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Por: Cláudio Dalla Benetta

PIB paraguaio deve despencar dos 4% previstos para apenas 1,9% este ano

PIB paraguaio deve despencar dos 4% previstos para apenas 1,9% este ano
Palácio de Los Lopes, sede do governo, em Assunção. (Foto: Jonas de Carvalho)

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"Tigrinho" da América do Sul, como era chamado até recentemente, o Paraguai começa a andar de ré. E, como seus vizinhos, a previsão é medíocre para o crescimento do Produto Interno Bruto paraguaio, este ano.

O Paraguai enfrentou uma seca que dizimou parte da colheita de soja, na última safra, e fez cair o ingresso de dólares. Enfrenta agora enchentes terríveis do Rio Paraguai.

Mas, pior que isso, está à mercê da crise de seus dois principais sócios e vizinhos, o Brasil e a Argentina. O primeiro, empacado; o segundo, afundado.

A Fundação de Desenvolvimento em Democracia reduziu de 3% para apenas 1,9% sua estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do Paraguai, para 2019. A queda é provocada principalmente pelo setor agrícola, que deve retrair-se -7,3¨% (efeito soja, principalmente).

Os outros setores da economia, por sua vez, tiveram o prognóstico de crescimento reduzido de 3,8% para 2,7%.

É a segunda correção para menos feita pela entidade. Em novembro do ano passado, a previsão era de que o PIB cresceria este ano 3,5%.

Menor em 7 anos

Se a estimativa se confirmar, o crescimento de 1,9% será o mais baixo desde 2012 (quando caiu -1,2) e é inferior aos 3,2% agora projetados pelo Banco Central do Paraguai. E ainda: será menos da metade dos 4% que eram previstos inicialmente pelo governo paraguaio.

Já para 2020, a expectativa é bem melhor, com crescimento econômico de 4,7%, impulsionado principalmente pela expansão de 8,5% esperada para o setor primário.

O crescimento do PIB paraguaio foi em média de 5% entre 2006 e 2012, mas caiu para a média de 4,2% entre 2013 e 2018, refletindo as dificuldades enfrentadas pelos maiores parceiros comerciais, a Argentina e o Brasil.

Bom e mau

A análise da Fundação de Desenvolvimento em Democracia prevê uma queda drástica do crescimento real do crédito, entre 2014 e 2023, passando de 25% para apenas 5%.

As perspectivas mais alentadoras vêm dos investimentos públicos, com média de expansão esperada de 8% entre 2014 e 2023, acima dos 6% observados entre 2006 e 2012 e muito superior ao 1% registrado desde o início do novo milênio até 2005.

As contas públicas, segundo a entidade, continuarão em déficit pelo menos até 2023, com gastos que superarão a arrecadação em 1,5% do PIB, sem voltar ao superávit de 1% de 2006 a 2013.

Ciudad del Este

Uma crise à parte é a vivida por Ciudad del Este, segundo o Centro de Importadores do Paraguai (CIP), onde a queda nas vendas e o desemprego vêm se acentuando em maior escala, o que pode se agravar ainda mais com a instalação de free shops em cidades vizinhas, como Foz do Iguaçu.

A par da desaceleração econômica e da cada vez mais notória queda do consumo no país, o CIT argumenta que a ideia de uma reforma fiscal no Paraguai requer melhorar o gasto público e rever prioridades, para garantir bem-estar a toda a população.

Para isso, segundo a entidade, devem ser reduzidos os gastos desnecessários de recursos públicos. E também afirma que agora não é o melhor momento para fazer reformas profundas, que simplesmente beneficiem as arrecadações fiscais, porque geram ainda mais incerteza entre os agentes econômicos.

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