o ministro da Justiça, Julio Xavier Ríos, que ainda no domingo destituiu o diretor da prisão de San Pedro, Wilfrido Quintana, e o diretor de Estabelecimentos Penitenciários, Blas Martínez. 

O ministro faz um prognóstico pessimista sobre a guerra de grupos criminosos que teve início no final de semana. "É uma luta terrível de duas facções (PCC e clã Rotela), mas o pior de tudo é que isto não vai terminar".

Segundo o ministro, "há muitos criminosos poderosos dentro do sistema (penitenciário), não apenas o clã Rotela. Há o PCC, o Comando Vermelho e outros paraguaios que conduzem o negócio sujo", disse, referindo-se ao tráfico de drogas.

Sobre a matança em San Pedro, Julio Xavier Ríos disse que não pode ser descartada a negligência ou cumplicidade de agentes policiais e dos próprios carcereiros.

"Esta gente do clã Rotela trabalhava antes com o PCC. O pessoal da Inteligência que está trabalhando  não obteve a informação do que iria ocorrer ontem. (Por isso) não descartamos negligência ou conivência", disse.

Granja exclusiva

Presos com alta condenação viviam com as famílias na granja, com todo o conforto. Foto Omar Acosta, ABC Color

O massacre em San Pedro expôs uma irregularidade flagrante: quatros presos, com condenações por tráfico de drogas e homicídio, levavam uma vida de luxo em uma granja localizada atrás da prisão, sem qualquer tipo de vigilância.

Os presos foram identificadois como Víctor Benítez Aranda, condenado a 26 años por crimes vinculados ao narcotráfico, situação semelhantes à de Tranquilino Giménez, condenado a 21 anos.

O terceiro, Ramón Benítez, foi condenado a 15 anos por homicíio doloso. O quarto preso ainda não foi identificado.

A promotora María Dominga Benítez disse que os presos contaram que foi o juiz de San Pedro, Néstor Arévalos, quem concedeu os privilégios, mas só um deles mostrou um documento com a resolução, em fotocópia que carece de validade.

Na granja, havia todo tipo de conforto, como ar condicionado, televisores led e até uma caminhonte que estaria em nome do filho de Víctor Benítez Aranda.

Durante a vistoria na granja, foram encontradas as mulheres e até os filhos dos presos, o que mostra que eles viviam com suas famílias.

A granja não conta com medidas de segurança para a residência de presos. O diretor do presídio, agora deposto, disse que o sítio é de propriedade do Ministério da Justiça.

Fontes: ABC Color, Última Hora e La Clave